<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362</id><updated>2011-12-29T13:53:31.770Z</updated><title type='text'>carrinho de choque, blog de um escritor que não gosta de conduzir</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>347</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-4076344443403278697</id><published>2011-10-17T16:48:00.001+01:00</published><updated>2011-10-17T16:50:40.684+01:00</updated><title type='text'>Tempo de mudanças</title><content type='html'>&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/W8a0-yEY9gs" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de agora, e várias vezes por semana, estou no &lt;a href="http://malemolenciazuga.blogspot.com/"&gt;Malemolência Zuga&lt;/a&gt;, o meu novo blog a partir do Rio de Janeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-4076344443403278697?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/4076344443403278697/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=4076344443403278697' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4076344443403278697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4076344443403278697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/10/tempo-de-mudancas.html' title='Tempo de mudanças'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/W8a0-yEY9gs/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-5532722776894262993</id><published>2011-09-29T13:09:00.002+01:00</published><updated>2011-09-29T13:15:32.486+01:00</updated><title type='text'>Fado da Partida</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-nGLjPhtjWGI/ToRhLqfinEI/AAAAAAAAAqk/8b_s7c9tRl0/s1600/imigrantes.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 132px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-nGLjPhtjWGI/ToRhLqfinEI/AAAAAAAAAqk/8b_s7c9tRl0/s200/imigrantes.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657753884897221698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O meu avô era guarda-fiscal numa aldeia encostada a Espanha onde fazia calor de forno e havia largadas de touros durante o verão. Os miúdos viviam na pobreza descalça de pisar a neve, sem sapatos, no inverno. O meu avô deixou um familiar cruzar a raia a caminho de França. A PIDE descobriu a complacência do meu avô e mandou-o para o castigo de um quartel desterrado, onde não havia aldeias por perto nem familiares aventurosos a caminho das bidonvilles de Paris. Os filhos dos guardas andavam quilómetros a pé para terminarem a quarta classe antiga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de fazer a guerra em Angola, o meu pai mandou-se para França com uma mulher e um filho. Ganhava mais, podia falar de política em lugares públicos (embora esse não fosse seu hábito), elogiava o sistema de saúde local e talvez tenha pensado em enriquecer. Regressou a Portugal porque a minha mãe não se dava bem com os subúrbios de Paris.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Durante muito tempo o meu pai sugeriu que Truman Capote era da família – tínhamos um tio-avô, de sobrenome Capote, que emigrara para Buenos Aires e depois para algum lugar nos Estados Unidos até que deixou de dar notícias. O meu pai acreditava que o espírito empreendedor e internacional da família tinha, por fim, apresentado resultados grandiosos: um escritor famoso sobre o qual até fizeram um filme com direito a Oscar de melhor actor.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vivi em Nova Iorque, Madrid e preparo-me para morar no Rio de Janeiro, mas só agora, muitos anos depois da estreia como emigrante, começo a perceber (a entranhar) uma evidência bem portuguesa – tão portuguesa como é chegar atrasado, desenrascar uma saída num momento de aflição ou ter a habilidade gentil de indicar o caminho certo ou a mesa de casa a um forasteiro. Essa evidência é muito antiga e perpetua-se em nós apesar dos fundos comunitários, dos multibancos e dos hipermercados. É uma evidência que se prolonga na História e se propaga no sangue, algo que se manifesta se ouvimos a voz de Amália no gira discos ou cheiramos as alfarrobeiras a sul ou se a garganta se aperta de tanta beleza numa esquina de luz lisboeta. Essa evidência é mais forte do que aqueles portugueses que a transportam pelo globo, mais importante que o legado da ditadura, a crise ou a globalização. Seja qual for a razão porque saímos deste país – amor, arreliação, aventura, desespero, disponibilidade para a vida – a verdade é que a vontade (ou a inevitabilidade) de partir é tão forte como a certeza que voltaremos um dia, mesmo que não seja para ficar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agosto de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-5532722776894262993?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/5532722776894262993/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=5532722776894262993' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/5532722776894262993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/5532722776894262993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/09/fado-da-partida.html' title='Fado da Partida'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-nGLjPhtjWGI/ToRhLqfinEI/AAAAAAAAAqk/8b_s7c9tRl0/s72-c/imigrantes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-2297574057466574183</id><published>2011-08-23T10:59:00.003+01:00</published><updated>2011-08-23T11:08:45.611+01:00</updated><title type='text'>O meu romance com um romance</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-nMu0C3CSHAc/TlN8JDmZkcI/AAAAAAAAApg/H2-dRfHdNtI/s1600/voar.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 133px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-nMu0C3CSHAc/TlN8JDmZkcI/AAAAAAAAApg/H2-dRfHdNtI/s200/voar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5643991253052395970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A dormência deste blog não se deve a férias de praia ou descanso do pessoal. Meti-me a escrever furiosamente o próximo romance e não há tempo ou força para muito mais coisas escritas. Mas regressarei em breve, após mudar-me para o Rio de Janeiro. Tenho a certeza que, assim que aterrar, terei muito sobre o que escrever aqui. Para compensar a minha preguiça blogueira, fica um excerto do romance, exclusivo, inédito e on the making.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até já&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relicário contra comunistas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verão que antecedeu a minha estreia na escola primária foi o mais quente da história. Digo isto com a mesma certeza com que o meu irmão garantiu, logo no mês de Julho, que nunca mais haveria aulas porque os soviéticos e os americanos estavam prestes a disparar mísseis nucleares. Então, o mundo seria igual aos filmes sobre a Terceira Guerra Mundial. Os sobreviventes deixariam de ter televisão, habitariam grutas subterrâneas e continuaria a haver gente má e alguns canibais, ditadores e banqueiros. Para agravar o pânico de ficar para sempre sem desenhos animados, o meu irmão explicou-me que o calor anormal, que matava pássaros na varanda e deixava a minha mãe tão aflita como um afogado, era prova da aproximação do apocalipse nuclear – a água das piscinas públicas desaparecera, o sol queimava como um ferro de engomar na pele, os cigarros dos adultos acendiam-se sem precisar de fósforos.&lt;br /&gt;	Nesse verão, passei muitas tardes na casa de uma vizinha do prédio – a Dona Helena, mãe do Ricardo, colega de turma do meu irmão, e da Susana, que, tendo nascido quatro anos antes de mim, ainda não usava a parte de cima do biquíni na praia. O Ricardo e o meu irmão saíam pelo bairro de bicicleta, faziam parte de uma tribo sénior e masculina que não me aceitava como membro – Susana também fora excluída, tinha os cromossomas errados e jamais conseguiria fazer um cavalinho em cima da bicicleta cor-de-rosa. No final do dia, o meu irmão contava-me como a cidade se preparava para o desastre da aniquilação quase total e aconselhava-me a encontrar um abrigo nuclear. Dizia-me: Já descobri um sítio com o Ricardo, mas não cabe lá mais ninguém."&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-2297574057466574183?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/2297574057466574183/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=2297574057466574183' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/2297574057466574183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/2297574057466574183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/08/o-meu-romance-com-um-romance.html' title='O meu romance com um romance'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-nMu0C3CSHAc/TlN8JDmZkcI/AAAAAAAAApg/H2-dRfHdNtI/s72-c/voar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-6954454373666992684</id><published>2011-07-25T09:42:00.002+01:00</published><updated>2011-07-25T09:49:59.524+01:00</updated><title type='text'>Não há nenhum consolo nem satisfação em ter dito: I told you so.</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/QSDS5_zrQss" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Crónica publicada Julho de 2010 no i)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dear miss Winehouse,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me contaram que tinhas sido internada outra vez, imaginei-te com um cachimbo de crack e um copo de gin, envolta numa nuvem cocainómana. Depois soube que tinha sido apenas um tropeção que resultou num corte acima do olho e num problema com as tuas novas mamas de cirurgia plástica. Não te escrevo como amigo (não nos conhecemos), nem como paizinho, aliás, dizes na canção “Rehab” que se o teu pai acha que estás bem não precisas de ser internada. Eu até concordo com o comediante Bill Hicks, que disse: “As drogas já nos deram muitas coisas boas. Se não acreditam, peguem nos vossos cds e queimem-nos, porque as pessoas que fizeram essas grandes músicas, que melhoraram as vossas vidas, estavam bastante drogadas.” Nem sequer estou preocupado que os miúdos se ponham a fumar cocaína por causa de ti – as pessoas não precisam de ídolos para se drogar, drogam-se porque querem. Mas fico aflito sempre que vejo que a droga raptou um ser humano e o substituiu por um farrapo de gente – acredita em mim, morreu-me um tio por causa da heroína. Não te peço que deixes para todo o sempre o copo de Tanqueray e alguma maluqueira tóxica. Mas ouve as palavras de outro comediante, George Carlin, cujo génio sobreviveu aos excessos: “As drogas podem ser maravilhosas, mas à medida que as consumimos, a parte do prazer diminui e aumenta a dor. Passa a ser apenas dor.” O que te quero dizer é: põe-te boa dessas costelas doridas e termina o disco que começaste a gravar. Depois, sim, podes festejar. Estraga-te um bocadinho mas, por favor, não te estragues para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-6954454373666992684?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/6954454373666992684/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=6954454373666992684' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6954454373666992684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6954454373666992684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/07/nao-ha-nenhum-consolo-nem-satisfacao-em.html' title='Não há nenhum consolo nem satisfação em ter dito: I told you so.'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/QSDS5_zrQss/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-7210506027809975954</id><published>2011-07-13T13:22:00.003+01:00</published><updated>2011-07-13T13:39:10.346+01:00</updated><title type='text'>Poliglidiota</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-na8IZsKm4fk/Th2R6ITiaCI/AAAAAAAAApY/xElfT2pd-AA/s1600/dicionario.jpeg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-na8IZsKm4fk/Th2R6ITiaCI/AAAAAAAAApY/xElfT2pd-AA/s200/dicionario.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628815537130858530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Escuta o que te digo&lt;br /&gt;aunque te parezca &lt;br /&gt;uma lenga lenga&lt;br /&gt;of lame, rusty, and &lt;br /&gt;cliché&lt;br /&gt;excuses&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento todas as palavras contigo&lt;br /&gt;para que te cuelgues en mi cuello&lt;br /&gt;like groupies do with rock stars&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ninfeta and slut e dona de casa&lt;br /&gt;fascinada e strastruck&lt;br /&gt;pelo brilhantismo das minhas línguas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;falo de sacanagem, versos sem roupa, humidade e umidade&lt;br /&gt;pero nada te convence&lt;br /&gt;nem gramática nem cunnillingus&lt;br /&gt;nem todo o latim malandro das cidades mais sacanas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dizes-me que entre nós não há acordo &lt;br /&gt;nem ortografia em sintonia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dizes:&lt;br /&gt;fuck you very much&lt;br /&gt;pendejo maricon&lt;br /&gt;babaca e filho da puta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só então percebo que, como tantos casais,&lt;br /&gt;temos problemas de comunicação&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-7210506027809975954?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/7210506027809975954/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=7210506027809975954' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7210506027809975954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7210506027809975954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/07/poliglidiota.html' title='Poliglidiota'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-na8IZsKm4fk/Th2R6ITiaCI/AAAAAAAAApY/xElfT2pd-AA/s72-c/dicionario.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-4537391993407911783</id><published>2011-07-13T13:20:00.002+01:00</published><updated>2011-07-13T13:20:39.591+01:00</updated><title type='text'>B.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-pwjUV48jEqo/Th2NkoEmbAI/AAAAAAAAApQ/9pjcqA4jamc/s1600/bruna.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-pwjUV48jEqo/Th2NkoEmbAI/AAAAAAAAApQ/9pjcqA4jamc/s200/bruna.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628810769654508546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era tão bela como bélica&lt;br /&gt;por vezes bruta com a boca&lt;br /&gt;balançava&lt;br /&gt;bonita&lt;br /&gt;(mas breve)&lt;br /&gt;na&lt;br /&gt;besta que&lt;br /&gt;eu fui&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois bazou&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-4537391993407911783?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/4537391993407911783/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=4537391993407911783' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4537391993407911783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4537391993407911783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/07/b.html' title='B.'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-pwjUV48jEqo/Th2NkoEmbAI/AAAAAAAAApQ/9pjcqA4jamc/s72-c/bruna.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-3614986340197284962</id><published>2011-07-06T12:27:00.002+01:00</published><updated>2011-07-06T12:30:37.811+01:00</updated><title type='text'>Dar-vos música</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-g0q2StiByxs/ThRHSpbwuuI/AAAAAAAAApI/jiUu52YSFIo/s1600/tsf2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 140px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-g0q2StiByxs/ThRHSpbwuuI/AAAAAAAAApI/jiUu52YSFIo/s200/tsf2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5626200220178103010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Esta é a minha play list, na TSF. Música, maestro: &lt;a href="http://www.tsf.pt/Programas/programa.aspx?content_id=918071&amp;audio_id=1895195"&gt;aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-3614986340197284962?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/3614986340197284962/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=3614986340197284962' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3614986340197284962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3614986340197284962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/07/dar-vos-musica.html' title='Dar-vos música'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-g0q2StiByxs/ThRHSpbwuuI/AAAAAAAAApI/jiUu52YSFIo/s72-c/tsf2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-716726582482980323</id><published>2011-07-06T11:57:00.004+01:00</published><updated>2011-07-06T12:00:47.535+01:00</updated><title type='text'>Coração de papel e tinta</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/g3wmKlYiwAM" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, não por minha vontade, deixei de escrever diariamente no i. Esta é a última crónica. Pode ser lida &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/134797-um-coracao-papel-e-tinta"&gt;aqui.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-716726582482980323?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/716726582482980323/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=716726582482980323' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/716726582482980323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/716726582482980323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/07/coracao-de-papel-e-tinta.html' title='Coração de papel e tinta'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/g3wmKlYiwAM/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-8994652747315675188</id><published>2011-07-04T11:47:00.003+01:00</published><updated>2011-07-04T11:52:15.031+01:00</updated><title type='text'>Para português ver</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-NzHYPDRuiII/ThGbWNrzK2I/AAAAAAAAApA/y4hKUKuzU1o/s1600/do-it-better-thumb.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 120px; height: 120px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-NzHYPDRuiII/ThGbWNrzK2I/AAAAAAAAApA/y4hKUKuzU1o/s200/do-it-better-thumb.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625448215495256930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando os navios ingleses começaram abordar os barcos portugueses, a fim de fiscalizar o tráfico de escravos, conta-se que as frotas lusitanas mandavam uma embarcação na frente, com mercadorias legais, para ludibriar os bifes. Assim terá nascido a expressão: "Para inglês ver." Os tempos mudaram e o inglês passou de agente fiscalizador a fazer parte do nosso dia-a-dia: palavras em conversas - cool, fashion, kinky -, nomes de discotecas - Silk - restaurantes - Guilty - ou ginásios - Envy. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler tudo, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/134297-para-portugues-ver"&gt;cliquem aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-8994652747315675188?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/8994652747315675188/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=8994652747315675188' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8994652747315675188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8994652747315675188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/07/para-portugues-ver.html' title='Para português ver'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-NzHYPDRuiII/ThGbWNrzK2I/AAAAAAAAApA/y4hKUKuzU1o/s72-c/do-it-better-thumb.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-1250712357310919841</id><published>2011-06-22T10:24:00.003+01:00</published><updated>2011-06-22T10:27:43.100+01:00</updated><title type='text'>Um dia especial</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-b6T-CVVZVts/TgG1hpe4pgI/AAAAAAAAAo4/i1REuIfdp2s/s1600/passos.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 112px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-b6T-CVVZVts/TgG1hpe4pgI/AAAAAAAAAo4/i1REuIfdp2s/s200/passos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5620973399610795522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"O primeiro dia deste governo podia ter sido contaminado pelas imagens daquele homem que, perdido e sozinho no hemiciclo, parecia um menino transferido de escola a meio do segundo período. Fernando Nobre, que passou de popular nas urnas presidenciais a impopular na campanha para as legislativas - até que foi empurrado para um canto do parlamento -, não resistiu nas notícias muito tempo. História contada, história empacotada. Havia holofotes para acender, câmaras para ligar, directos para fazer, ministros para apanhar a sair de casa. Quando um governo toma posse, para mais com tantos protagonistas novos, espalha-se nas ondas mediáticas e nos olhos dos telespectadores uma espécie de credulidade boa, de primeiro dia de escola, quando ainda não é preciso levar livros, fazer trabalhos de casa e os professores nos deixam sair mais cedo para recuperarmos amizades suspensas após meses de férias nas peladinhas do recreio da manhã."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler tudo, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/131954-um-dia-especial"&gt;clicar aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-1250712357310919841?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/1250712357310919841/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=1250712357310919841' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1250712357310919841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1250712357310919841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/um-dia-especial.html' title='Um dia especial'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-b6T-CVVZVts/TgG1hpe4pgI/AAAAAAAAAo4/i1REuIfdp2s/s72-c/passos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-5320813383098488879</id><published>2011-06-21T10:36:00.002+01:00</published><updated>2011-06-21T10:41:36.131+01:00</updated><title type='text'>Nesse corpo estreia o Verão</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-E5QfhcfdLN0/TgBnTcBu2TI/AAAAAAAAAow/3CVpS5AnTwk/s1600/Praia_Amado_Aljezur_h.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 133px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-E5QfhcfdLN0/TgBnTcBu2TI/AAAAAAAAAow/3CVpS5AnTwk/s200/Praia_Amado_Aljezur_h.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5620605918597011762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"É mais que geografia ou anatomia: a curva do teu ombro é também aquela curva perigosa da estrada para a praia, o cheiro do alcatrão melado misturando-se com a maresia, um pára-brisas coberto por insectos kamikaze, música tão alta que não se ouvia o motor. E a boca: comedora de Verões em cada ameixa chupada, lábios que bebiam refrescos pela garrafa, língua com língua no jogo do bate-pé."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais sobre o verão &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/131680-nesse-corpo-estreia-o-verao"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-5320813383098488879?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/5320813383098488879/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=5320813383098488879' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/5320813383098488879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/5320813383098488879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/nesse-corpo-estreia-o-verao.html' title='Nesse corpo estreia o Verão'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-E5QfhcfdLN0/TgBnTcBu2TI/AAAAAAAAAow/3CVpS5AnTwk/s72-c/Praia_Amado_Aljezur_h.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-3987601395147664557</id><published>2011-06-20T12:27:00.001+01:00</published><updated>2011-06-20T12:29:40.593+01:00</updated><title type='text'>Coisas rápidas que matam devagar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-MM6MfKukC50/Tf8vH61pAyI/AAAAAAAAAoo/cxhnIcSgu-8/s1600/metro.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 112px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-MM6MfKukC50/Tf8vH61pAyI/AAAAAAAAAoo/cxhnIcSgu-8/s200/metro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5620262673081500450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Há muita pressa e rebuliço nos nossos sistemas nervosos. Não chegou o metro e todos se levantam, uma manada de viajantes que entopem o caminho de quem quer sair das carruagens. São pequenos hábitos que nos controlam e nos corroem como uma carraça escondida na orelha."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler na íntegra, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/131448-coisas-rapidas-que-matam-devagar"&gt;cliquem aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-3987601395147664557?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/3987601395147664557/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=3987601395147664557' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3987601395147664557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3987601395147664557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/coisas-rapidas-que-matam-devagar.html' title='Coisas rápidas que matam devagar'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-MM6MfKukC50/Tf8vH61pAyI/AAAAAAAAAoo/cxhnIcSgu-8/s72-c/metro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-1499400415807734983</id><published>2011-06-19T10:47:00.002+01:00</published><updated>2011-06-19T10:52:34.584+01:00</updated><title type='text'>Crónica do suplemento LiV, publicada no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-XsAOeMwu0EM/Tf3G2siLgTI/AAAAAAAAAog/eWgW_glqZag/s1600/bar-urca_29661.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-XsAOeMwu0EM/Tf3G2siLgTI/AAAAAAAAAog/eWgW_glqZag/s200/bar-urca_29661.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5619866552998002994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cira, Regina e Nana*&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Ela era tão bonita que ensandecia a tropa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer descrição da beleza sexual de Cira resultará na confirmação da falta do meu talento literário. Mas Cira era um avião transgaláctico, um hard body ao natural, el pivón de todos los pivones (e qualquer coisa formidável em francês que é língua que desconheço). E a língua carioca de Cira, como era? Eu queria saber. Também queria descobrir o que ficava no lado de dentro daqueles vestidos, o precipício que resvalava das suas coxas, a erupção vulcânica dos mamilos que desprezavam a lei da gravidade. Cira fazia de mim este poeta do mau gosto erótico e dos lugares comuns da sua carne - lugares tão raros e difíceis de alcançar. &lt;br /&gt;Mas eu não era o único poeta atrás da musa da Urca. Muito menos o único homem a perceber a inevitabilidade da biologia nas virilhas quando ela passava, pedalando na bicicleta, voando cabelos, lançando perfume, encaixando como uma boca nas frases que eu considerava geniais: “Ela era um espectacular convite para fazer bebés”, in Slaughter House 5, de Kurt Vonnegut. &lt;br /&gt;Cira era para comer, devorar, engolir inteirinha.   &lt;br /&gt;Depois de semanas a beber cerveja naquele bar da Urca, contemplando o pedalar de Cira, fomos apresentados pelo dono do boteco: “Esse português é famoso no país dele. É artista. Você é actriz, não é Cira?” Eu era conhecido, sim, entre os meus familiares – célebre pela minha ausência. E de artista tinha apenas um passado como larápio da boa vontade dos meus pais, que me sustentaram durante um curso de actor, outro de realizador e um workshop de escrita criativa. Também me ajudavam com a renda do apartamento em Copacabana. Cira era mais ou menos actriz. Tinha feito umas fotos para um catálogo de roupas e um anúncio de TV. Mas protagonizava muitos filmes para adultos na minha cabeça.   &lt;br /&gt;Cira acreditou na minha fama. Eu acreditaria em qualquer coisa que ela dissesse: “Um amigo vai dar uma festinha num veleiro, aqui mesmo.” Márcio era filho de um general com barco ancorado na marina do quartel da Urca. Comprámos cervejas e vieram buscar-nos numa embarcação de borracha com motor. A festa tinha rapazes e garotas que, como eu, eram financiados por pai-trocínios e heranças de tias, todos eles comedores e fumadores de coisas vegetarianas. Falavam de sustentabilidade e lançavam pragas – não tinham cojones para atirar bombas – a todos os franchises que invadiam o Rio. Odiavam os riquinhos fashion week de São Paulo e tinham feito voluntariado na favela. Um queria ser músico (tinha um iPod), outro dizia ser escritor de romances no twitter, outra enrolava charros com a minúcia de uma criança asiática a coser ténis internacionais. &lt;br /&gt;Márcio era um vendedor de si mesmo, omnipresente no veleiro e no planeta – tinha estado com xamãs mexicanos e guerrilheiros do médio oriente. Escrevia, cantava, salvava espécies em vias de extinção. Tinha uma sunga apertada para salientar aquilo que não podia anunciar em voz alta no contínuo documentário ambulante que era a sua vida.  &lt;br /&gt;Cira não fazia parte daquela tripulação. Havia ali arroz com feijão em alguma parte do seu cabelo. E na bunda. Era isso, a bunda. Cira abria todas as portas, tinha uma bunda-mestra que lhe permitiria agradar em todo o lado, do Meat Packing District, bebericando cocktails pela mão de um vampiro de Wall Street ou friccionando coxas e mamas e bunda num baile funk com mais coca que farofa e tiros de AK 47 disparados em celebração de sua glória para o céu do Rio Janeiro.         &lt;br /&gt;Cira estava naquele veleiro porque todos – incluindo as garotas cada vez mais dengosas e dançarinas – queriam comê-la. &lt;br /&gt;Márcio ofereceu-se para ir comprar mais cerveja. Levou Cira consigo. Caiu a tarde, avançou a noite e Cira não regressava. Na última vez que a vi, os soldados do quartel ajudavam-na a subir para o cais. Márcio, sabendo que não regressaria ao veleiro do papai Bonaparte, caminhou ao lado daquele corpo para fazer bebés, a mão dele colada nas costas dela, escorrendo para a bunda, uma prova da sua vitória. Depois fez um adeuzinho para o barco.&lt;br /&gt;Eu fiquei longe da costa e dos flancos de Cira. Foi então que surgiu Regina com um baseado que parecia um archote: “Você conhece Fernando Pessoa?”&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Ela é a moça certa carregando aquela tocha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regina era daquelas maconheiras místicas que fala sem parar, enlaçando ideias que julga brilhantes, perdendo-se a meio de uma frase. Mal soube que eu era um escritor famoso não publicado, meteu-se a recitar Alberto Caeiro. &lt;br /&gt;Perguntei: “Conheces o trabalho do Luiz Pacheco?” &lt;br /&gt;“Oi?”&lt;br /&gt;“Acordou um triste dia/ Com uns cornos bem bonitos./ E perguntei à Cira/ porque me pôs os palitos.”&lt;br /&gt;“Esse Pacheco conhecia a Cira?”&lt;br /&gt;Porque não me apeteceu explicar que mudara o nome de Maria por Cira, porque Regina verbalizava para cacete, porque era poetisa e dramaturga, porque tinha boca de boa dicção e nenhum batom, fiz aquilo que em vulgus lusitanus se conhece como: saltar-lhe à boca. Ela seria o meu farol. &lt;br /&gt;Regina não aguentou os beijos de olhos fechados, as voltas e voltas que o fumo, as odes e a cerveja davam dentro da sua cabeça. Bastava olhar para ela para perceber que se sentia como a hélice de um helicóptero. Pediu licença, vomitou borda fora e foi dormir para uma das cabinas. E eu, sem acesso ao barco de borracha que Márcio deixara tão longe como Cira, ponderei saltar para a água e, caso soubesse nadar, ir chapinhando como uma criança amuada até casa. Queria fugir dali. Mas não há duas sem três. E existem tantas coisas melhores do que estar sozinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Não é por desmerecer nem dizer que a fila anda, mas agora vou falar do meu amor por Nana&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu bem supremo, mãe da minha prole por nascer, minha cama, meu nano e micro amor maior. Nana: minha salva-vidas, meu resgate aquático, sereia que se jogou para o mar quando caí borda fora por exageros alcoólicos, campeã da respiração boca-a-boca. O que tenho para dizer sobre ti vai muito além das minhas limitações com palavras. Mas prometo uma coisa. Se ao fim de quinze dias ainda estivermos juntos, mudas-te cá para casa e fazemos um filho. Eu deixo de ser escritor não publicado, paro de beijar artistas e de tentar apanhar aviões com bunda premiada, e arranjo um emprego. Que se dane a literatura. Eu só quero que o amor passe a ser um lugar-comum. Cansei de lugares raros e difíceis de alcançar. Cansei de amor de pau duro e poesia. Preciso de alguém que me salve de um naufrágio. Preciso de ti, Nana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Canção do músico brasileiro Lucas Santtana&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-1499400415807734983?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/1499400415807734983/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=1499400415807734983' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1499400415807734983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1499400415807734983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/cronica-do-suplemento-liv-publicada-no.html' title='Crónica do suplemento LiV, publicada no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-XsAOeMwu0EM/Tf3G2siLgTI/AAAAAAAAAog/eWgW_glqZag/s72-c/bar-urca_29661.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-8616279182605203668</id><published>2011-06-19T10:45:00.002+01:00</published><updated>2011-06-19T10:47:06.086+01:00</updated><title type='text'>A vingança da hortaliça</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-FZzc9NdiFwU/Tf3FkxV0y1I/AAAAAAAAAoY/6gWX6lZUrX0/s1600/MEGA-PIC-NIC-CONTINENTE-788006.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 120px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-FZzc9NdiFwU/Tf3FkxV0y1I/AAAAAAAAAoY/6gWX6lZUrX0/s200/MEGA-PIC-NIC-CONTINENTE-788006.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5619865145539087186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Quinta-feira, final de tarde e desço a Avenida da Liberdade. Faltam ainda dois dias para o mega, super, jumbo piquenique organizado pelo Continente, com concerto de Tony Carreira, e a avenida já está cortada. Nas laterais, os carros parecem tão parados como um aeroporto em greve. Vejo os condutores irritados ou derrotados como cães esquecidos no calor dos estofos. No centro da avenida (sem automóveis) estão os canteiros com vegetais, uma horta entre o Marquês e os Restauradores." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler o resto, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/131200-a-vinganca-da-hortalica"&gt;cliquem aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-8616279182605203668?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/8616279182605203668/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=8616279182605203668' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8616279182605203668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8616279182605203668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/vinganca-da-hortalica.html' title='A vingança da hortaliça'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-FZzc9NdiFwU/Tf3FkxV0y1I/AAAAAAAAAoY/6gWX6lZUrX0/s72-c/MEGA-PIC-NIC-CONTINENTE-788006.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-707762470081948799</id><published>2011-06-17T10:32:00.002+01:00</published><updated>2011-06-17T10:35:06.864+01:00</updated><title type='text'>Carta cândida aos apóstolos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-4DHZuuX2_30/TfsfxDsryxI/AAAAAAAAAoQ/-lOIWkZvRS4/s1600/portas.jpeg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 112px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-4DHZuuX2_30/TfsfxDsryxI/AAAAAAAAAoQ/-lOIWkZvRS4/s200/portas.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5619119887741602578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Senhor Pedro e senhor Paulo, nada disto tem a ver com o outro Senhor, falo-vos sobre as coisas de César, sobre a terra e o mar e as pessoas que habitam esta cave solarenga da Europa, cada vez mais ilha e menos península. Não quero um subsídio, cunhas ou sequer fazer reclamações. Tampouco peço milagres. Mantenhamos os pés no chão e falemos da terra, do mar e das pessoas que perderam a ilusão da harmonia com o resto do continente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler tudo, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/130877-carta-candida-aos-apostolos"&gt;cliquem aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-707762470081948799?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/707762470081948799/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=707762470081948799' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/707762470081948799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/707762470081948799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/carta-candida-aos-apostolos.html' title='Carta cândida aos apóstolos'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-4DHZuuX2_30/TfsfxDsryxI/AAAAAAAAAoQ/-lOIWkZvRS4/s72-c/portas.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-4226991635152234703</id><published>2011-06-16T11:04:00.002+01:00</published><updated>2011-06-16T11:06:59.548+01:00</updated><title type='text'>O rapaz secretário de Estado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-uBpm1FlpZkM/TfnVvQBAU7I/AAAAAAAAAoI/XHUdO15YWpM/s1600/office-furniture.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 133px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-uBpm1FlpZkM/TfnVvQBAU7I/AAAAAAAAAoI/XHUdO15YWpM/s200/office-furniture.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618757017851155378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Depois de tanto entrecosto em jantares comício e visitas a mercados e bandeiras a bater-lhe na cara, ele estava cada vez mais próximo. Tinha-se preparado ao longo dos anos, apertara a mão gosmenta de colegas de partido que, se pudessem, o punham a trabalhar numa portagem." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler na íntegra &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/130620-o-rapaz-secretario-estado"&gt;cliquem aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-4226991635152234703?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/4226991635152234703/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=4226991635152234703' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4226991635152234703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4226991635152234703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/o-rapaz-secretario-de-estado.html' title='O rapaz secretário de Estado'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-uBpm1FlpZkM/TfnVvQBAU7I/AAAAAAAAAoI/XHUdO15YWpM/s72-c/office-furniture.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-4476976874581095942</id><published>2011-06-15T11:31:00.002+01:00</published><updated>2011-06-15T11:35:07.119+01:00</updated><title type='text'>Lixo porco</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-DkW0nFicG2Q/TfiK0D4kM0I/AAAAAAAAAoA/OZDDZV9qor4/s1600/magazines460.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 130px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-DkW0nFicG2Q/TfiK0D4kM0I/AAAAAAAAAoA/OZDDZV9qor4/s200/magazines460.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618393162145084226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Por todo o país há esse lixo cheio de bactérias, despudor e mentira, comercializado em capas de revistas que gritam títulos imundos: "Sónia Brazão morte anunciada. Todos os pormenores do horror para sobreviver." Estas revistas defendem o direito ao jornalismo da emoção (?), como quem acena ao leitor com um acidente de carro na auto-estrada. E se o Cristiano Ronaldo passou, em algum momento da sua vida, nessa estrada, melhor ainda. Faz-se logo uma chamada de capa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler na totalidade &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/130319-lixo-porco"&gt;cliquem aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-4476976874581095942?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/4476976874581095942/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=4476976874581095942' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4476976874581095942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4476976874581095942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/lixo-porco.html' title='Lixo porco'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-DkW0nFicG2Q/TfiK0D4kM0I/AAAAAAAAAoA/OZDDZV9qor4/s72-c/magazines460.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-7805109482583355620</id><published>2011-06-14T13:51:00.002+01:00</published><updated>2011-06-14T13:54:27.468+01:00</updated><title type='text'>Ronha</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-eBHFLFm3oLU/TfdZ9b9ssCI/AAAAAAAAAnw/v6AlCM9x5fQ/s1600/index.jpeg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 133px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-eBHFLFm3oLU/TfdZ9b9ssCI/AAAAAAAAAnw/v6AlCM9x5fQ/s200/index.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618057972181413922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"O dicionário diz: “Ronha: espécie de sarna que ataca alguns animais. Doença prejudicial à produção do sal. Malícia, velhacaria.” Nada disso. Ronha é encontrar nova posição na cama, a baba escorrendo para a fronha, espreguiçar músculos e tendões que continuarão embrulhados nos lençóis como se num casulo, num regaço, num vaivém espacial."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler na totalidade &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/130100-ronha"&gt;cliquem aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-7805109482583355620?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/7805109482583355620/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=7805109482583355620' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7805109482583355620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7805109482583355620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/ronha.html' title='Ronha'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-eBHFLFm3oLU/TfdZ9b9ssCI/AAAAAAAAAnw/v6AlCM9x5fQ/s72-c/index.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-3471331692467211419</id><published>2011-06-14T11:33:00.002+01:00</published><updated>2011-06-14T11:36:31.982+01:00</updated><title type='text'>Samba do fado da ausência</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-1Z1IVwDBSfM/Tfc5paanHbI/AAAAAAAAAno/YyfQWv35qNI/s1600/De-folhas-secas-em-uma-rua-vazia-142242.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 147px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-1Z1IVwDBSfM/Tfc5paanHbI/AAAAAAAAAno/YyfQWv35qNI/s200/De-folhas-secas-em-uma-rua-vazia-142242.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618022443796340146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Quando ela não estava, o apartamento parecia mais arrumado, chato como uma noite de Junho que sabia a Fevereiro, janelas tremendo no caixilho, os chinelos dela ainda espalhados na sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ela não estava, ele dava-se conta de como tudo permanecia por tocar, incluindo o patético chapéu verde, que jamais usara na rua, mas que servira de adereço para o disparate matinal do riso - música a tocar bem alto, ele cantando e dançando de vassoura nas mãos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler na totalidade &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/129921-samba-do-fado-da-ausencia"&gt;cliquem aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-3471331692467211419?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/3471331692467211419/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=3471331692467211419' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3471331692467211419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3471331692467211419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/samba-do-fado-da-ausencia.html' title='Samba do fado da ausência'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-1Z1IVwDBSfM/Tfc5paanHbI/AAAAAAAAAno/YyfQWv35qNI/s72-c/De-folhas-secas-em-uma-rua-vazia-142242.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-8461818054077414693</id><published>2011-06-11T12:49:00.003+01:00</published><updated>2011-06-11T12:52:23.923+01:00</updated><title type='text'>Santo António de polpa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-yTP6a4ejdXA/TfNWpKZgabI/AAAAAAAAAng/l05AHCf4xLI/s1600/bica.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 112px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-yTP6a4ejdXA/TfNWpKZgabI/AAAAAAAAAng/l05AHCf4xLI/s200/bica.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5616928425427102130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Rogério de alfama era rapaz de boné de basebol, tinha tatuagens tribais e embora morasse no Beco da Bicha cantava fado vadio como quem anda ao estalo com um marinheiro. Dúvidas houvesse da masculinidade dos seus bíceps de ginásio, num abrir e fechar de pestana emprenhou Vanessa, filha da Maria da papelaria e do Albano que morreu num acidente enquanto emigrado em França. Vanessa tinha marchado pela Bica em anos anteriores, onde vivia com a mãe, traficante legal da coscuvilhice e da mentira em revistas cor-de-rosa - também vendia tabaco e material escolar. No apartamento da família, morava ainda um gato, dois canários e uma tia tão solteira como menopausica, que gostava de pombos e de estar à janela como se fosse um par de cuecas voyeurs no estendal."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler na totalidade &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/129729-santo-antonio-polpa"&gt;clicar aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustração de Tiago Albuquerque&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-8461818054077414693?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/8461818054077414693/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=8461818054077414693' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8461818054077414693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8461818054077414693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/santo-antonio-de-polpa.html' title='Santo António de polpa'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-yTP6a4ejdXA/TfNWpKZgabI/AAAAAAAAAng/l05AHCf4xLI/s72-c/bica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-2096285716237451025</id><published>2011-06-10T13:39:00.004+01:00</published><updated>2011-06-10T13:44:21.961+01:00</updated><title type='text'>Desliga, crónica no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-t97I9Xc-si4/TfIRWXdNEQI/AAAAAAAAAnY/ZGXRziAQSqs/s1600/Slow-Shutdown-Time.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 164px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-t97I9Xc-si4/TfIRWXdNEQI/AAAAAAAAAnY/ZGXRziAQSqs/s200/Slow-Shutdown-Time.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5616570761235730690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Tenta apagar parte da tua vida. Vê como se esvanecem as luzinhas histéricas e deixa de apitar a cada três minutos - no bolso das calças ou no portátil que está no teu colo enquanto espreitas a TV e zapas no comando como quem tecla um SMS com polegares de campeão da Playstation."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler na totalidade, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/129544-desliga"&gt;clicar aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-2096285716237451025?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/2096285716237451025/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=2096285716237451025' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/2096285716237451025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/2096285716237451025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/desliga-cronica-no-i.html' title='Desliga, crónica no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-t97I9Xc-si4/TfIRWXdNEQI/AAAAAAAAAnY/ZGXRziAQSqs/s72-c/Slow-Shutdown-Time.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-1929993822981220889</id><published>2011-06-09T10:51:00.003+01:00</published><updated>2011-06-09T10:56:40.243+01:00</updated><title type='text'>Pepino love story</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/X69n13xhbO8" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;"Juanjo, de Sevilha, estava em Madrid para acampar na Puerta del Sol e contestar a democracia, o desemprego, os bancos. Monica, de Berlim, estava em Madrid para romancear a vida, ver Picassos, Sorollas, Mirós e encher a cara de tintos de verano em esplanadas anticrise."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler no totalidade é só &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/129255-pepino-love-story"&gt;clicar aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-1929993822981220889?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/1929993822981220889/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=1929993822981220889' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1929993822981220889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1929993822981220889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/pepino-love-story.html' title='Pepino love story'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/X69n13xhbO8/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-3591006312070769494</id><published>2011-06-08T17:31:00.002+01:00</published><updated>2011-06-08T17:52:30.652+01:00</updated><title type='text'>Sou da casquinha do ovo</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/JNN4ObNsdT8" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LX trepa com RJ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;serás tardes no arpoador&lt;br /&gt;com a ternura faladora da maconha e mergulhos&lt;br /&gt;acrobáticos &lt;br /&gt;voos de menino lisboeta&lt;br /&gt;no mar carioca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;serás todo corpo e coração de cavaquinho&lt;br /&gt;suando na Lapa e flutuando dentro&lt;br /&gt;de um táxi &lt;br /&gt;de copacabana ao humaitá&lt;br /&gt;a floresta colada na tua roupa&lt;br /&gt;outras bocas&lt;br /&gt;tantas bocas e a mesma língua   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;serás mais amigo e mais pé descalço&lt;br /&gt;mais melodia assobiada e anca de menina&lt;br /&gt;serás coisas boas e porres doces&lt;br /&gt;fruta espremida e novos livros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;serás mais tu &lt;br /&gt;quando as luzes se acenderem no Vidigal&lt;br /&gt;e a rádio tocar Carinhoso&lt;br /&gt;teu coração batendo feliz sabendo porquê&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e serás menino moleque criança transatlântica&lt;br /&gt;um só coração&lt;br /&gt;duas moradas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-3591006312070769494?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/3591006312070769494/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=3591006312070769494' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3591006312070769494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3591006312070769494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/sou-da-casquinha-do-ovo.html' title='Sou da casquinha do ovo'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/JNN4ObNsdT8/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-8605461104655874468</id><published>2011-06-08T11:04:00.003+01:00</published><updated>2011-06-08T11:17:40.557+01:00</updated><title type='text'>Partida, lagarta, fugida</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-07I9AkphimQ/Te9MA-lGbTI/AAhttp://www.blogger.com/img/blank.gifAAAAAAAnI/6L1UG43o7RY/s1600/san_juan_bridge_diving.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 132px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-07I9AkphimQ/Te9MA-lGbTI/AAAAAAAAAnI/6L1UG43o7RY/s200/san_juan_bridge_diving.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615790840036617522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bastava apenas o maravilhoso engenho que era o teu corpo sem dores adultas nas costas ou a efervescência da ansiedade impedindo o sono, obrigando-te a acender mais um cigarro. Bastavam os teus braços como torpedos rasgando as ondas, nem o frio te preocupava, dedos amachucados com papel manteiga (para ler na totalidade &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/129014-partida-lagarta-fugida"&gt;cliquem aqui&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-8605461104655874468?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/8605461104655874468/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=8605461104655874468' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8605461104655874468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8605461104655874468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/partida-lagarta-fugida.html' title='Partida, lagarta, fugida'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-07I9AkphimQ/Te9MA-lGbTI/AAAAAAAAAnI/6L1UG43o7RY/s72-c/san_juan_bridge_diving.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-513720824038963250</id><published>2011-06-06T19:10:00.002+01:00</published><updated>2011-06-06T19:12:34.641+01:00</updated><title type='text'>Summer Love Overheated</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-0QdVlpzzzmo/Te0YgQoN4zI/AAAAAAAAAnA/BVxlStUW_cE/s1600/junot_diaz1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 193px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-0QdVlpzzzmo/Te0YgQoN4zI/AAAAAAAAAnA/BVxlStUW_cE/s200/junot_diaz1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615171252899406642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(texto de Junot Diaz, um dos meus escritores favoritos, publicado em 2008 na GQ)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Of course I loved her. Isn’t that how all these stories are supposed to begin? She was from Amsterdam, black Dominican mother, white Dutch father. I called her my chabine because that’s what she looked like; only her lips and hair kept from passing completely, from pulling a Jean Toomer. The ass she had, my fucking God, it was supersonic, which is to say she couldn’t walk past a group of straight men without pulling out the shingles or shattering the panes of their conversation.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;She was about the most exotic Dominican woman I’d ever met (that’s the kind of shit that matters to you when you are in your twenties), and the classiest. She spoke Spanish and could dance bachata, but she’d grown up in the farthest spiral reaches of the diaspora, in Delft, Vermeer’s old stomping ground. Was smart, too; could speak four other languages, had traveled all over the world, and could tell a story like you and I could tell a lie. She was finishing her thesis on Dominican women’s identity, but what she really wanted to do was write children’s stories. She wanted to be the next Road Dahl. Every now and then, especially when she was excited, she would forget articles and miscongugate her verbs. She’d pick up her camera and say, I want to make picture. I found it incredibly endearing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It wasn’t hard to love her. She was funny and she was sexy (she moved like something only recently evicted from the ocean, an undine or a Nereid), and best of all, she loved me. Loved me so much she’d broken off a three-year engagement after the first time we kissed. (Could have been the second time. You know how these things are.) She said she’d never met anybody as alive as I was or as smart, and every time we fucked, I was shaken, absolutely shaken, and because I was a fatalist at my core, I had dreams, nearly every week, in which I lost her.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The shit should have been perfect, perfect, except for the fact that I was basically nuts. I was depressed, experienced alarming mood swings, and suffered from what a psychologist called baseline irritability (which meant I could go from zero to violent in 2.2 seconds). And to top it all off, I wasn’t writing, and wouldn’t for nearly six years. Took that shit out on everybody around me. Especially her.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;She wasn’t perfect, either. She was a fiend for male attention, would have flirted at the pope’s funeral, and she could throw a plate with the best of them. But in the final analysis, the banana-ness was mostly mine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Some relationships snap like bones; others go into long, byzantine declines. Ours was the latter. I was doing something good, followed by something real stupid. I would surprise her at her job in Holland, show up with my suitcase and expensive gifts, and then at her graduation, in front of her whole family, I would attack some poor homeless guy who made a swipe at the flowers I’d bought her. And yet no matter how crazy I acted, I had this unshakable, adamantine conviction that things could work out, and something of my feverish delusions passed on to her. The crap she tolerated of me, I can’t think about it without wanting to laugh. I mean, I’d treated plenty of chicks a lot worse, but I actually cared about Amelia, in my own way, and had I been saner and less self-destructive we probably could have worked.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Or is that just the nostalgia talking?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anyway, something about where we each were in our lives, something about the wildness of our relationship, something about our weakness—we were kind of trapped in each other. God knows for how long we lingered in our half-lives if not for the shit I’m about to tell you about. I have friends who were in miserable relationships for eight, nine years. I honestly believe we could have been one of them, trapped in “love” like bugs in amber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;So check it: I’d blown it again, another stupid something, and I was in Amsterdam, trying to make amends. We’d been arguing and fussing and of course fucking like crazy, and in the end she decided that we should have a Special Day. She wanted to take me to her favorite park, to her favorite lake, to sit on her favorite bench and find, with luck, some kind of absolution. I was all for a Special Day. Sounds like a fucking plan, I said.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We had to ride about an hour out of Central Station into the country and then hike quite a bit to reach her Special Place. What I remember is how optimistic she was and how long and thin her torso was, how I had this irresistible urge to bite her. Took us an hour and twenty minutes to get to where we were supposed to be which was pretty enough. Forsythias everywhere. At any point in the journey, we could have stopped to tie a shoe or buy a soda and things might have worked out different for us. But like they say in all the fantasy books, you can’t avoid your Destiny.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We sat down on the bench looking out over a lake, the only people in the park, it seemed, but before we could even say “start the reconciliation,” this outdoorsy white dude bounded out of nowhere and in front of us started throwing a stick in the water for his two dogs. The bigger dog, a spaniel, would jump into the water and bring the stick back before the poor smaller dog could even get five feet out from the shore. This happened a couple of times; the smaller dog would start paddling back and then the stick would fly over its head, so of course it would dutifully turn around and start swimming back out toward the stick only to be beaten to it by the spaniel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;After about five of these throws, the white guy was satisfied, and he and his big dog started to walk away, leaving the little dog struggling in the water. I was the only one who noticed the poor fuck go under. Your dog, I told the guy. Fate would have it that he was the lone motherfucker in Holland who didn’t speak English. What is it? my girlfriend asked me. His dog is drowning, I screamed, and that’s when she cried to him in Dutch and the dude, giving out an anguished cry, jumped right into the lake. Brought his dog out in no time at all. My girl was saying, Dios mio. The little guy, some kind of beagle mix, could have been under for more than ten seconds, but he was dead as fuck. Eyes glassy and everything, the color of old smoke, water pouring out his nose holes. White Boy tried to blow air into the little guy’s lungs, tried squeezing his ribs and holding him upside down, but the perrito was dead. White Boy said something to us, miserable, and the girlfriend translated. It’s not even his dog. It was his girlfriend’s. He was just taking it out for a walk.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Right there, my girl burst into tears.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Well that was it for our Special day. That was it for my reconciliation trip. That was it for our relationship.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;For the next couple of years, as I slipped deeper into depression and she met other guys and started appearing on Dutch TV, I would occasionally blame that fucking dog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Of course I did.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-513720824038963250?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/513720824038963250/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=513720824038963250' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/513720824038963250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/513720824038963250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/summer-love-overheated.html' title='Summer Love Overheated'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-0QdVlpzzzmo/Te0YgQoN4zI/AAAAAAAAAnA/BVxlStUW_cE/s72-c/junot_diaz1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-3527685631444485661</id><published>2011-06-06T14:22:00.001+01:00</published><updated>2011-06-06T14:22:33.620+01:00</updated><title type='text'>Enquanto houver estrada para andar</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/-ahDFcBOQQM" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-3527685631444485661?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/3527685631444485661/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=3527685631444485661' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3527685631444485661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3527685631444485661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/enquanto-houver-estrada-para-andar.html' title='Enquanto houver estrada para andar'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/-ahDFcBOQQM/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-7640932882799920690</id><published>2011-06-05T22:28:00.005+01:00</published><updated>2011-06-08T17:31:40.170+01:00</updated><title type='text'>Um bom dia para um casamento, publicado no jornal i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-oYLZiqYy4Ic/Tev1fxeiDOI/AAAAAAAAAm4/5nbAc14lcF8/s1600/father-son-walking.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 125px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-oYLZiqYy4Ic/Tev1fxeiDOI/AAAAAAAAAm4/5nbAc14lcF8/s200/father-son-walking.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614851286653603042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A viagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eram pequenas coisas que se tornavam enormes: ele a conduzir e o pai ao lado, ele a ajudar o pai a entrar no carro por causa de uma dor nas costas, ele com o total controlo da rota, o silêncio entre os dois, não uma ausência de palavras, o silêncio. Pela primeira vez o silêncio. Crescer era isso – não apenas pagar contas, ser apanhado a conduzir com os reflexos inundados em gin ou nadar para fora de pé sem braçadeiras. Crescer, ser adulto, era aquilo: ir ao funeral da mãe do seu pai, a sua avó, tratar da papelada, ser mais pragmático diante do corpo que um médico em cenário de guerra. Havia muita coisa para fazer. Ser adulto era falar com a senhora das flores. Ser adulto era ouvir na voz do pai a sua voz de menino, frases rotas pelos soluços, as lágrimas escorrendo na garganta. Ele era adulto, o pai era velho. Ele já não era o menino do seu pai. &lt;br /&gt;O pai tinha-lhe dito, ao telefone, “A minha mãe morreu, a avó morreu”, e naquelas palavras revisitou o seu próprio choro quando entregava um teste com negativa ou se tinha perdido numa praça de Badajoz ou quando o irmão lhe batia – ou quando o irmão não lhe batia e ele fingia-se saco da pancada, íman das atenções da casa, o filho mais novo.&lt;br /&gt;Pararam várias vezes no caminho. O pai tinha a próstata danificada, demorava-se em frente aos urinóis das estações de serviço enquanto ele lia os jornais, as revistas, as legendas das páginas duplas com mulheres lambidas pelo Photoshop. Comprava chocolates mas ambicionava cigarros. Não fumava diante do pai. Nunca fumaria diante do pai depois de ter sido apanhado, no sétimo ano, com um maço escondido na gaveta das meias, denunciado pela empregada que também lhe apanhara material pornográfico. Os cigarros eram pior. Nunca se falaria de masturbação naquela casa, mas o tabaco era meio caminho andado para as ganzas, a heroína, a desgraça de uma família com as pratas roubadas. Não fumava diante do pai, não falavam de política, não trocavam ideias sobre temas que acabassem em semanas sem um telefonema. &lt;br /&gt;Encostado ao carro, viu o pai, que saía da casa de banho, a braguilha aberta, os olhos procurando um lugar seguro, tal e qual a criança perdida em Badajoz. O pai, naquela estação de serviço, avançando medrosamente para um funeral, era o mesmo homem que, depois de confiscado o tabaco, lhe tinha atirado o maço à cabeça. O pai era forte e ambicioso e arrependia-se sempre que largava um estalo. O pai precisava agora de comprimidos para dormir e tinha os olhos tão vermelhos como uma tarde subaquática na piscina. &lt;br /&gt;Entraram no carro, ele não acendeu a rádio. Não era estranho o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Serás terra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Era um dia lindo para um casamento. O céu não tinha um farrapo de nuvens e havia pássaros. Iam a pé até ao cemitério, o pai sem dizer nada, caminhando atrás da carrinha funerária, atrás da sua mãe, encolhida por tantos anos de vida, dentro de um caixão. No final, quando a demência tudo confundia na linha cronológica das sinapses da avó, ela só reconhecia o seu filho. Não o filho com filhos, dores na próstata e três casamentos. O filho dela, pequeno, o filho carente de coisas doces, o miúdo incapaz de perceber que a mãe seria enterrada num dia lindo para se fazer um casamento. &lt;br /&gt;O pai não falou no caminho para o cemitério, mas ele ouvia a sua voz como se equipado com auscultadores de museu. Na visita guiada, o pai repetia o que lhe contara há muitos anos, quando por ali passaram num verão: &lt;br /&gt;“Esta foi a casa onde nasci.”     &lt;br /&gt;“O teu avô pôs um baloiço naquele sobreiro.”&lt;br /&gt;Ele analisou as mulheres no cortejo. Só uma prima em segundo grau o cativou. Depois olhou para os pés dela e ficou manso. Sentiu-se aliviado. Não queria filmes nem filhos vítimas da consanguinidade. Olhou outra vez para os pés dela. Queria ter a certeza que não era aquilo que precisava. Ouviu a voz do pai nos auscultadores da infância:&lt;br /&gt;“Devia vir cá mais vezes.”&lt;br /&gt;“Tens a genica do teu avô.”   &lt;br /&gt;Cruzaram os corredores de sepulturas. Como fazia sempre que estava num cemitério, pôs-se a contabilizar a longevidade das vidas dos mortos: Justino Gomes (1956-98), Bernardina Ramalho (1910-78), Domingos Lourenço (1976-77). Ele sabia que todos os humanos faziam esse jogo nos cemitérios, esse exercício de perspectiva, como quando estamos debaixo de um céu estrelado ou nas ruínas de uma civilização muito antiga. &lt;br /&gt;Há anos que o pai comprara, naquele cemitério, um pedaço de descanso eterno com jardim privado e cheiro a ciprestes. Estava lá o avô, estava lá o buraco que seria a campa de mármore da avó. Fez contas de cabeça para saber a idade do avô. Nos auscultadores ouviu:&lt;br /&gt;“O teu avô fumava e bebia muito.”&lt;br /&gt;“Eu nunca quis fazer mal a ninguém.”&lt;br /&gt;“A minha mãe morreu.”&lt;br /&gt;Porque tinha estado em vários funerais, ele sabia do apogeu dramático do caixão a descer ao fundo da cova. Segurou o pai pelos ombros, beijou-lhe a cara, não disse nada. Não fosse o choro do pai, que era também o seu choro de menino, tudo seria outra vez silêncio. Ele não chorou. Ele era o pai e o pai era o filho.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Regresso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nessa noite dormiram num hotel na cidade mais próxima. A prima em segundo grau também. No bar, porque sabia dos poderes libertadores das bebidas espirituosas, ele pediu apenas um copo de vinho, enquanto ela sorvia Baileys com gelo em cálice largo e falava de uma série de televisão com médicos e do preço do aparelho para os dentes da filha. Ser adulto era ver ficção americana no pequeno ecrã e endireitar aquilo que nasceu torto por causa dos nossos genes. Ser adulto era ir para o quarto sozinho. &lt;br /&gt;Ela disse: “Devíamos ver-nos mais vezes, nem sequer tenho o teu número.” Por via das dúvidas, ele olhou para os pés dela. Disse: “Vou dormir, o meu pai não anda bem.”&lt;br /&gt;Escovou os dentes, apagou a luz e atreveu-se na escuridão, as pupilas aumentando, procurando os objectos, o seu pai deitado numa das camas. Dobrou-se sobre aquele corpo. Tentou ouvir a respiração. Não lhe tocou. Lembrou-se como, juntamente com o irmão mais velho, fingia que a cama era uma nave espacial. Entre os lençóis, disse baixinho: “Vamos levantar voo.” Não demorou muito a adormecer.&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, dentro do carro, outra vez o silêncio. Entregou o pai na casa onde crescera. Ali seria sempre mais filho do que pai, mesmo quando tivesse crianças e elas saltassem para a piscina e houvesse festas de aniversário e Natais que seriam outros Natais. &lt;br /&gt;O pai disse: “Não queres entrar?”&lt;br /&gt;E ele voltou a ser o filho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-7640932882799920690?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/7640932882799920690/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=7640932882799920690' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7640932882799920690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7640932882799920690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/06/um-bom-dia-para-um-casamento-publicado.html' title='Um bom dia para um casamento, publicado no jornal i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-oYLZiqYy4Ic/Tev1fxeiDOI/AAAAAAAAAm4/5nbAc14lcF8/s72-c/father-son-walking.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-1447905473109148099</id><published>2011-05-28T11:35:00.002+01:00</published><updated>2011-05-28T11:42:39.306+01:00</updated><title type='text'>O teu cheiro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-gw-rFmRrvOw/TeDReF1egeI/AAAAAAAAAms/v2TTC7mGaZk/s1600/Jardimbotnico4.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-gw-rFmRrvOw/TeDReF1egeI/AAAAAAAAAms/v2TTC7mGaZk/s200/Jardimbotnico4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611715450596393442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;És toda partículas que se espalham pela casa, és toda moléculas de pele que pairam como bandos de pássaros numa casa de janelas abertas para a cidade das palmeiras, dos jacarandás, das árvores que conspiram para plagiar o teu cheiro. Escuta como digo: o teu cheiro. Está nos vincos da almofada que te marcam a cara quando dormes toda a manhã, está nas meias coloridas e nas pastilhas elásticas que deixas nos recantos do quarto, está nas mãos que não se cansam de te apertar. O teu cheiro: milhões de partículas que se despegam desses lugares em ti, do cabelo molhado quando sais do banho e um rádio toca alto na sala, das mãos escrevendo bilhetes com caligrafia de carta antiga, da curva do pescoço que serve de casa, de templo, de falésia ao resto do teu corpo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há outra maneira de o dizer: farejo-te como um bicho, o nariz imitando os dedos, deslizando pela tua pele como um peregrino ou um caçador. O teu cheiro: infinitos fragmentos de ti, o teu código genético, tudo aquilo que já foste - mergulhos na praia Grande, mortais de ginasta, sobrancelhas levantadas pela curiosidade de perceber e viver tudo o que te rodeia. O teu cheiro, ainda o teu cheiro. Se te toco altera-se, se acordas é outra coisa, se te vais embora fica por aqui, balançando todo o dia como uma cama de rede num alpendre. O teu cheiro: tantos e tantos pedaços de ti que respiro agora mesmo, suaves estilhaços que pousam nos pulmões e entram na circulação sanguínea, instalando-se em cada célula, forrando o lado interior do coração. O teu cheiro és tu a pulsar dentro de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-1447905473109148099?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/1447905473109148099/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=1447905473109148099' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1447905473109148099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1447905473109148099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/05/es-toda-particulas-que-se-espalham-pela.html' title='O teu cheiro'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-gw-rFmRrvOw/TeDReF1egeI/AAAAAAAAAms/v2TTC7mGaZk/s72-c/Jardimbotnico4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-1909787722686104696</id><published>2011-05-27T12:28:00.007+01:00</published><updated>2011-05-27T17:54:20.408+01:00</updated><title type='text'>Relatos masculinos sobre mulheres estereotipadas, publicado no jornal i</title><content type='html'>&lt;iframe width="560" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/9ZFrX5VsauU" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Diogo e a cock teaser&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ela era loira e magra e muito beta. Mas também era tão gira que passei um mês a dar-lhe boleias, a escrever bilhetinhos e a cortejá-la com jantares e apontamentos da faculdade e presentes originais que ela, tenho agora a certeza, achava inúteis. Os seus cabelos manipulavam-me como se eu fosse um golfinho amestrado, sempre pronto para a salvar. Eu escondia o meu tesão, escondia a minha natureza. Ela não ia dar-me nada que estivesse além da fronteira da roupa. Repara, não era pudica, de certeza que havia quem lhe pusesse as mãos nas mamas. Mas eu era o microondas, a volta de aquecimento, caindo no seu jogo de vai-vem, o anda cá agora que preciso de tua atenção, artolas, e toma lá um inunendo sexual para continuares na minha órbita, ou um bater de pestanas que queria dizer: sei que vais para casa brincar com o teu corpo como se fosse um jogo de flippers enquanto pensas na minha boca que comia um cornetto pago por ti.   &lt;br /&gt;Já reparaste que não há uma palavra, em português, para classificar as mulheres que provocam mas não dão nada? Os espanhóis têm “calienta pollas”, os franceses dizem “rôtisseuse”, os anglo-saxónicos dispõem de “cockteaser”. Faz-nos falta uma palavra assim na nossa língua, alguma coisa que nos avisasse da existência perigosa destas mulheres que nos têm presos pelas partes baixas.   &lt;br /&gt;No fundo, sabia o que ela estava a fazer. Sabemos sempre. Um dia fomos lanchar e ela começou a falar-me de outro gajo. Declarou-me o seu amor por um beto mais giro, mais alto e que a desejava menos do que eu. &lt;br /&gt;Podia dizer que isto aconteceu porque eu era um miúdo. Mas não. Eu caí então como caio agora, ainda hoje, com esta idade, porque sigo a incontornável lei biológica que mantém viva a espécie: espalha a semente. Parece-te um disparate? Então como explicas que mesmo conhecendo a existência destas mulheres tantos homens se enfiem contra a parede, uma e outra vez, qual carrinho (mal) telecomandado? Meu amigo, o predador desata a correr ainda que saiba que a presa é mais rápida e engenhosa. Uns chamam-lhe estupidez. Eu sou apenas um escravo estúpido do sangue animal que herdei.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pedro e a papa-hóstias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eu estava no Rio de Janeiro de férias, estavas lá comigo, Hugo, conheces a história tão bem como eu. Mas está bem, eu falo disso: nós com um apartamento ao lado da casa de meninas mais famosa da cidade, perto da praia com corpos resplandecentes de bronze e possibilidades, as nossas amigas cariocas giras na cabeça e sem teias de aranha na moral, mas calha-me uma miúda que, sempre que passávamos diante de uma igreja, se benzia e dava um beijinho no Cristo de prata no fio ao pescoço. Numa noite pós jantar/chopp/passeio na praia, lá nos beijámos à porta do prédio dela (vivia com os pais). Eu arrisquei uma mão na bunda, e a mão dela, manipulada pelos ensinamentos do senhor padre, rapidamente me pôs na linha. &lt;br /&gt;Já viste como a religião escavacou a sexualidade das mulheres? E dos homens? Mas com as mulheres é pior. Na doutrina clerical bafienta, as mulheres ou são putas – Maria Madalena – ou são santas – Maria imaculada mãe de Cristo. Devassa ou virgem mãe – por mais bizarro que seja a ideia de uma mãe com o hímen intacto. Faz algum sentido? Não tem que fazer, é religião, essa forma burocrática que a superstição encontrou para parecer mais legítima e chamar-se religião. E depois foram séculos a destruir a auto-estima feminina, a constante tentativa de controlar as pessoas, cintos de castidade, uma campanha de medo e castigo, a ameaça definitiva em jeito de exortação: cuida do templo que é o teu corpo, os homens vão tentar abusar de ti e poluir a tua pureza, ama apenas o Senhor e não os senhores que te convidam para jantar. Caso contrário és uma quenga que arderá no inferno da fornicação eterna – e serás escorraçada por nós, queimada, excluída, achincalhada em praça pública. Um banqueiro tem mais hipóteses de entrar no Paraíso que uma mãe solteira com três one night stands na sua carreira de cama. &lt;br /&gt;No último dia no Rio, ela quis levar-me a passear. Sabes onde fomos, não sabes? Lá a cima, mais perto do Céu, onde vive o Cristo Redentor de braços abertos sobre o assombro que é aquela cidade onde todos se comem – menos eu e a papa-hóstias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Rodrigo e a mulher casada &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O sexo era tão bom que os vizinhos acendiam um cigarro. Ela estava em forma, quase não se percebia a cicatriz da cesariana e a hora de almoço sempre foi das minhas preferidas para foder (podes escrever foder, no jornal? Se puderes, melhor, porque aquilo não era fazer amor). Ela chegava a minha casa, fumávamos uma ganza, ela trazia sempre um Cd novo, punha a música a tocar e comíamos japonês, bebíamos cerveja gelada, ela dizia: “Vou almoçar-te”. Minutos depois estávamos na cama, a transpiração arrefecida por causa das janelas abertas para a luz da cidade. No final, cada um caía para seu lado da cama, pensando coisas muito diferentes, o coração a bater numa veia do pescoço, o fôlego recuperado aos poucos, uma espécie de trip com levitação. &lt;br /&gt;Regressados à realidade, dizíamos umas piadas, ela tomava um duche e eu fumava um cigarro a olhar os jacarandás da rua. Ela nunca se demorava. Eu gostava disso. Era muito bom, muito cinemático, e até durou um par de meses. Mas havia coisas que me faziam perder o equilíbrio sobre a corda. Mais que uma vez ela atendeu o telefone para falar com o marido. Nós dois nus, o lençol tão desarrumado que se via parte do colchão, uma caixa de preservativos no soalho e ela, “Baixa a música”, antes de atender, enquanto se cobria com uma almofada. &lt;br /&gt;Então eu tentava ficar longe, mas por vezes ouvia a voz do marido, coisas sobre familiares e cartões de crédito e miúdos para apanhar na escola. Na última vez que ela entrou lá em casa o telefone tocou quando, entre as suas coxas, eu parecia um crocodilo camuflado, instantes antes do ataque. Sentei-me na cama e ela atendeu. Ouvi um dos filhos perguntar: “Mãe, onde estão os patins em linha?” &lt;br /&gt;Eu sei que tu és um libertário armado ao libertino e mais não sei quê, mas aquilo atirou-me ao chão. Não te rias, ela podia ser a tua mãe. Pois. E até aposto que não metes isto no jornal.&lt;br /&gt;Só mais uma coisa: tem cuidado quando te puseres a reduzir as mulheres a conceitos, como se fosses um publicitário. Funciona muito bem numa página de jornal ou no teu facebook. Mas na vida, na cama, no mano-a-mano que são estas coisas, nada nunca é tão simples como queres que pareça nas tuas histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;PS - Após a publicação deste texto, recebi um email de um leitor tão engraçado como pertinente. Transcrevo parte desse email, pela importante informação contém: "Talvez&lt;br /&gt;por ser uma pessoa com "tendência" para passar por situações semelhantes àquela que o Diogo descreve, há muito que aprendi a classificar essas mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"ESTICA-PIÇAS"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou o criador da expressão. Ouvi-a pela primeira vez&lt;br /&gt;numa discussão de amigas quando uma delas acusava a outra de ser uma&lt;br /&gt;"estica-piças". Acho que o seu amigo Diogo ficará feliz por conhecer este vocábulo."&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-1909787722686104696?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/1909787722686104696/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=1909787722686104696' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1909787722686104696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1909787722686104696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/05/relatos-masculinos-sobre-mulheres.html' title='Relatos masculinos sobre mulheres estereotipadas, publicado no jornal i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/9ZFrX5VsauU/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-2317141954227128824</id><published>2011-05-21T10:21:00.002+01:00</published><updated>2011-05-21T10:25:04.333+01:00</updated><title type='text'>Palavra (En)cantada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-o9zacXbMLB0/TdeE5hS0INI/AAAAAAAAAmk/3wmquSBg9Pg/s1600/chico.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-o9zacXbMLB0/TdeE5hS0INI/AAAAAAAAAmk/3wmquSBg9Pg/s200/chico.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5609097984637935826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não percam este documentário sobre a música brasileira, passa manhã, domingo, na RTP2, às 15h00, com a participação de Chico Buarque, Maria Bethânia, Adriana Calcanhotto, Lenine e muitos mais. E &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/124671-marcio-debellian-um-brasileiro-pode-estar-na-amazonia-mas-vai-ter-um-radiozinho-pilhas"&gt;aqui fica uma entrevista no jornal i&lt;/a&gt;, que fiz ao autor e guionista do filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-2317141954227128824?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/2317141954227128824/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=2317141954227128824' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/2317141954227128824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/2317141954227128824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/05/palavra-encantada_21.html' title='Palavra (En)cantada'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-o9zacXbMLB0/TdeE5hS0INI/AAAAAAAAAmk/3wmquSBg9Pg/s72-c/chico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-8281973635451024441</id><published>2011-05-20T10:30:00.003+01:00</published><updated>2011-05-20T10:32:56.443+01:00</updated><title type='text'>Bolas de Berlim na praia e melão na varanda, publicado no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-8TJoUKA1uaI/TdY1RJKTIxI/AAAAAAAAAmc/emzKFVVJ6sA/s1600/bola%2Bde%2Bberlim%2Bna%2Bpraia.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-8TJoUKA1uaI/TdY1RJKTIxI/AAAAAAAAAmc/emzKFVVJ6sA/s200/bola%2Bde%2Bberlim%2Bna%2Bpraia.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608728954569696018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Proust e sua madalena&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Pergunte-se a um chefe de cozinha que menu escolheria para última refeição antes de ir desta para pior e quase todos incluirão um ou mais sabores da infância. &lt;br /&gt;Pergunte-se a um daqueles cientistas que investigam cérebros sobre os artifícios da memória, e quase todos dirão que é mais fácil guardar uma recordação marcada pelos sentidos do que é decorar um número de telefone, essa sequência desinteressante de algarismos sem memórias de uma cara lambuzada de fruta com o mar ao fundo e os pés descalços. &lt;br /&gt;Pergunte-se ao fantasma de Proust sobre os contributos de uma madalena mergulhada no chá para a ciência das viagens no tempo, e ele responderá com sete volumes.&lt;br /&gt;Há no nosso sangue rabanadas de Natal com cheiro a lareira e irmãos em pijama, há o espanto do primeiro caracol na língua, há rissóis de camarão que a vizinha do 2º Esquerdo vendia para fora. &lt;br /&gt;Nós somos aquilo que já comemos.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O anjo de chapeuzinho branco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ele tinha cara de irmão Metralha – quantos fósforos acendeu na lixa da barba? – e óculos espessos como as lentes de um telescópio. Usava sandálias de cabedal sobre meias turcas. Tinha o cheiro do suor e do vinho e, no entanto, era um anjo branco que marchava sobre a areia, distribuindo milagres a troco de moedas, cantando com voz de taberna o mais belo dos pregões: “Eeeeh boli Berlim, olha a bolinha quentinha.” &lt;br /&gt;Esqueçam os perdigueiros de caça e os poderes Jedi e o sentido de aranha de Peter Parker. Ouvia o chamamento do anjo branco ainda ele estava a sair da padaria. Podia estar a meio de uma competição de carreirinhas, mas sabia perfeitamente quando é que o anjo trocava o seu chapeuzinho de marinheiro pelo capacete e montava a moto com atrelado onde transportava, numa cesta, o tesouro de açúcar. Ele metia o pé na areia da praia e eu tornava-me tão rápido como uma falsa partida, disparava praia fora, saltando sobre bifas com pele de churrasco, desinteressado do topless estrangeiro, galopando para o chapéu-de-sol onde a minha mãe começava a fazer contas – “Para ti, para o teu irmão, para o teu primo, e compra mais duas para os filhos da São.” &lt;br /&gt;Mãe, como é que podias atrasar dessa maneira adulta e preocupada toda a urgência que eu tinha no corpo? Claro que me davas as moedas – lenta na execução, mas davas – e já tinha um atraso para os outros miúdos em corrida. Mas eu era rápido como o metabolismo de um hamster. Lá ia, miúdo bala, no encalço do loirinho que tinha uma prancha de skimming e acesso às revistas pornográficas do pai; pela minha esquerda apresentava-se a ameaça de uma gazela algarvia ainda sem maminhas que um dia me chamou “lisboeta escarreta” durante um jogo de apanhada. Mesmo a meu lado, tentando ganhar posição, vinha o gordo que ia ao banho de T-shirt e que se limitou a ficar para trás, comendo a areia largada pela rapidez das minhas pernas. &lt;br /&gt;Nem sempre chegava em primeiro. Por vezes, o anjo branco já tinha aberto a cesta, começando a distribuir os milagres.&lt;br /&gt;Regressava ao chapéu-de-sol depois de entregar as moedas, caminhando como um cowboy depois de salvar mais uma cidade dos bandidos. Comia a primeira bola de Berlim antes de chegar ao chapéu-de-sol. Guardava a segunda para mais tarde, quando toda a praia celebrasse a minha glória de campeão de carreirinhas.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sobre a hierarquia familiar das refeições&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não havia naquela casa de Verão regras austeras para o comportamento à mesa. Não se lambiam facas nem se arrotava, é verdade, mas havia quem comesse em tronco nu, quem pusesse música no rádio em cima do frigorífico, quem me ameaçasse com uma sequela do Alien: “Se engulires um caroço de cereja [degluti vários], cresce-te uma árvore na barriga.” Naquela casa não havia protocolos diplomáticos na hora do almoço. Mas ninguém se sentava à mesa antes que o meu avô chegasse.&lt;br /&gt;Era fácil saber quando ele se aproximava – outra vez os meus super poderes. Da longa varanda do segundo andar – andei lá de patins – ou do terraço mais acima – andei lá num carrinho Fórmula 1 a pedais – podíamos vê-lo chegar, o boné na cabeça transpirada, os seus pés pesados e a barriga de melancia subindo as escadas de mármore, uma melodia que nos punha em sobressalto.   &lt;br /&gt;Mesmo sem super poderes, os adultos também podiam antecipar a chegada do meu avô. Onde quer que ele fosse, ia a assobiar: fados, marchas e mais fados. O seu assobio era motivo de plágio por parte dos canários, habitantes amarelos da gaiola que todas as noites a minha avó cobria com um pano como quem aconchega os netos na cama. &lt;br /&gt;O meu avô, além de alto e grande e com mãos de Hulk, tinha o atributo de saber tudo sobre a qualidade da fruta. Ele apertava um melão, cheirava um pêssego, via uns morangos de esguelha e tinha uma sentença em poucos segundos. Nenhum vendedor de melão casca de carvalho ou nêsperas, à beira da estrada, conseguiu passar-lhe a perna. &lt;br /&gt;Os miúdos comiam na varanda, numa mesa desmontável. Os grandes almoçavam na cozinha. Mas a circulação era livre entre as mesas. E havia sempre fruta. Mas não era fruta impingida, não nos sentíamos prisioneiros molestados como acontecia quando nos serviam fígado. Nós comíamos fruta com o (quase) entusiasmo de quem trinca o chocolate de um Perna de Pau. &lt;br /&gt;O meu avô sabia que uma melancia de seis quilos – “A maior e melhor que lá havia” – tinha em nós o efeito de um um cão com duas cabeças. Queríamos a maior melancia, o pêssego que parecia uma toranja, as bananas que serviriam de sabre de Sandokan em duelos à mesa. &lt;br /&gt;Mais que o número de circo da melancia gigante, o que se entranhou em nós foi a colher a entrar na meloa cortada ao meio – “Metade para ti, metade para o teu irmão” –, o sabor vermelho das cerejas, a frescura aquática da melancia, o queixo a pingar pêssego, os gomos das tangerinas fazendo a vez de barcos que naufragavam nas nossas bocas, a perfeição das talhadas de melão quando o meu avô pegava na faca e produzia cubos de felicidade tão fria que magoava os dentes. &lt;br /&gt;Proust, espero que não me leves a mal estar aqui a falar dos poderes mágicos da comida sem ter lido um volume sequer da tua obra-mestra. Mas acabei de comer uma bola de Berlim numa tarde de primavera que me pareceu de verão. O resto do dia, passei-o a assobiar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-8281973635451024441?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/8281973635451024441/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=8281973635451024441' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8281973635451024441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8281973635451024441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/05/bolas-de-berlim-na-praia-e-melao-na.html' title='Bolas de Berlim na praia e melão na varanda, publicado no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-8TJoUKA1uaI/TdY1RJKTIxI/AAAAAAAAAmc/emzKFVVJ6sA/s72-c/bola%2Bde%2Bberlim%2Bna%2Bpraia.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-9207832141247162864</id><published>2011-05-19T11:59:00.000+01:00</published><updated>2011-05-19T12:00:22.030+01:00</updated><title type='text'>Palavra (En)cantada</title><content type='html'>Não percam este documentário e ficarão a perceber porque as letras namoram tão bem com as músicas no Brasil.  Passa na RTP 2, no domingo, às 15h00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/Qh5DpDTI6K4" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-9207832141247162864?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/9207832141247162864/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=9207832141247162864' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/9207832141247162864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/9207832141247162864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/05/palavra-encantada.html' title='Palavra (En)cantada'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/Qh5DpDTI6K4/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-3607164410143978250</id><published>2011-05-14T12:18:00.003+01:00</published><updated>2011-05-14T12:21:57.756+01:00</updated><title type='text'>Relicário de um homem solteiro, crónica semanal no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-9b98hgMrTZY/Tc5lu7qGGOI/AAAAAAAAAmU/2XRT3iwuJLY/s1600/20110404GFSHugoGoncalves051.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 134px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-9b98hgMrTZY/Tc5lu7qGGOI/AAAAAAAAAmU/2XRT3iwuJLY/s200/20110404GFSHugoGoncalves051.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5606530443085486306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Retrato possível do cérebro do escritor enquanto (mais ou menos) jovem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Parece masturbação mas não é&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Não estou aqui para enganar ninguém. Este texto tem o centro no meu umbigo, é sobre mim, fala da pessoa que aqui escreve. Será, como já se percebeu, redundante. Mas não saiam já da sala, ainda que isto possa parecer um teatro de vaidades estranhas. Fiquem mais um bocadinho e aproveitem a viagem no comboio fantasma do parque de diversões para freaks e desadaptados que, por vezes, pode ser o cérebro deste narrador que vos fala.&lt;br /&gt;Talvez a origem desta crónica sirva para diminuir a gravidade do meu exibicionismo: quero escrever sobre o prazer orgásmico de uma ideia. Não se falará aqui de onanismo, mas do deleite do processo criativo de quem escreve. Imaginem-se a marcar um golo, a beijar a boca de alguém por quem estão apaixonados desde o jardim infantil, a ganhar um campeonato de tango, a saltar da prancha mais alta, a entrar na igreja em dia de casamento – basta de imagens estilizadas antes que isto se torne num anúncio televisivo de cerveja. O que quero dizer é isto: dá um prazer do camandro agarrar uma ideia, ver como cresce em poucos minutos ou ao longo de semanas, e depois a explosão, a chave para a última porta fechada, o tal momento Eureka, um shot de qualquer coisa que podia ser bourbon e cocaína e intravenoso de cacau. É tão bom. Ilumina o dia, torna-me mais simpático, mais como gostaria de ser.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Uma história&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Passei o dia com senhas na mão, conferindo o número no papel (A124) e no quadro electrónico (A198) – em repartições, nos correios, na Loja do Cidadão, no talho do supermercado. Foi um desses dias de papéis fotocopiados, assinaturas e salas de espera. Não havia nada activo no território criativo da minha cabeça. Eu era o robot programado para desempenhar as mais aborrecidas tarefas no mundo da realidade. No final do dia, chegado a casa, abri as janelas para forçar a chegada do Verão. Não fazia calor mas a luz suavizava os telhados na outra colina, uma palmeira ao longe pareceu-me mais tropical que um coqueiro de catálogo turístico.&lt;br /&gt;Sentei-me ao computador e descobri que o meu pai se estreara no Facebook e queria ser meu amigo. Não quis sequer reflectir sobre a estranheza de imaginar o meu pai a clicar em Likes, a comentar vídeos, a mandar-me despejar o lixo com um post no meu mural. Mas assim que vi um álbum que dizia “Tropa” e outro “Amigos”, com fotografias a preto e branco, escancarou-se em meu redor a armadura de robot dos recados, e acenderam-se todos os pirilampos que habitam o caótico mundo da imaginação intra-craniana.&lt;br /&gt;Eu não via aquelas fotos há anos. Rapazes mais novos que eu, uns putos charilas com cigarros de malandro, sentados em jipes, a fazer poses de galã de cinema. O meu pai num campo pelado com o resto da equipa da Torre muito antes da tropa. O Russo que tinha caparro de Conan o Bárbaro sem recurso a esteróides. Os jeans apertados, os polegares nos bolsos, as popas meladas e inspiradas nos actores que apareciam no ecrã gigante do cinema São José.            &lt;br /&gt;Eu já não estava nesta casa, não estava sequer nas histórias que o meu pai me contou e cujos protagonistas apareciam em fotografias digitalizadas e colocadas numa rede social. Desta vez foi rápido (mas intenso). De repente tinha a génese de uma história – uma crónica? Um conto? Um livro? Não me podia distrair, quando estas ideias aparecem como um espasmo, um ataque de coração, uma epifania, tenho de concentrar-me, andar de um lado para o outro, meter os pirilampos em combustão máxima.&lt;br /&gt;E a história foi-se construindo, tomei notas e recorri a outro truque – como se fosse um treino específico para bolas paradas. Quando tenho uma ideia que me entusiasma muito, telefono a pessoas que têm paciência para me ouvir, e conto-lhes a história. O acto de contar a história – como se conta a um amigo algo que nos aconteceu no emprego – e o acto de verbalizar uma coisa abstracta que até então apenas existiu nas sinapses ou em pequenos apontamentos, permitem-me ganhar músculo, preencher lacunas, acrescentar pormenores. É como ir ao ginásio. E aos poucos, como se fosse possível acelerar o processo de crescimento, uma ideia recém-nascida já tem o buço de um adolescente.&lt;br /&gt;Não interessa aqui contar qual a história que construi nesse dia. O que importa é o espanto que sinto sempre que isto acontece, como se pudesse repetir o assombro de uma criança quando anda de moto ou toca na língua de um cão ou pisa a areia da praia pela primeira vez. É sempre bom. É sempre empolgante.&lt;br /&gt;Não posso ser mais exacto quanto ao aparecimento de uma ideia. Há coisas que nem eu percebo. Mas posso dizer que, por vezes, só é preciso uma fotografia de um pai, uma frase graffitada na parede, uma mulher na esplanada, uma janela sobre a cidade para que, de repente, tudo aquilo que se acumulou nas traseiras do coração e da cabeça, se precipite para a sala de controlo da minha vida a fim de activar e telecomandar os pirilampos em chamas.     &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Como nossos pais&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Quando sou arrebatado por uma ideia, depois de repeti-la ao telefone, de tirar notas, há um momento em que a história não aceita mais atenção ou trabalho. Tenho de voltar mais tarde. Por isso, decido celebrar. São coisas pequenas. Fumar um cigarro, sentar-me na praça a apreciar as pessoas, beber cerveja com amigos. Desta vez foi música. Quando falava ao telefone da tal história que aparecera enquanto via fotografias antigas, a minha interlocutora disse, já no final da conversa: “Somos como os nossos pais”, e as sinapses trouxeram de imediato a canção de Elis Regina: “Como nossos pais.” Esse seria o título da história. Desliguei o telefone e fiz algo que não fazia há muito tempo. Fechei as portadas do quarto, pus a música a tocar, deitei-me na cama, apaguei a luz e ouvi a música, uma e outra vez. Ouvi mesmo, com atenção a todas as palavras, ao baixo, à bateria espalhando-se no diafragma, ao poder da voz fumada e vivida e filha da mãe de Elis Regina.&lt;br /&gt;Perdoem-me o exibicionismo. A minha motivação é, palavra de honra, cândida e infantil. Neste tempo de anúncios apocalípticos, em que nos sentimos contaminados pela mentira, pelo desperdício de oportunidades, pelo desgoverno das almas, eu só queria partilhar uma coisa pequena mas que me faz muito feliz. Talvez isso me sirva de atenuante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-3607164410143978250?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/3607164410143978250/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=3607164410143978250' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3607164410143978250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3607164410143978250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/05/relicario-de-um-homem-solteiro-cronica_14.html' title='Relicário de um homem solteiro, crónica semanal no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-9b98hgMrTZY/Tc5lu7qGGOI/AAAAAAAAAmU/2XRT3iwuJLY/s72-c/20110404GFSHugoGoncalves051.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-3685050218788255278</id><published>2011-05-14T12:17:00.003+01:00</published><updated>2011-05-14T12:18:44.624+01:00</updated><title type='text'>Pentelho, pentelhinho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-Q7KxUUfD3rs/Tc5k8JSkxuI/AAAAAAAAAmM/sTrAIvbQpC0/s1600/1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 125px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-Q7KxUUfD3rs/Tc5k8JSkxuI/AAAAAAAAAmM/sTrAIvbQpC0/s200/1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5606529570571601634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O país, Catroga e a importância de um pentelho, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/123185-sobre-importancia-um-pentelho"&gt;crónica no i&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-3685050218788255278?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/3685050218788255278/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=3685050218788255278' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3685050218788255278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3685050218788255278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/05/pentelho-pentelhinho.html' title='Pentelho, pentelhinho'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Q7KxUUfD3rs/Tc5k8JSkxuI/AAAAAAAAAmM/sTrAIvbQpC0/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-7713718401171353944</id><published>2011-05-10T12:45:00.003+01:00</published><updated>2011-05-10T12:47:33.928+01:00</updated><title type='text'>Dias da rádio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-BqGpq8r1D4Q/Tcklzq-aQZI/AAAAAAAAAmE/WD4Gr28oVFc/s1600/18012011014.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-BqGpq8r1D4Q/Tcklzq-aQZI/AAAAAAAAAmE/WD4Gr28oVFc/s200/18012011014.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5605052780878905746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://tv1.rtp.pt/programas-rtp/index.php?e_id=&amp;c_id=1&amp;dif=radio&amp;p_id=3476"&gt;Entrevista, no Hotel Babilónia, Antena 1&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-7713718401171353944?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/7713718401171353944/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=7713718401171353944' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7713718401171353944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7713718401171353944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/05/dias-da-radio.html' title='Dias da rádio'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-BqGpq8r1D4Q/Tcklzq-aQZI/AAAAAAAAAmE/WD4Gr28oVFc/s72-c/18012011014.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-8962122011954334602</id><published>2011-05-09T15:26:00.005+01:00</published><updated>2011-05-09T15:44:04.721+01:00</updated><title type='text'>Relicário de um homem solteiro, crónica semanal no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-hNWGwdEe1yw/Tcf7GGMWHxI/AAAAAAAAAl8/lfflVR0yDqk/s1600/nyc.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 151px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-hNWGwdEe1yw/Tcf7GGMWHxI/AAAAAAAAAl8/lfflVR0yDqk/s200/nyc.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604724343446052626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mulheres sem nome em Nova Iorque&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jersey City &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tinha acabado de chegar, moreno como um mouro, a barba por fazer, escura e cerrada, e as torres tinham caído há três semanas. Estava a viver em Jersey City, a meia hora de Nova Iorque. Entre a minha casa e a estação de comboios, passava todos os dias pelo prédio onde viveram os terroristas do primeiro ataque ao World Trade Center, em 1993. Jersey City tinha lixo na rua, os corredores do supermercado guatemalteco pareciam os corredores do hotel do “Shining” em versão centro americana, e não havia nada para fazer a partir das oito da noite.  &lt;br /&gt;Sentia-me estrangeiro. Tinha sotaque, olhava para mapas e procurava o nome das ruas em placas, não percebia a necessidade das sanduíches que pareciam majestosas catedrais da abundância e dos ataques de coração. Não processava o nome de produtos como “I can’t belive it’s not butter”. Não gostava dos polícias nem dos soldados de metralhadora que protegiam o sul de Manhattan nem da mulher que vendia bilhetes de metro e que, sem conseguir perceber a minha pergunta, me tratou como se eu tivesse sarna. Ela era negra e apeteceu-me falar-lhe da luta pelos direitos civis. Eu tinha direito de estar ali. Mas não consegui eloquência nem coragem para sermões. Meti a cauda de imigrante entre as pernas e senti a estranheza de não fazer parte, de não pertencer.&lt;br /&gt;Vivia no primeiro andar de uma casa de madeira. No piso térreo morava uma mulher alta, cabelo grisalho, magra, com uma sala cheia de caixas de cartão. Nunca entrei, mas por vezes falávamos na ombreira da porta. E um dia, ela, que era negra e crescera no sul dos Estados Unidos, contou-me como uma mulher branca lhe cuspiu na cara, castigando-a por ser uma criança negra que se sentara num banco exclusivo para brancos. &lt;br /&gt;Não me lembro do nome da minha vizinha. Tenho pena. Por causa dela senti-me menos estrangeiro. O meu desconforto, nas primeiras semanas naquele país, era muito mais insegurança de menino que estigma xenófobo. Tinha de ganhar juízo, olhar para aquela mulher a quem tinham cuspido na cara, tirar-lhe o chapéu. Pouco tempo depois mudei-me, por fim, para Manhattan. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sway with me&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Tinham passado uns quantos meses e comecei a trabalhar num restaurante. Numa noite de segunda-feira, depois de acabar o turno, cansado, a cheirar a vapores da cozinha, pronto para adormecer no sofá enquanto via má televisão, saí para a rua e lá estava G. – um cliente do restaurante onde eu trabalhava, milionário excêntrico (se fosse pobre seria louco), que um dia me apanhou a ler um livro de Sade e reapareceu mais tarde com as fotografias e o menu do jantar, que tinha organizado em sua casa, em homenagem às obras do fornicador e filósofo francês. Eu estava na companhia de outro empregado de mesa, Frederico, um brasileiro de São Paulo, que cedeu ao encanto de G. quando este disse: “Venham comigo ao Sway, a segunda-feira é a melhor noite. Pago-vos uns copos”.&lt;br /&gt;Sway: discoteca pequena com mesas cheias de pessoas que me pareceram bonitas – estava sóbrio, tinha critério. Sway: uma espécie de speak easy para gente com dinheiro que gosta de bas-fond – músicos, chefes de cozinha, senhores que usam gravata de dia e t-shirts esgaçadas de noite, mulheres que iniciam conversas, que pagam bebidas e que são entusiastas do sexo oral.   &lt;br /&gt;G. arranjou uma mesa e apresentou-nos ao grupo. Uma das miúdas, estrangeira como eu, ficou a meu lado e, segundos depois de nos apresentarmos com um aperto de mão, estávamos a beber shots. Eu estava indeciso – ir para casa descansar ou continuar? Precisava de tempo, de ver o que a minha cara me dizia no espelho. Informei-a: “I’m going to the little boys’ room”. Ela respondeu: “Do you want company?”&lt;br /&gt;Nessa noite perdi uma luva, vi o rio Hudson num jardim num sétimo andar, acordei numa casa que não era a minha. Regressei ao meu micro apartamento de manhã, quando as pessoas iam para o emprego. O pequeno-almoço soube-me tão bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Stand clear of the closing doors please&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Ela entrou na estação 86th Street e sentou-se à minha frente. Não havia muita gente na carruagem e ela não esperou, começando a falar como se nos conhecêssemos do liceu. Estava sem casa, tinha de ir buscar as suas coisas ao apartamento de um amigo, ia a uma festa vestida de cantora pop dos anos 80: “Madonna rules”, e apontou para o seu kit da noite – uns trapos estranhos e sujos, uma mistura de folhos com luvas sem dedos. &lt;br /&gt;Ela era polaca e tinha sotaque como eu. Também me pareceu louca (se fosse rica era excêntrica). Depois pareceu-me apenas perdida, com as unhas sujas e o cabelo oleoso: “Tenho fome, não me podes ajudar com alguma coisa?” Saímos do metro para a superfície. Fomos a um restaurante de hamburguers e ela pediu um menu económico. Não falámos muito e despedimo-nos no passeio. Ela insinuou-se, chegou perto, depois sentiu vergonha quando a tratei como a familiar acabada de chegar à grande cidade. Ela percebeu que eu tinha pena. Foi-se embora zangada.  &lt;br /&gt;Voltei a vê-la uma semana mais tarde, na mesma estação. Passou por mim com a mesma roupa e a mesma mochila. Não me reconheceu. Nunca cheguei a perguntar-lhe como se chamava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Expect the unexpected&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Em Nova Iorque a pessoas cruzam-se, tocam-se, indagam quem são os outros habitantes da Babilónia. Falei com gente sem nome enquanto esperava na passadeira pelo sinal verde ou no conforto do café com leite e jornal de domingo nalgum coffee shop. Primeiro a cidade oprime, mostra que somos apenas mais um entre milhares e milhares – uma centopeia de ambições que todos os dias se agita, criando uma efervescência de ideias e negócios e grandiosas histórias de amor, de sucesso e de desgraça. Mas depois a cidade ensina-nos a ser mais disponíveis, a perceber a quantidade de histórias que acontecem a todo o momento, e andamos mais curiosos, queremos conhecer quem viaja a nosso lado no metro, saímos de casa a pensar que qualquer improvável coisa pode acontecer. Nova Iorque enlaça-nos pela garganta, obriga-nos a viver. &lt;br /&gt;Cheguei a Jersey City a sentir-me estrangeiro e saí de Manhattan, anos mais tarde, seguro de que pertenceria para sempre àquela cidade. Nova Iorque é agora como uma mulher sem nome. Há anos que não a vejo, que não falo com ela. No entanto, sei que se nos sentássemos na mesma carruagem de metro, se nos cruzássemos nas escadas do prédio, se dormíssemos juntos na primeira noite, retomaríamos a conversa onde a deixámos, disponíveis para a vida, prontos a ser parte do enredo, prontos para tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-8962122011954334602?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/8962122011954334602/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=8962122011954334602' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8962122011954334602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8962122011954334602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/05/relicario-de-um-homem-solteiro-cronica_09.html' title='Relicário de um homem solteiro, crónica semanal no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-hNWGwdEe1yw/Tcf7GGMWHxI/AAAAAAAAAl8/lfflVR0yDqk/s72-c/nyc.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-6356688712107053173</id><published>2011-05-06T15:39:00.001+01:00</published><updated>2011-05-06T15:41:06.400+01:00</updated><title type='text'>Feira do Livro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-v1q6GPf5Sns/TcQIZ45yTOI/AAAAAAAAAl0/O9_36Nd588U/s1600/HugoGoncalves-frente.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 136px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-v1q6GPf5Sns/TcQIZ45yTOI/AAAAAAAAAl0/O9_36Nd588U/s200/HugoGoncalves-frente.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603613077220248802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estarei na feira do livro de Lisboa, amanhã, pelas 16h30, e no domingo a partir das 18h00. Na pior da hipóteses bebem-se umas survias. Apareçam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-6356688712107053173?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/6356688712107053173/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=6356688712107053173' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6356688712107053173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6356688712107053173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/05/feira-do-livro.html' title='Feira do Livro'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-v1q6GPf5Sns/TcQIZ45yTOI/AAAAAAAAAl0/O9_36Nd588U/s72-c/HugoGoncalves-frente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-4996618277983090097</id><published>2011-05-02T17:29:00.002+01:00</published><updated>2011-05-02T17:39:36.874+01:00</updated><title type='text'>Relicário de um homem solteiro, crónica semanal no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-bKtj3GFNTkE/Tb7eOCnpWgI/AAAAAAAAAls/-3rpUo7yJ74/s1600/maradona3.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 134px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-bKtj3GFNTkE/Tb7eOCnpWgI/AAAAAAAAAls/-3rpUo7yJ74/s200/maradona3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602159319298169346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dois contra dois com balizas pequenas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“O futebol é a recuperação semanal da infância”&lt;br /&gt;Javier Marías&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Há qualquer coisa que se desmancha quando percebemos que, caso se tivesse concretizado o sonho de sermos jogadores de futebol, estaríamos agora no final da carreira ou nos primeiros anos da reforma. Olhamos para os atletas em campo e, fossemos nós jogadores da nossa equipa favorita, estaríamos no banco, seríamos o decano do plantel que entra a cinco minutos do fim para ser aplaudido. Mesmo que joguemos com amigos em campos de relva sintética uma vez por semana, há qualquer coisa que se desvanece no ego futebolístico quando percebemos que a nossa carreira imaginária – com golos na final do Mundial e, pelo menos, uma Bota de Ouro – chegou ao fim. &lt;br /&gt;Sabemos que jamais poderemos reviver as tardes no alcatrão da rua, com pedras ou mochilas a servir de balizas, bolas defeituosas que desapareciam no quintal de algum vizinho maldisposto, o corpo incansável durante tardes inteiras – mais uma finta, mais um sprint, mais um corte de carrinho e os joelhos raspados. Perdemos o fulgor dos jogos na praia, com os pés doridos e as pernas pesadas na areia molhada da maré baixa, quando um golo de calcanhar, num “muda aos três acaba aos seis”, fechava o encontro e autorizava os corpos cansados e quentes a esfaquear as ondas. Será difícil experimentar outra vez a vergonha de falhar um penalti, o desespero de pontapear lama nos pelados em manhãs de chuva ou a ansiedade no dia antes do jogo, a preocupação com o equipamento, as caneleiras e as meias e a camisola, o nosso número nas costas.&lt;br /&gt;Não voltaremos ao recreio da manhã onde se jogava aos centros, ao torneio de futebol de salão onde estragámos um joelho, ao descontrolo dos gritos e da corrida sem destino certo quando se marcava um golo num clássico entre escolas rivais.  &lt;br /&gt;Mas temos outras coisas. Coisas que não se despegam de nós por mais anos que passem e os tornozelos não aguentem mais que três toques na bola e o coração entupido impeça que vejamos os jogos importantes do nosso clube. Sabem do que falo. Conversas com amigos sobre o penalti falhado do Veloso, o empenho canino de Jaime Magalhães, as fintas fotocópia do Paneira, o golo bala de Figo contra a Inglaterra no Euro 2000 – qualquer coisa que resgate da memória factos dispensáveis mas tão importantes. Não sabemos como armazenamos dados e pormenores de histórias que aconteceram há tanto tempo – Platini a beijar a bola antes do penalti em 86, Chalana a partir a loiça em 84, Zidane a mostrar o seu futebol matrix slow motion em 98. &lt;br /&gt;Resgatamos, com os amigos, informações e recordações de jogos do Euro de 88 como quem troca cromos – aquele golo de Van Basten, sem ângulo, tão espantoso como um quadro de museu ou a estreia no território dos soutiens desapertados. Esta é a nossa forma de comunicarmos. O nosso passado em comum – como aquela noite de chuva torrencial em que andámos de moto e comemos numa pizzaria do Estoril e quase houve porrada entre amigos: Sporting 3 – Benfica 6.   &lt;br /&gt;Mas aquilo que temos é mais do que a compilação de factos e histórias, é um impulso que precisa de ser satisfeito. Por exemplo, se descemos a rua e reparamos num café onde passa futebol, olhamos para a televisão tentando encontrar o resultado no canto do ecrã. Gostamos de entrar num táxi a meio de um relato e ficar atentos enquanto não chegamos ao restaurante. E quando chegamos a casa, depois de um dia cruel trabalho, prontos para comer o que seja e aterrar onde seja, se por acaso percebemos que vão passar os resumos da Liga dos Campeões, perdemos o sono por, pelo menos, meia hora. &lt;br /&gt;Talvez seja a pulsão de regressarmos ao tal lugar onde fomos felizes – a bola no pé direito, uma tabelinha, outra vez em mim, remate cruzado ao ângulo, a pulsação a galopar em todos os músculos. Esse lugar onde nada mais importava que a bola, sem contas para pagar, sem medo das feridas por fora e por dentro do corpo, e com a certeza que um dia jogaríamos na Luz, em Alvalade, na Antas, no Maracanã.&lt;br /&gt;É um impulso ainda mais incontrolável se temos uma bola ao alcance do olhar. Se alguém na praia chuta uma bola para junto de nós, corremos para devolvê-la, pomos empenho no passe, regressamos felizes. Se os putos jogam na rua, desejamos que alguém com menos pontaria chute na nossa direcção. Pisamos o esférico com o pé e atiramos para o lado direito do guarda-redes de rua. Se os sobrinhos têm uma bola mínima, que faz trajectórias escanifobéticas, organizamos logo um concurso de penaltis – e não vamos à baliza. &lt;br /&gt;Porque o tempo passa, porque temos outros interesses na vida, mas também por causa do lixo verbal e das manhas dos dirigentes, por causa da boçalidade animal das claques, alguns de nós fomos perdendo o interesse obsessivo pelo futebol. Mas esperamos ainda encontrar todas as semanas o assombro de uma finta, de um petardo de fora da área ou de uma defesa com a ponta dos dedos de um guarda-redes com lombares de gato. &lt;br /&gt;Já chorámos depois de uma derrota da selecção, já perdemos a cabeça, a voz e a compostura, já fomos tão incendiários e idiotas como os presidentes dos clubes. Mas isso é apenas folclore. Aquilo que mais interessa está nalgum fim de tarde, quando o carro passava na rua e por fim podíamos regressar ao jogo e marcar o livre. Tínhamos a boca seca e uma ferida em chamas na coxa, ainda com marcas do asfalto. Havia suor nas patilhas, a nossa equipa jogava sem t-shirt, os ténis sobreaqueciam, e queríamos bater a bola por cima da barreira. Faltava pouco para que alguém nos viesse chamar para casa, a comida está na mesa, não te volto a avisar. Faltava pouco para ficar escuro e havia um livre para marcar. &lt;br /&gt;Aquilo que mais interessa hoje, quando vemos Messi ou Ronaldo ou Xabi, é que eles sejam sempre essa tarde de futebol na rua quando batemos o livre e – estas coisas sabem-se – já estávamos de braço no ar quando a bola passou entre uma mochila do He-Man e o guarda-redes sem luvas. Depois disso, não precisávamos de mais nada para saber que íamos ser felizes na final do campeonato do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-4996618277983090097?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/4996618277983090097/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=4996618277983090097' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4996618277983090097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4996618277983090097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/05/relicario-de-um-homem-solteiro-cronica.html' title='Relicário de um homem solteiro, crónica semanal no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-bKtj3GFNTkE/Tb7eOCnpWgI/AAAAAAAAAls/-3rpUo7yJ74/s72-c/maradona3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-1980561438088820681</id><published>2011-04-30T13:04:00.005+01:00</published><updated>2011-05-02T18:04:22.029+01:00</updated><title type='text'>Feira do Livro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-N3x0hCHCsGg/Tbv7SFqdsoI/AAAAAAAAAlk/aRN_eHJW8nc/s1600/HugoGoncalves-frente%2B%25281%2529.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 136px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-N3x0hCHCsGg/Tbv7SFqdsoI/AAAAAAAAAlk/aRN_eHJW8nc/s200/HugoGoncalves-frente%2B%25281%2529.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5601346849741845122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Fado, samba e beijos com língua", já está nas livrarias e eu estarei na Feira do Livro de Lisboa nestes dias: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado, dia 30 de Abril, às 16h30&lt;br /&gt;Sábado, dia 7 de Maio, às 18h00&lt;br /&gt;Domingo, dia 8 de Maio, às 18h00&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui fica mais uma crónica de fim-de-semana: &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/120137-katia--wanderlei"&gt;Kátia &amp; Wanderlei, um casamento real, no jornal i.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-1980561438088820681?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/1980561438088820681/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=1980561438088820681' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1980561438088820681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1980561438088820681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/04/feira-do-livro.html' title='Feira do Livro'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-N3x0hCHCsGg/Tbv7SFqdsoI/AAAAAAAAAlk/aRN_eHJW8nc/s72-c/HugoGoncalves-frente%2B%25281%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-416023613580221571</id><published>2011-04-26T12:09:00.002+01:00</published><updated>2011-04-26T12:12:15.395+01:00</updated><title type='text'>Sobre este ofício de escrever</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-mNY-UTVTfSs/Tbaoih8-I1I/AAAAAAAAAlc/Oz5DzKW9Tbw/s1600/SuperStock_255-417989.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 146px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-mNY-UTVTfSs/Tbaoih8-I1I/AAAAAAAAAlc/Oz5DzKW9Tbw/s200/SuperStock_255-417989.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599848497864909650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/119257-dia-accao-gracas"&gt;Para ler aqui.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-416023613580221571?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/416023613580221571/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=416023613580221571' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/416023613580221571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/416023613580221571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/04/sobre-este-oficio-de-escrever.html' title='Sobre este ofício de escrever'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-mNY-UTVTfSs/Tbaoih8-I1I/AAAAAAAAAlc/Oz5DzKW9Tbw/s72-c/SuperStock_255-417989.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-6134588438433500619</id><published>2011-04-25T17:50:00.001+01:00</published><updated>2011-04-25T17:52:30.048+01:00</updated><title type='text'>Fado, samba e beijos com língua</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-5CcE59MCEAA/TbWmxoCB5zI/AAAAAAAAAlU/5rejBaxdb3o/s1600/ConviteDigital.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 114px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-5CcE59MCEAA/TbWmxoCB5zI/AAAAAAAAAlU/5rejBaxdb3o/s200/ConviteDigital.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599565083194812210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Já está nas livrarias e amanhã, terça-feira, é o lançamento oficial do livro. Quem quiser que apareça, será bem recebido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-6134588438433500619?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/6134588438433500619/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=6134588438433500619' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6134588438433500619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6134588438433500619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/04/fado-samba-e-beijos-com-lingua.html' title='Fado, samba e beijos com língua'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-5CcE59MCEAA/TbWmxoCB5zI/AAAAAAAAAlU/5rejBaxdb3o/s72-c/ConviteDigital.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-2928109811741721267</id><published>2011-04-21T12:12:00.002+01:00</published><updated>2011-04-21T12:14:48.561+01:00</updated><title type='text'>Relicário de um homem solteiro, crónica semanal no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-bVmtEsVR4c8/TbARo53ngqI/AAAAAAAAAlM/0HIFz8YRUdc/s1600/3"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 141px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-bVmtEsVR4c8/TbARo53ngqI/AAAAAAAAAlM/0HIFz8YRUdc/s200/3" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597993731248063138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Três: a conta que deus fez&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;João&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Ele acendia o cigarro mas nada. O ecrã continuava branco. Não havia outra maneira de dizê-lo: estava seco como a terra depois de uma queimada. Sentia-se tão falso como uma carteira dos chineses. Tudo o que pensava escrever naquele computador era apenas a derivação de algum filme antigo ou de um livro que já lera. &lt;br /&gt;Comia hamburguers, fumava mais que a Petroquímica em hora de ponta, barbeava-se pouco. Não estava no melhor momento de forma. E havia contas para pagar.&lt;br /&gt;O problema era a falta de um ordenado depois de anos e anos numa redacção de jornal, décimo terceiro mês, um sítio onde ir todos os dias. Agora, sem emprego, queria escrever umas memórias, um romance, a reportagem que daria um livro. Mas nada. Passara demasiado tempo a fazer a mesma coisa. Tinha menos de 40 anos e comportava-se como um velho despedido três anos antes da reforma. &lt;br /&gt;Em algumas ocasiões, lúcido como um asceta vegetariano, disse ao espelho: “Deixa de te queixar.” Mas depois, em vez de escrever, punha-se a ver, pela enésima vez, “A Floresta Petrificada”, com Bogart a fazer de bandido. &lt;br /&gt;Na mesa, ao lado do computador, acendeu-se a luz do telemóvel em modo de silêncio. Ele resistiu. Não foi ver. &lt;br /&gt;João usava gabardines e até chapéus de detective. Acreditava na decência e na beleza do jornalismo. Era um romântico ultrapassado pela rapidez das notícias cuspidas a metro, não produzia tantos artigos como os estagiários, julgava que o apuro na prosa ainda servia para alguma coisa. Foi despedido e desde então nem cigarros o salvavam do aborrecimento. Passava os dias a ver filmes de gangsters, imaginando ser tão duro como James Cagney. Não era e nunca seria.&lt;br /&gt;Abriu as janelas e havia um sopro de Agosto no início da noite. Ia escrever como Kerouac em speed. Ia escrever durante semanas. O telemóvel voltou a acender a luz. A primeira mensagem dizia: “Estou em casa com uma amiga a beber tequila.” &lt;br /&gt;A segunda mensagem dizia: “Vem.”  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Isabel&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Não era a primeira vez que beijava uma mulher. Mia disse-lhe: “Outro”. Isabel beijou-a, provou o vapor da tequila, o seu polegar subiu pelas costelas, pousou no mamilo, fez peso. Mia disse: “Queria outro copo de tequila, mas isso também pode ser.” &lt;br /&gt;Isabel foi buscar a garrafa. Não tirou os sapatos de salto – parecia que nunca os tirava. Todas as horas de voo, reuniões, noitadas a fechar projectos se podiam notar quando ficava bronzeada. Isabel sabia que aquelas rugas e manchas davam tesão a alguns homens mas afastavam outros. Com as mulheres era diferente. &lt;br /&gt;Isabel cortou limão para a tequila. Mia investigava as lombadas dos livros. Disse: “Tanta poesia.”&lt;br /&gt;Isabel tinha mais livros que muitos escritores – profissão que nunca tentara apesar dos diários acumulados desde a adolescência e da fome de histórias no papel. João, seu amante ocasional, sempre estranhou como Isabel não se punha a fazer aquilo que mais amava e, em vez disso, passava horas a analisar a viabilidade de empresas em escritórios alcatifados. A verdade é que João não sabia muito bem o que ela fazia. Interessava-se mais pelas suas pernas de sapatos de salto, pelo despojamento do seu corpo de mulher – não uma miúda, mas uma mulher com estrias, o peito um pouco descaído, uma mulher sem medo de ficar com a cama vazia no dia seguinte. João deixou de telefonar quando ela lhe perguntou, depois de uma sessão de cama sabotada pelo excesso de vinho: “Para quando esse livro?” &lt;br /&gt;João respondeu: “E tu, quando é que te casas em tens um filho?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Mia pegou num dos livros. Disse como se beijasse alguém na boca: “Música de Cama”. Disse como se estivesse no palco: “Título: Tri(n)o; autor: David Mourão Ferreira.” Disse como se tirasse a roupa: “As vossas quatro mãos/ As minhas duas/ Ó bando de seis aves no lençol.”&lt;br /&gt;Fizeram um brinde, Mia tapou a boca com os dedos quando o álcool passou a fronteira da garganta. Tinha os olhos húmidos, as pernas bambas, o cabelo na cara. Perguntou: “Já fizeste um trio?” &lt;br /&gt;Mia era filha de pais americanos mas nascera na Mouraria. Cresceu a brincar no Martim Moniz e passava férias na liberdade arborizada da Califórnia. Os pais eram meio hippies meio libertários e incentivaram-na a cantar fado. Mia tornou-se na fadista mais alegre da história. Era uma daquelas pessoas de bem com a vida, uma “loved child”, sem traumas ou melancolias. Mas cantava o “Fado do Ciúme” e parecia que algum homem tinha, de facto, saído de casa para as coxas da amante sem dizer se regressava. Mia cantava numa tasca e senhores de bigode punham-se a limpar os olhos com um lenço de pano. Mia dava uma volta de diva desgraçada no “Fado Português” e logo alguém gritava: “Ah boca linda”.&lt;br /&gt;A boca de Mia: cheia de lábios e língua e tequila e paixão de fadista. Ela tinha um t-shirt que dizia: “Experimentalista”.&lt;br /&gt;Isabel ouviu a campainha. Mia continuava a beijá-la, não queria parar. Isabel disse: “É ele.”     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Três pares de asas nos lençóis&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;João caminhou nu pela cozinha. Todas as janelas estavam abertas e, ainda assim, os corpos naquela casa tinham a pele coberta por uma película agridoce de suor. Abriu a torneira e meteu a boca no jacto de água. Lavou a cara, viu um maço de cigarros na mesa mas distraiu-se com os gritos marítimos das gaivotas sobrevoando Lisboa. Uma vez na vida não ia ser um lugar-comum. Uma vez na vida não ia acender um cigarro para estilizar a cena. Sentou-se no parapeito. O sol começou a aparecer sobre a Graça, espalhando uma claridade meiga nas fachadas da Baixa. Era de manhã que esta cidade lhe parecia mais portuária, mais imprevista, cargas e descargas, floristas que chamam os fregueses, navios arrastando-se no Tejo para um lugar onde ele não estava.   &lt;br /&gt;João voltou a cobiçar os cigarros. No quarto, Mia e Isabel dormiam com as pernas entrelaçadas. Dormiam profundamente, saciadas e com a respiração de quem bebeu e fumou de mais, um fio de baba escorrendo dos lábios de Mia. &lt;br /&gt;João procurou uma caneta e um papel. Queria tirar notas. Talvez aquela noite fosse o começo de alguma coisa extraordinária. Talvez fosse a estreia de uma relação com três pessoas, uma outra promessa de felicidade, um triângulo perfeito com filhos e casa de férias, a harmonia de uma santíssima trindade. Talvez aquela fosse a história que ele sempre procurou viver e escrever.&lt;br /&gt;Enfrentou o espelho da casa de banho: “Deixa de te queixar. Dá graças pelo que tens.”&lt;br /&gt;Depois voltou para a janela e anunciou a Lisboa, sem uma peça de roupa no corpo, a primeira frase da sua obra-prima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-2928109811741721267?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/2928109811741721267/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=2928109811741721267' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/2928109811741721267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/2928109811741721267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/04/relicario-de-um-homem-solteiro-cronica.html' title='Relicário de um homem solteiro, crónica semanal no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-bVmtEsVR4c8/TbARo53ngqI/AAAAAAAAAlM/0HIFz8YRUdc/s72-c/3' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-1615636599397077345</id><published>2011-04-21T12:01:00.001+01:00</published><updated>2011-04-21T12:03:00.749+01:00</updated><title type='text'>Já cá canta e já está nas livrarias</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-QWwXOyLKdEU/TbAO4MQuFZI/AAAAAAAAAk8/_Hs0ms03ysc/s1600/livros.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; 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margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 114px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-leH2hk8BWxM/TayMsaNGV3I/AAAAAAAAAk0/giU2I3qCL44/s200/ConviteDigital.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597003131491080050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-4690069579976496273?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/4690069579976496273/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=4690069579976496273' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4690069579976496273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4690069579976496273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/04/estao-todos-convidados.html' title='Estão todos convidados.'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-leH2hk8BWxM/TayMsaNGV3I/AAAAAAAAAk0/giU2I3qCL44/s72-c/ConviteDigital.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-6453662990255136353</id><published>2011-04-13T19:43:00.002+01:00</published><updated>2011-04-13T19:47:04.697+01:00</updated><title type='text'>Relicário de um homem solteiro, nova crónica, semanal, no suplemento LiV, do jornal i</title><content type='html'>&lt;iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/kM0mjukDGRw" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Decoração, arrumação e outros fretes domésticos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;1&lt;br /&gt;O amor (ou a ilusão do amor) já fez muito pela indústria do mobiliário e das coisas inúteis que se espalham pela casa.  Um homem apaixona-se e um empresário bate palmas em Paços de Ferreira.&lt;br /&gt;Ela vinha do sótão da Europa e ia ficar pela primeira vez na minha casa de estrunfe em Madrid – 35 metros quadrados, dois bicos eléctricos no fogão, um frigorífico que não me chegava à cintura, um quarto sem janelas, um depósito de água quente que dava para um duche e meio, um sofá de molas torturadoras, o despojamento de quem vive sozinho e, mais por preguiça do que por convicção, se justificava: “Os objectos são sobrevalorizados.”&lt;br /&gt;Há anos que era assim: tudo o que tinha cabia em duas malas e poucos caixotes. Mas ela vinha visitar-me e, com medo que não gostasse de mim (com medo que não gostasse do minimalismo de mau gosto do apartamento) pus-me a caminho do IKEA num carro emprestado. Como se tivesse entrado num supermercado morto de fome, meti-me a comprar tudo aquilo que imaginei que ela pudesse gostar: velas aromáticas, um tapete para a sala, uma capa de edredão, individuais e talheres, um wok e até um cacto. La pièce de résistance: uma estante para os livros (ainda arrumados em caixotes). Muitas horas depois, debatendo-me com as instruções e com parafusos e com chaves que me esfolaram os dedos, a estante estava montada. Mas, como o nosso amor, demasiado instável. Aquela não era a minha estante. &lt;br /&gt;Uma amiga, quando viu a nova decoração, disse: “Isto não és tu.” O que ela queria dizer: “Não sejas outra pessoa para agradar à menina.” O que disse o filósofo Alain de Botton sobre o assunto da perda de autenticidade quando estamos apaixonados: “Se ela gostava de homens duros, eu seria um homem duro, se ela gostava de windsurf eu seria um windsurfista, se ela odiava xadrez, eu odiaria xadrez (…) era como se o meu verdadeiro eu provasse um fato demasiado apertado (…) um homem gordo provando um fato que era demasiado pequeno (…) O amor estava a fazer de mim um aleijado.”&lt;br /&gt;Ela não sabia o empenho que eu tinha posto na decoração. Ela tinha um apurado sentido de bom gosto, moda e feng shui. Ela foi-se embora passado três dias. Fui visitá-la na sua cidade. Não foi uma surpresa. Estas coisas sabem-se. Deixei-lhe um ramo de lírios na sala no dia da despedida. Não valia a pena dizer mais nada: fim. &lt;br /&gt;Tinha mais mobília em casa e ainda me sentia apertado num fato justo que fazia comichões.&lt;br /&gt;Deixei o cacto morrer. Voltei a ser eu. &lt;br /&gt;Com uma nova estante.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2&lt;br /&gt;O amor (ou a ilusão do amor) já fez muito pela arrumação e limpeza das casas. Um homem apaixona-se e no dia seguinte está no supermercado a comprar produtos de limpeza que jamais ouviu falar, rótulos que garantem “Poder total”, “Sem amoníaco”, “Limpeza em profundidade em toda a casa”. Um homem apaixona-se e vê-se de joelhos e com luvas de borracha, esfregando retretes, caçando bolas de cotão, distraindo-se, por momentos, da necessidade de ser mais asseado, porque encontrou jornais velhos e se põe a ler artigos com anos de vida. &lt;br /&gt;O amor lava mais branco.&lt;br /&gt;Na minha vida de adulto tive apenas uma empregada. Lili falava mal português, o que para mim era um alívio. Nunca soube dar ordens a quem limpa. Nunca quis dar ordens a quem limpa. Lili aparecia uma vez por semana e, no dia anterior, envergonhado com o desarranjo da casa, punha-me a arrumar e a limpar. Tinha vergonha. &lt;br /&gt;Durante uma temporada no Rio de Janeiro, Ana Maria, faxineira, aparecia uma vez por semana (éramos quatro naquela casa, precisámos ajuda), com a sua pele de pau Brasil e a barriga pendendo entre o top e as calças de licra. Na primeira vez disse: “Quer que eu faça seu café da manhã? Quer que eu cozinhe? Quer que eu passe as camisas? E eu, que há anos seco as camisas em cabides para não ter que manobrar o ferro de engomar, fugi para a rua: “Vou correr, até já Ana Maria.” Se uma empregada entra em minha casa, eu saio. Não fui feito para mandar. &lt;br /&gt;Mas mesmo que concorde com P.J. O’Rourke – “Manter uma casa limpa e arrumada é tão desagradável como ser mineiro” – aparece o amor (ou a ilusão do amor) e lá estou eu a aspirar, a branquear a banheira, a fazer máquinas de roupa consecutivas, a ser uma versão mais organizada de mim mesmo. Com amor há menos ácaros em casa. Tudo cheira a lençóis lavados. Depois uma das partes fala como se fosse poesia de Ramon Mello (pelo menos na minha cabeça): “Não prometi amor/ perfeito eterno apenas/ uma trepada na noite/ de sábado goza veste/ e vai embora”. E é dessa maneira que começam a nascer outra vez bolas de cotão nos cantos da casa, nos esconsos mais inalcançáveis do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3&lt;br /&gt;Vivo, pela primeira vez, enquanto adulto, numa casa com bonitos móveis (são da senhoria). Já preciso de mais que duas malas e alguns caixotes caso volte a mudar de casa, cidade ou estado civil. Tive, recentemente, uma empregada mais dedicada ao seu oficio que um fundamentalista islâmico, mais opinativa quem um comentador de política: “Como é que consegue viver aqui com tanto pó?”, “Estes jornais velhos vão para o lixo”, “Tenho um filho da sua idade, sei como vocês são.” Ela entrava em casa e eu punha-me a milhas do ruído do aspirador e do barulho da sua censura de empregada impoluta. &lt;br /&gt;Enquanto escrevo olho em meu redor: ténis no meio da sala, loiça empilhada, roupa por lavar, livros no quarto, no chão, em cima do bidé. E os jornais que ela tanto odeia por todo lado. Tenho de ligar-lhe em breve. Ou talvez não. É Primavera, as hormonas parecem amendoeiras em flor, o sol empurra os corpos para a paixão, as pessoas beijam-se com mais frequência e, como tal, as casas ficam muito mais limpas. &lt;br /&gt;Para quê gastar dinheiro em empregadas quando basta o amor (ou a ilusão do amor)?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-6453662990255136353?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/6453662990255136353/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=6453662990255136353' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6453662990255136353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6453662990255136353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/04/relicario-de-um-homem-solteiro-nova_13.html' title='Relicário de um homem solteiro, nova crónica, semanal, no suplemento LiV, do jornal i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/kM0mjukDGRw/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-1308755888080317343</id><published>2011-04-13T11:43:00.002+01:00</published><updated>2011-04-13T11:44:23.622+01:00</updated><title type='text'>Novo livro: "Fado, samba e beijos com língua"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-O_0ZdeUaf3w/TaV-bkF0icI/AAAAAAAAAks/1Lh00xw6xQc/s1600/HugoGoncalves-frente%2B%25281%2529.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 136px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-O_0ZdeUaf3w/TaV-bkF0icI/AAAAAAAAAks/1Lh00xw6xQc/s200/HugoGoncalves-frente%2B%25281%2529.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5595017124087368130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Estes textos só fazem sentido como um todo, como a memória selectiva de que são feitos os romances, porque vão da infância mais remota aos dias que, em Dezembro do ano passado, vivemos no Brasil – um retrato de um português metido nas aventuras, sarilhos e dilemas em que sempre se mete a personagem de um romance." João Tordo, na introdução ao "Fado, samba e beijos com língua. Nas livrarias a 20 de Abril.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-1308755888080317343?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/1308755888080317343/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=1308755888080317343' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1308755888080317343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1308755888080317343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/04/novo-livro-fado-samba-e-beijos-com.html' title='Novo livro: &quot;Fado, samba e beijos com língua&quot;'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-O_0ZdeUaf3w/TaV-bkF0icI/AAAAAAAAAks/1Lh00xw6xQc/s72-c/HugoGoncalves-frente%2B%25281%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-6811325268034022647</id><published>2011-04-07T11:25:00.002+01:00</published><updated>2011-04-07T11:27:56.837+01:00</updated><title type='text'>Relicário de um homem solteiro, nova crónica, semanal, no suplemento LiV, do i, todos os sábados</title><content type='html'>&lt;iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/5sKzpU33coQ" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Rock &amp; roll, um fim-de-semana em Amesterdão&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Tighten up&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quem viajou com amigos sabe que é sempre assim. Começa logo no aeroporto: as piadas, as alcunhas, alguém que perde o cartão de embarque, alguém que pergunta: “Não é melhor comprar um volume de cigarros?” Quatro rapazes portugueses com escala em Madrid a caminho de Amesterdão. &lt;br /&gt;No ar, a milhares de pés de altitude, as bolhinhas da lata de cerveja são mais bolhinhas no carrossel do sangue. Vai ser uma boa noite. Vamos ver os Black Keys em concerto. Apetece dizer, como nos filmes: “Rock &amp; Roll.” &lt;br /&gt;Chove na pista de aterragem, uma película que abafa toda a cidade, tornando os bares mais bonitos, um aconchego de madeiras e fumo e conversas disparatadas. Um dos amigos revela o segredo para entrarmos no concerto tão entusiasmados como a banda: “Beber shots de whisky.” Fast forward alcoólico: quatro rapazes portugueses diante dos cacifos da sala de concertos, incapazes de descodificar o seu funcionamento enquanto pessoas muito altas e muito loiras, sem dificuldade, guardam os seus casacos e fecham as portas de metal. Alguém diz: “Somos um bocado incivilizados.” Mas os rapazes, mais bárbaros por causa do halo de whisky em seu redor, até conseguem meter notas na máquina que dá fichas de bebida, provocando um barulho bom de jackpot e a mesma ansiedade feliz de quem acaba de entrar na discoteca e se dirige para o bar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Give your heart away&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É por isto que acredito que a música é a arte mais física. Tenho o casaco enrolado no braço e salto como num videoclip, pratico air guitar, air drums, sinto o tecido da camisa tão colado no corpo como nas noites em que já não importam as manchas na roupa e as nódoas negras na pele. Só interessa a música, a aspereza harmoniosa da guitarra, a pulsação da bateria a comandar milhares de pessoas. Olho para os meus amigos e não é preciso dizer nada. Os seus corpos em efervescência, o suor na testa e no bigode, os lábios repetindo cigarros, lançando-se nos copos, gritando: “Thighten up your reigns, you’re runnning wild/ Running wild, it’s true”. São cavalos de corrida rasgando o fumo da sala, explosões químicas nos neurónios, apetite pela selvajaria pacífica, esticar a corda mais um bocadinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a teoria da psicologia das multidões ganha mais crédito se houver banda sonora, ou seja, com os Black Keys a tocar não importa que os adolescentes translúcidos e sem T-shirt iniciem moches e façam o público abanar como um barco, não importa que as pessoas se toquem, suadas e bêbedas, não importa que façam figuras ridículas quando imitam os músicos no palco, não importa quase nada. &lt;br /&gt;Teoria da psicologia das multidões num concerto dos Black Keys: o abandono, o momento antes da colisão, a cabeça seguindo a serpente encantada do rock, o corpo soltando-se como quem parte uma guitarra ou se atira de uma prancha ou rasga as alças do vestido e morde outra boca como se fosse fruta. &lt;br /&gt;E depois acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Same old thing&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O resto do fim-de-semana é ocupado com esplanadas e passeios em parques e visitas a coffee shops. Passamos ao lado da casa de Anne Frank e alguém atira uma graçola: “Diz aí aos gajos na fila que ela não está, que foi de férias para a Polónia.” É assim há muitos anos. Os rapazes dizem disparates, roçam o mau gosto, repetem as mesmas piadas ad nauseam, provocam-se com os desafios que conhecem da escola primária, embora agora subam a parada: “Dou-te cinco mil euros se saltares para o canal.” Mas é na parvoíce, na liberdade de ser outra vez menino, na distância do despertador, da diplomacia social, das notícias apocalípticas, do semáforo que não abre, da miúda que não liga, é nessa distância – uma espécie de viagem no tempo – que também me sinto próximo dos gajos que são meus amigos. &lt;br /&gt;Manhã, pequeno-almoço junto ao canal: “O que é que preferias, ser o velho fanhoso que estava a vender bagels naquela cave ou a prostituta gorda que vimos ontem na montra a comer esparguete?” &lt;br /&gt;Same old thing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Aeroplane blues&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando um dos rapazes toma a liderança numa missão nublada ao coffee shop, alguém diz, gozando com a sede de poder do novo macho alpha do grupo: “One man wolfpack.” E a frase pegou. No entanto, esta não é uma alcateia de um homem só – a frase aplica-se mais a indivíduos como o Rambo, o Batman ou o John “yippee-kai-yay, mother fucker” McClane. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De regresso ao mundo dos grandes: a alcateia que nunca precisou de líder, unida mas cansada, está no aeroporto e o avião atrasou-se, os silêncios tornam-se mais longos, por vezes interrompidos por uma sessão de disparate, resquício das substâncias na corrente sanguínea, uma dormência, o regresso a casa, mais nada para dizer após um ataque de riso. &lt;br /&gt;Olho para eles, répteis ressacados procurando o sol na janela do aeroporto, ouvindo música, enviando mensagens. E escrevo no caderno de notas aquilo que fica. Alguém dizer “É já aqui” e andarmos sempre mais meia hora. O jogo “Consegues lembrar-te da antepenúltima miúda gira que viste?”, que não é tão fácil como parece tendo em conta o número de miúdas giras em Amesterdão e o efeito da erva na memória de curta duração. Chaço = mulher muito feia. Espingardus = pessoas de nacionalidade francesa. O poder do whisky e as lágrimas nos olhos ao quarto shot. As luzes desfocadas na janela do táxi. E a guitarra eléctrica como um motor no lugar do coração, a loira que mandou um beijo antes de beijar o namorado, os meus amigos sem dizer nada, só a música, o estrondo, a subida da montanha russa, a certeza que o efémero também pode ser denso e que, quando acabar a viagem, alguém vai dizer: &lt;br /&gt;“Para o ano há mais.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-6811325268034022647?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/6811325268034022647/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=6811325268034022647' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6811325268034022647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6811325268034022647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/04/relicario-de-um-homem-solteiro-nova.html' title='Relicário de um homem solteiro, nova crónica, semanal, no suplemento LiV, do i, todos os sábados'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/5sKzpU33coQ/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-496789863226248296</id><published>2011-03-28T15:46:00.002+01:00</published><updated>2011-03-28T15:48:31.521+01:00</updated><title type='text'>Dias felizes para pessoas normais</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-qhQp-8OcwW8/TZCfum3EV3I/AAAAAAAAAkk/AZ6I7vtfS4c/s1600/lisboa-portas-do-sol.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 144px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-qhQp-8OcwW8/TZCfum3EV3I/AAAAAAAAAkk/AZ6I7vtfS4c/s200/lisboa-portas-do-sol.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5589142760621102962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Saiba como, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/112862-dias-felizes-pessoas-normais"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-496789863226248296?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/496789863226248296/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=496789863226248296' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/496789863226248296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/496789863226248296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/03/dias-felizes-para-pessoas-normais.html' title='Dias felizes para pessoas normais'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-qhQp-8OcwW8/TZCfum3EV3I/AAAAAAAAAkk/AZ6I7vtfS4c/s72-c/lisboa-portas-do-sol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-751205527752536836</id><published>2011-03-28T15:41:00.002+01:00</published><updated>2011-03-28T15:46:24.163+01:00</updated><title type='text'>Três crónicas no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-PsQ3dutH4jg/TZCfLiTgIJI/AAAAAAAAAkc/lws7G7GXicY/s1600/Paulo%2BFutre.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 120px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-PsQ3dutH4jg/TZCfLiTgIJI/AAAAAAAAAkc/lws7G7GXicY/s200/Paulo%2BFutre.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5589142158102765714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/111488-breviario-moral-do-planeta"&gt;Breviário moral do planeta&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/112293-eu-maria-me-confesso"&gt;Eu, Maria, me confesso&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/113266-caro-paulo-futre"&gt;Caro Paulo Futre&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-751205527752536836?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/751205527752536836/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=751205527752536836' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/751205527752536836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/751205527752536836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/03/tres-cronicas-no-i.html' title='Três crónicas no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-PsQ3dutH4jg/TZCfLiTgIJI/AAAAAAAAAkc/lws7G7GXicY/s72-c/Paulo%2BFutre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-6846570486800026833</id><published>2011-03-28T15:37:00.003+01:00</published><updated>2011-03-28T15:41:31.486+01:00</updated><title type='text'>Crónicas de amesterdão, no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-JbnaLn_PTFc/TZCeEx8GmyI/AAAAAAAAAkU/ncfswMtGkmE/s1600/25022010121.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-JbnaLn_PTFc/TZCeEx8GmyI/AAAAAAAAAkU/ncfswMtGkmE/s200/25022010121.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5589140942528879394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/111835-bom-tempo-no-canal"&gt;Bom tempo no canal&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/112041-retrato-rapariga-na-montra"&gt;Retrato de rapariga na montra&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-6846570486800026833?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/6846570486800026833/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=6846570486800026833' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6846570486800026833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6846570486800026833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/03/cronicas-de-amesterdao-no-i.html' title='Crónicas de amesterdão, no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-JbnaLn_PTFc/TZCeEx8GmyI/AAAAAAAAAkU/ncfswMtGkmE/s72-c/25022010121.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-9031548109153296899</id><published>2011-03-28T15:29:00.003+01:00</published><updated>2011-03-28T15:37:34.429+01:00</updated><title type='text'>Crónicas no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-EQdbdRdQ_hY/TZCc68-MpLI/AAAAAAAAAkM/FOxE44ftH9M/s1600/hopper.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 197px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-EQdbdRdQ_hY/TZCc68-MpLI/AAAAAAAAAkM/FOxE44ftH9M/s200/hopper.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5589139674180134066" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/111241-na-ponta-dos-teus-dedos"&gt;I ♥ Ana Malhoa&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/111241-na-ponta-dos-teus-dedos"&gt;Na ponta dos teus dedos&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-9031548109153296899?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/9031548109153296899/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=9031548109153296899' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/9031548109153296899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/9031548109153296899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/03/cronicas-no-i_28.html' title='Crónicas no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-EQdbdRdQ_hY/TZCc68-MpLI/AAAAAAAAAkM/FOxE44ftH9M/s72-c/hopper.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-6741506566178301689</id><published>2011-03-21T17:32:00.001Z</published><updated>2011-03-21T17:35:58.056Z</updated><title type='text'>Luz ao fundo do túnel?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-E6Afkq9k-7Y/TYeMWYWHAAI/AAAAAAAAAkE/mFkYwqxjvk0/s1600/portugal.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-E6Afkq9k-7Y/TYeMWYWHAAI/AAAAAAAAAkE/mFkYwqxjvk0/s200/portugal.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5586588178896584706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-6741506566178301689?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/6741506566178301689/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=6741506566178301689' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6741506566178301689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6741506566178301689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/03/luz-ao-fundo-do-tunel.html' title='Luz ao fundo do túnel?'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-E6Afkq9k-7Y/TYeMWYWHAAI/AAAAAAAAAkE/mFkYwqxjvk0/s72-c/portugal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-2954867769263677241</id><published>2011-03-21T17:25:00.003Z</published><updated>2011-03-21T17:31:22.382Z</updated><title type='text'>Relicário de um homem solteiro, nova crónica, semanal, no suplemento LiV, do i, todos os sábados</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-sz6MWeMlOPQ/TYeLWUh5SMI/AAAAAAAAAj8/PLss6LOUsp0/s1600/1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 164px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-sz6MWeMlOPQ/TYeLWUh5SMI/AAAAAAAAAj8/PLss6LOUsp0/s200/1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5586587078360647874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O amor é sexualmente transmissível&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;1&lt;br /&gt;Um professor da faculdade, charmoso, elegante, poeta do amor, disse-me num jantar que o bom sexo fideliza, que duas pessoas podem estar sem se ver anos e que, num encontro inesperado, reaparece o mesmo desejo de comer vivas as feromonas do outro. O meu professor abria portas de restaurantes para as suas namoradas e beijava mãos femininas e escrevia sonetos de amor. Eu era aluno e ele professor. Ele devia ter razão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2&lt;br /&gt;Muitos anos mais tarde, na minha primeira visita ao Rio de Janeiro, encontrei um livro: “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios.” O seu autor, Marçal Aquino, escolheu como epígrafe a frase que roubei para o título desta crónica: “O amor é sexualmente transmissível.” Nesta história é a personagem principal, um homem, que fica preso ao sexo esplêndido de uma prostituta. O narrador avisa logo na primeira linha do romance: “Não adianta explicar. Você não vai entender.” Ele deseja Lavínia, o corpo de Lavínia, tudo o que fica a sul do trópico do umbigo de Lavínia: “Ela guiou o jato do chuveirinho para o púbis. Desfez a espuma não o sonho.” Lavínia: uma Julieta romântica do Pará, puta em vez de aristocrata, meretriz de garimpeiros e pastores evangélicos, perdição do narrador, que acaba zarolho por causa da paixão, da tesão, da sova que leva em honra de Lavínia. Na última frase do livro, o narrador corrige-me. Parece que não é nem paixão nem tesão nem uma pala negra no olho que deixou de estar: “Eu chamo de amor.” &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3&lt;br /&gt;Outro homem, outro brasuca, outro escritor: João Paulo Cuenca. Esteve em Lisboa para lançar o romance “O único final feliz para uma história de amor é um acidente” e ouvi-o falar da construção do amor. No livro, há um poeta japonês apaixonado por uma boneca feita por por encomenda. Pagou milhares de dólares mas delicia-se com os ossos salientes das omoplatas e outros extras. Estas bonecas existem mesmo e Cuenca deu-se ao trabalho de visitar armazéns e estudar catálogos, sabendo todos os detalhes sobre modelos, texturas, cores, miligramas de silicone em cada mama.&lt;br /&gt;Em Lisboa, Cuenca falou da construção do amor. Cada um escreve a sua história, a sua narrativa, os momentos de close up. Cada um tem a sua boneca japonesa.&lt;br /&gt;Nesse dia escrevi no caderno de notas: Luxúria está no código genético. Amor precisa de construção. Dá muito mais trabalho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4&lt;br /&gt;Ela canta: “Quero comer Caetano.” Ela também canta, num vídeo no youtube, uma canção de Roberto Carlos. Mas ela é mulher e por isso a letra da canção passa a ser outra coisa: “Estou amando loucamente a namoradinha de um amigo meu.” No final dessa versão, faz um habilidoso jogo de palavras e acaba a cantar: “Porque não comê-la?” Falo destas palavras na língua lasciva de Adriana Calcanhoto porque lá, no Brasil, o amor é mesmo sexualmente transmissível. E a construção do amor também.&lt;br /&gt;Rio de Janeiro: pele bronzeada, shorts, corpo molhado de mar, pés descalços, batucada que estremece, caipirinha nos lábios e a ginga da língua enquanto as coxas se roçam. É uma sociedade muito erotizada. Paquera é prato do dia. E na música, na rua, na literatura, ama-se muito. Fode-se mais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5&lt;br /&gt;Na minha segunda viagem ao Rio já percebi melhor o que, anos antes, me dissera o professor dândi. Naquela mesa de jantar, há tantos anos, eu era um estreante na faculdade, menino de colégio católico, com três irmãos rapazes e uma limitada experiência de luxúria ou amor. De forma prosaica mas sincera, o que eu ouvi foi isto: se um homem for uma boa cama a mulher fica caída para sempre. O que o professor me quis dizer: que há combinações de pele e cama que nem o tempo desfaz. E isso funciona para homens, mulheres, amantes de bonecas, mártires de Lavínia e todos os construtores do amor. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6&lt;br /&gt;Não é preciso viajar para o hemisfério sul, passar dez horas num avião, e aterrar no Rio de Janeiro para observar o comportamento dos humanos. Mas no Brasil o desejo é mais despojado, mais aqui e agora, tão natural como fruta a crescer nas árvores. Quem deseja tem menos vergonha. Isso torna mais fácil a tarefa do observador. E mais perigosa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7&lt;br /&gt;Um amigo brasileiro, há 20 anos a viver em Portugal, conta-me que no Rio se apaixona várias vezes entre a praia e o boteco. E esta é uma das características do homem solteiro. Confunde luxúria com amor romântico, declara vassalagem ao púbis cheio de espuma de Lavínia, escreve poemas a bonecas japonesas, julga-se apaixonado pela namorada do amigo. Mas talvez haja uma atenuante para esta confusão, para a contínua e insistente tentativa de construir o amor a partir de uma boca, de uma frase, de uma noite de sexo. E talvez haja uma atenuante para a soberba de acharmos que há alguém que nos irá desejar para o resto da vida – tal como nós a desejamos. É nesta contínua e desgovernada busca, “entre colchões e trambolhões” – como canta o romântico Palma – que o homem solteiro perpetua a possibilidade do amor, que continua a acreditar, que não se torna nem amargo nem desistente nem conformado. Ou, como escreveria o apaixonado de Lavínia: “Uma reserva de sonho contra tudo o que não é doce, sutil ou sereno.” &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Eu chamo de amor.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-2954867769263677241?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/2954867769263677241/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=2954867769263677241' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/2954867769263677241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/2954867769263677241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/03/relicario-de-um-homem-solteiro-nova.html' title='Relicário de um homem solteiro, nova crónica, semanal, no suplemento LiV, do i, todos os sábados'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-sz6MWeMlOPQ/TYeLWUh5SMI/AAAAAAAAAj8/PLss6LOUsp0/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-7142138390795369852</id><published>2011-03-17T12:15:00.002Z</published><updated>2011-03-17T12:31:12.112Z</updated><title type='text'>Crónicas, no i</title><content type='html'>&lt;iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/JfAS6nwYc9g" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/109471-dores-crescimento"&gt;Dores de crescimento&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/109725-miuda-do-chiado"&gt;Miúda do Chiado&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/109968-skinny-love"&gt;Skinny Love&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-7142138390795369852?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/7142138390795369852/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=7142138390795369852' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7142138390795369852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7142138390795369852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/03/cronicas-no-i.html' title='Crónicas, no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/JfAS6nwYc9g/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-7919744362183142833</id><published>2011-03-14T12:15:00.002Z</published><updated>2011-03-14T12:17:04.388Z</updated><title type='text'>Carta ao meu país, crónica no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-vsRQYHcgxww/TX4HPJ0IavI/AAAAAAAAAj0/S8MdjBXpi3U/s1600/portugal-flag.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 143px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-vsRQYHcgxww/TX4HPJ0IavI/AAAAAAAAAj0/S8MdjBXpi3U/s200/portugal-flag.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583908544900000498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É só clicar &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/110200-carta-ao-meu-pais"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-7919744362183142833?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/7919744362183142833/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=7919744362183142833' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7919744362183142833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7919744362183142833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/03/carta-ao-meu-pais-cronica-no-i.html' title='Carta ao meu país, crónica no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-vsRQYHcgxww/TX4HPJ0IavI/AAAAAAAAAj0/S8MdjBXpi3U/s72-c/portugal-flag.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-4294993486004892522</id><published>2011-03-14T12:11:00.003Z</published><updated>2011-03-14T12:14:55.448Z</updated><title type='text'>Dia de manifestação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-tW_Gk2L3h8I/TX4GuCrK3HI/AAAAAAAAAjs/BVIgty29fiM/s1600/12%2Bmarco%2B2011.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-tW_Gk2L3h8I/TX4GuCrK3HI/AAAAAAAAAjs/BVIgty29fiM/s200/12%2Bmarco%2B2011.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583907976047680626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/110229-caderno-notas-um-manifestante"&gt;Caderno de notas deste manifestante&lt;/a&gt;, no i&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-4294993486004892522?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/4294993486004892522/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=4294993486004892522' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4294993486004892522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4294993486004892522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/03/dia-de-manifestacao.html' title='Dia de manifestação'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-tW_Gk2L3h8I/TX4GuCrK3HI/AAAAAAAAAjs/BVIgty29fiM/s72-c/12%2Bmarco%2B2011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-4505403443700467664</id><published>2011-03-11T12:05:00.002Z</published><updated>2011-03-11T12:07:10.425Z</updated><title type='text'>Anita vai à manifestação, hoje no jornal i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-Nizk96GaLI8/TXoQaW8N2KI/AAAAAAAAAjk/jsTY3d4OO4E/s1600/anita.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 135px; height: 120px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Nizk96GaLI8/TXoQaW8N2KI/AAAAAAAAAjk/jsTY3d4OO4E/s200/anita.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582792733099940002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudos/home.html"&gt;&lt;/a&gt;Anita já não é menina nem ingénua. Anita é adulta. Mas não acha que sabe tudo nem é especialista em Finanças Públicas. Estudou na universidade e fala três línguas. Usa botas de salto, quer ser mãe e não é membro de coisa alguma – nem mesmo de um ginásio. Anita vai à primeira manifestação da sua vida – tirando aquela vez, em Nova Iorque, em que deu por si no meio de um protesto contra a invasão do Iraque. Anita não gosta da redução da realidade a definições como “Geração à Rasca” ou “Deolindos”. Isso é trabalho para publicitários ou criadores de tendências. Anita não é a Barbie. Trabalha há dez anos a recibos verdes e tenta ser organizada. Por isso, comprou um caderno. Nele escreveu as razões que a levam a manifestar-se:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1&lt;br /&gt;Anita não tem soluções engenhosas para os problemas de Portugal, mas sabe que esteve parada demasiado tempo. Está determinada a fazer mais.&lt;br /&gt;Tomar consciência das metástases do país foi o primeiro passo para a acção – e as metástases têm sido tão analisadas, evidentes e repetidas, que ela entende bem o perigoso estado de saúde do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anita não grita apenas porque sim. Não é parva. Informa-se.&lt;br /&gt;O segundo passo foi perceber que nunca tinha participado numa manifestação, que o seu direito de reclamar, denunciar, debater não se limitava aos amigos, blogs, redes sociais e comentários de leitores nas edições online dos jornais. Anita acredita que esta manifestação pode ser importante para mudar o paradigma nacional do comodismo, da irresponsabilidade, da postura “que se foda o outro e o que vem a seguir”. Esta manifestação pode ser uma forte declaração de intenções: queremos ser melhor que isto, mais limpos, mais competentes, queremos ser melhor do que fomos até agora. Esta manifestação pode ser a pré-primária da participação e da educação cívica para muita gente: ter sentido de comunidade, pertencer, não estar sozinho. Mexer o rabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2&lt;br /&gt;Esta não é uma manifestação para consertar Portugal ou os portugueses – as manifestações consertam alguma coisa? Uma manifestação não é um caixa de ferramentas, um think tank, um programa de governo. Esse não é o seu propósito. E para os que têm medo dos aproveitadores, demagogos e pré-tiranos, Anita tem a dizer que esta manifestação não trará nem o primeiro ditador europeu do século XXI nem D. Sebastião. Os malfeitores e os populistas estarão lá, como estiveram na Alameda e na praça Tahir, mas Anita não acredita em líderes enviados pela providência nem em soluções fáceis. Anita já não precisa que lhe ensinem a olhar para os dois lados antes de atravessar a estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3&lt;br /&gt;Anita está cansada da crispação, do sound bite, do spin das notícias. E acha que há uma realidade – produzida pelos políticos, pela comunicação social e pela voragem colectiva de informação – que é teatral, por vezes infantil, e que é dada ao drama e ao espectáculo. O país anda confuso como a vítima de um AVC diante de uma maratona de telenovelas. O que é real e o que é jogo?&lt;br /&gt;Anita, talvez recuperando a ingenuidade do tempo em que protagonizava livros infantis lidos pela sua geração, acredita que esta manifestação pode ser uma forma de perceber que, apesar das diferenças, é mais importante o regresso ao bom senso, ao discurso ponderado e à união das vontades. Se os partidos não se entendem entre si, incapazes de abdicar deles em favor do país, enrolados na sua própria teia narrativa e eleitoralista, o povo dá as mãos (por vezes, Anita tem surtos de PREC, mas é mulher sofisticada e gosta de coisas boas).       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4&lt;br /&gt;Anita, que já namorou rapazes de outras nacionalidades, gosta de diversidade: muitas das pessoas que conhece, e que irão manifestar-se, vão fazê-lo por motivos diferentes: justiça empenada, corrupção impune, precaridade prolongada, derrapagens orçamentais, despesismo, clientelismo etc. A lista de erros e desperdícios é longa e levou os 20 últimos anos para estar pronta. Cada um terá as suas razões para estar na manifestação, mas há um propósito comum. Isso interessa a Anita, que poucas vezes na vida sentiu esse propósito comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5&lt;br /&gt;Anita pode até dizer que não se importa com o paternalismo dos mais velhos, o desdém dos comentadores, os atestados de estupidez passados à sua geração. É mentira. Anita irrita-se com a petulância daqueles que acham que sabem tudo e que são donos da verdade, subestimando e cuspindo nos seus filhos como os pais fizeram com eles. Por isso, acha que a manifestação será uma boa maneira de mostrar que nós, os filhos mimados da democracia e do cartão de crédito, não somos tão trastes nem patetas como nos julgam. Anita gosta de tolerância e inteligência. Não está interessada em insultar polícias, incendiar carros ou comer gelados com a testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anita, como tantos outros, está pronta para sacrifícios e para apanhar as canas nos próximos anos. Sabe o que aí vem. Não é, já aqui se disse, parva. Mas precisa de um rumo, de uma mudança de pele colectiva. Anita já não é ingénua. Não é por isso que vai deixar de ter sonhos e de sair à rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem rasca, nem à rasca, nem Deolinda nem interessada no Festival da Canção nem manipulável por partidos ou demagogos ou alienígenas. Anita, por sua própria cabeça, vai levar as suas botas de salto à manifestação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-4505403443700467664?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/4505403443700467664/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=4505403443700467664' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4505403443700467664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4505403443700467664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/03/anita-vai-manifestacao-hoje-no-jornal-i.html' title='Anita vai à manifestação, hoje no jornal i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Nizk96GaLI8/TXoQaW8N2KI/AAAAAAAAAjk/jsTY3d4OO4E/s72-c/anita.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-6252544573064967744</id><published>2011-03-10T19:40:00.003Z</published><updated>2011-03-10T19:44:53.270Z</updated><title type='text'>A luta é alegria</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-G9sKyzL9cYs/TXkqLfs__GI/AAAAAAAAAjc/z-3Yo3Pca3M/s1600/homens-da-luta-enfermeiros.png"&gt;&lt;img style="float:left; 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margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 142px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-8APrNwRLgQ8/TXkomrUqQqI/AAAAAAAAAjU/CfGJ_H7WZo4/s200/edward_hooper.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582537858031960738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/108848-esse-lugar-em-ti"&gt;Crónica&lt;/a&gt; sobre o lugar estranho do amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-8614680610932744094?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/8614680610932744094/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=8614680610932744094' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8614680610932744094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8614680610932744094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/03/esse-lugar-em-ti.html' title='Esse lugar em ti'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-8APrNwRLgQ8/TXkomrUqQqI/AAAAAAAAAjU/CfGJ_H7WZo4/s72-c/edward_hooper.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-2277408882253753960</id><published>2011-03-08T12:18:00.002Z</published><updated>2011-03-08T12:22:32.240Z</updated><title type='text'>Mais crónicas no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-CZzKUuk-iCQ/TXYfhG6wmjI/AAAAAAAAAjM/_JqFbSKMjTM/s1600/joan-mad-men.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; 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margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-59lMnnS-wGI/TWPRAWz20ZI/AAAAAAAAAis/CuZ5-mVbj-8/s200/garrett.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576530567668093330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/105962-rapaz-cascais"&gt;Clica aqui&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-3762566710157431023?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/3762566710157431023/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=3762566710157431023' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3762566710157431023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3762566710157431023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/02/para-saber-quem-e-o-rapaz-de-cascais.html' title='Para saber quem é o Rapaz de Cascais'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-59lMnnS-wGI/TWPRAWz20ZI/AAAAAAAAAis/CuZ5-mVbj-8/s72-c/garrett.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-1339293426975738538</id><published>2011-02-22T15:02:00.002Z</published><updated>2011-02-22T15:04:36.584Z</updated><title type='text'>Para conhecer a Miúda da Bica</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-D9x1cnrhvQA/TWPQXuA5poI/AAAAAAAAAik/ysi3_IV8kRI/s1600/bica.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 112px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-D9x1cnrhvQA/TWPQXuA5poI/AAAAAAAAAik/ysi3_IV8kRI/s200/bica.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576529869522183810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/105451-miuda-da-bica"&gt;Clica aqui&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-1339293426975738538?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/1339293426975738538/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=1339293426975738538' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1339293426975738538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1339293426975738538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/02/para-conhecer-miuda-da-bica.html' title='Para conhecer a Miúda da Bica'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-D9x1cnrhvQA/TWPQXuA5poI/AAAAAAAAAik/ysi3_IV8kRI/s72-c/bica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-1978692544002834686</id><published>2011-02-21T10:50:00.004Z</published><updated>2011-02-21T12:25:09.537Z</updated><title type='text'>Romantismo tropical contemporâneo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-_7NlKZiCi2g/TWJE0LS05QI/AAAAAAAAAic/3M5EQ9JPetk/s1600/rio.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 112px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-_7NlKZiCi2g/TWJE0LS05QI/AAAAAAAAAic/3M5EQ9JPetk/s200/rio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576094951813735682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Um conto sobre a travessia amorosa e descontrolada da zona sul do Rio de Janeiro. Também serve de guia da cidade para turistas, hedonistas e portugueses em fuga. publicado no jornal i&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sexta-feira &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Praia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thais não era daquela praia. Thais não pertencia a lugar algum. Thais só disponibilizava a sua atenção - e a boca, o sono, as manobras de ancas - em períodos curtos. Menina moderninha com caprichos de estrela pop. Gostosa e gira para cacete. Mulher planeta que precisa de satélites em seu redor. E eu, com três dias para queimar no Rio de Janeiro e nada a perder, fui todo cortesias quando ela se sentou junto a mim, chamando os nêguinhos das barracas de praia como se estivesse na entourage de D. João VI: "Mais cerveja." E os meninos, como muitos homens diante dela, obedeciam tal e qual lacaios da senhora mais magnífica da corte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thais na praia: branca de creme protector, linda como num anúncio da Prada nas glossy magazines, mas entediada com o calor no areal que desfazia os pés; filha de mãe gringa e pai carioca, miúda high fucking maintenance, pronta a abandonar a sobrelotação das areias do Leblon - uma aristocracia de sunga e mamas turbinadas, herdeiros privilegiados do antigo sistema esclavagista com empregados para tudo e mais qualquer coisa, gente geneticamente apurada, nota 10 para a maioria dos corpos malhados no ginásio e abençoados pela sacanagem tropicalista. O Rio vai do erótico ao pornográfico em menos de uma tarde de praia seguida de chopp e cachaça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro não foi amor. Foi tesão mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thais foi-me apresentada por Fred, um português no Rio sem eira nem beira mas que tinha a habilidade dos malandros: seduzia, encantava, entretinha qualquer festa ou boteco às quatro da matina. E a mulherada achava aquele sotaque português, de génio adiado e biscateiro sobrevivente, uma gracinha. Fred passou-me o cigarro de maconha, enchi os pulmões e rodei o tubinho da paz na direcção de Thais, que se levantou e disse: "Fumei as drogas que tinha que fumar até aos 18 anos." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thais era mimada e de certeza tinha lido autores malditos antes dos 16. Falou como quem ordena: "Você seria destemido o suficiente para me acompanhar num passeio?" Talvez fosse da cerveja ou da cannabis erectus, mas quis beijá-la como se tivéssemos acabado de sobreviver a um naufrágio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Calçadão &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por nós passavam os atletas da corrida e das bicicletas e dos skates e dos patins em linha. Pessoas com pouca roupa, homens musculados como halterofilistas, depilados na integra como strippers. Mulheres com bundas de namorada de surfista, rabos-de-cavalo e leitores de mp3 presos no braço. Tanta pele, suor e exercício físico deixaram-me ainda mais inquieto junto de Thais - ela cheirava a creme, a mar, a feromonas magnéticas. Estava cada vez mais apanhado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicou-me as tribos da praia. Mesmo em frente do coqueirão, no posto 9, estava a galera cool e muito jovem que fuma baseados como quem come guloseimas. Mais adiante, antes do posto 8, uma multidão com abdominais definidos e tatuagens, quase todos homens, quase todos gays. Chegámos ao Arpoador. Sentámo-nos na esplanada do Azul Marinho e pedimos caipirinhas. Estávamos em cima da praia e o sol começava a baixar e havia ondas para fazer carreirinhas. Peguei no bloco de notas e escrevi: carreirinhas=pegar jacaré. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thais: "Está escrevendo poemas de amor?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: "Poesia é coisa de viado." Escrevi: viado=paneleiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thais: "Lista de supermercado?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: "Estou a fazer uma lista de palavras que são diferentes aqui e em Portugal."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thais chupou a cachaça e o sumo de lima pela palhinha, olhou por cima dos óculos escuros que escorregavam para a ponta do nariz: "Diz umas para mim, vai." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: "Nós dizemos palhinha, vocês canudinho."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thais: "Mais." Enquanto eu lia do meu bloco de notas, ela passou do sorriso para a gargalhada. Atacador=cadarço, retrete=vaso, lixívia=água sanitária, estendal=varal, cuecas de mulher=calcinha, imperial=chopp, charro=baseado, broche=boquete, alfarrabista=sebo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thais: "Vamos cair na água?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrámos no mar, o meu corpo abandonado ao turbilhão das ondas, espuma na cara, uma perna raspando no fundo de areia, o ardor da ferida, a alegria de aparecer na superfície, depois de um mergulho, e olhar a praia - Ipanema, Leblon, morro Dois Irmãos, favela do Vidigal, tudo mais bonito por causa da película de luz, caipirinha, maconha e água salgada. Fiz carreirinhas. Thais pegou jacaré. Podíamos ser felizes na praia, com filhos hippies e dieta de fruta. Sempre fui romântico antes de tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Urca&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Thais trouxe copos e uma garrafa de cerveja Original, gelada como manda a lei dos botecos. Estávamos sentados no muro, ao lado do quartel, pasmados com o céu azul e cor-de-rosa atravessado por aviões que piscavam luzinhas sobre a baía de Guanabara. Thais tinha fome e pedi comida no Bar Urca: bolinho de bacalhau, de camarão, sardinhas fritas. Mais uma garrafa de Original. Era de noite quando ela me estendeu a mão: "Quer pegar um ônibus?" Foi a primeira vez que nos tocámos. Mais tarde escrevi no bloco como numa biografia: "Urca: onde tudo começou." Acrescentei: "Bom spot para encontros amorosos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Chopp &amp; Cachaça &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nestas noites é tudo muito rápido. Estávamos no Astor, junto da praia, Thais passando à frente da fila - "Meus amigos estão lá fora" -, avançando pela multidão de gente aprumada e colorida, empregados de farda e bandejas com cerveja. Roubei um chopp no balcão e vi o Fred a sair da casa de banho. Uma morena sorriu-me como se me desse o número de telefone. Tropecei nas havaianas e espalhei-me no meio da sala. Fred bateu palmas. Thais mandou-me um beijo. Levantei-me e fiz uma vénia. Um homem apaixonado não tem medo do ridículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa, lá fora, estavam os amigos de Thais e pratos com ostras e mexilhões, empadinhas de camarão, mignon aperitivo. Os chopps não tinham chegado ao fim e já apareciam mais. Eu, culpa da larica maconheira, pedi um hambúrguer de picanha. Fred mandou vir cachaça para todos: "Tem Valverde?" Depois veio uma rodada de Salineira e outra de Magnífica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thais disse: "Vou tomar um banho, mudar de roupa. Nos vemos mais tarde." E saiu de mão dada com duas amigas. Fred deu--me uma cachaça: "Dá para pagares o meu jantar? Fazemos contas amanhã. Valeu, brother." Em seguida apontou para a praia como se tentasse vender um carro que eu já tinha comprado: "Continua lindo, não continua? Vamos arrancar para o Jobi."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thais apareceu no Jobi com um vestidinho coquete e uma trança e as duas amigas como guarda pretoriana. Levou- -me para a casa de banho, beijou-me e na língua havia um comprimido. Eu disse: "Presumo que não seja para as dores de cabeça." Thais apontou para cima da retrete: "Como se diz isso em Portugal?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Autoclismo." Autoclismo=descarga. Riu muito. O ecstasy que tomou antes de mim fazia efeito. Eu disse: "Pensei que não consumisses drogas." Thais pôs-me a mão na boca: "Just feel the love." Não há coração vadio que aguente. Thais, meu amor químico, incoerente, devassa e suspeita de gostar de mulheres. Saiu com as amigas, deixou-me um endereço no bairro do Humaitá e um "Passa lá mais tarde". Fred apresentou-me ao dono do Jobi, boteco clássico, propriedade do senhor Narciso e irmão, portugueses de Penafiel. Falámos de bola. Bebemos mais e Fred perguntou: "Tens guita para o táxi? Vamos lá à festa." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a minha memória não me permite mais que caras desbotadas, revelo apenas que curti com Thais como um adolescente no sofá com os pais em viagem, que ela foi várias vezes à casa de banho com as amigas, que uma delas entornou um copo na minha braguilha e que acordei a olhar para o Cristo Redentor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na janela vi o verde da selva no morro e o sovaco do Senhor Jesus de braços abertos lá em cima. Não estava sozinho. Fred fazia colherzinha comigo. Dei-lhe um tabefe: "Deixa de ser bicha." Fred abriu os olhos desidratados e lamentou o regresso ao mundo dos atormentados pelo calor: "Puta que o pariu." Acendeu um cigarro e "Bora pequeno-almoçar?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sábado&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Café da Manhã &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paguei o táxi que nos levou do Humaitá ao Leblon. Já havia fila para o Cafeína, o Garcia &amp; Rodrigues, o Talho Capixaba. Fred arranjou mesa na esplanada da padaria Rio Lisboa. Pedi café com leite, pão na chapa, suco de laranja. Fred disse: "Não tenho pachorra para a turminha do brunch com os seus jornais e famílias pipoca." Li outra vez o bilhete que Thais deixara no bolso das minhas calças: "Santa Teresa, almoço no Mineiro, 16h00. Tem saudades?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fred disse: "Vamos curar a ressaca." Em menos de cinco minutos estávamos a dar mergulhos. No roteiro da recuperação seguiu-se água de coco e suco de melancia no Polis Sucos. Fred disse: "Vamos tomar um duche, tenho umas amigas que te querem conhecer." Fred, o manipulador: "Pagas o suco que eu vou carregar o telemóvel?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Santa Teresa e samba na Lapa &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Saímos da praia com as amigas de Fred. Uma paulista advogada, sardenta e feroz tirou-me o telemóvel da mão e gravou o seu número: "Se passar em São Paulo pode ligar." Ela queria saber quem eu era, fez perguntas, encostou-me. Apresentei o show da minha cronologia pessoal: estudei na faculdade, fiz horas extraordinárias no emprego sem estrebuchar, sequei o cabelo, tive carro, comprei roupa em Londres, visitei o Louvre, aparei os pêlos púbicos, li metade de um livro do Paulo Coelho. Dois meses antes de chegar ao Rio o meu chefe propôs um acordo: "Downsizing, sabes como estão as coisas, nada de pessoal, ainda levas algum contigo." Estava farto do sistema e do regime e das manchetes dos jornais. O meu plano não tinha funcionado. O plano dos meus pais para mim não tinha funcionado. Depois de uma semana a ver programas no Travel Channel e no National Geographic, vendi o carro, larguei a casa e fui para a América do Sul. Rebeldia fora de horas. Hedonismo tardio. Desta vez não tinha destino nem vontade de chegar a algum lado. Se é para andar sem rumo que seja para curtir - assim de simples. Os ricos que paguem a crise. Fuck you very much. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Santa Teresa havia fila no Mineiro. Thais estava outra vez aborrecida, mais interessada no iPhone que nas minhas mãos carentes. O namoradinho electrónico deu, por fim, notícias. Ela leu a mensagem e disse: "Tenho uns amigos almoçando no Espírito Santa, é aqui do lado." Fui atrás, esperançoso, palerma, canídeo. Fred ficou no Mineiro com as amigas, olhou para a paulista, para a Thais, avisou: "Estás a apostar no cavalo errado." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thais passou de menina birrenta a diva adorada assim que entrou na varanda do restaurante. Na mesa havia moqueca de banana, peixe de rolo, namorado da sereia. Bebi, comi e pensei que podia ficar naquele bairro de casas estioladas, com o som do bondinho despejando turistas, uma Lisboa tropical, baterias em vez de guitarras, mulatas e gringos e cerveja de garrafa bebida na rua. A vida seria cada vez melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas lá estavam as duas amigas de Thais, vigilantes e empenhadas em oferecer abracinhos, mãos dadas, vem cá Thais para te darmos um beijo. Escrevi no bloco: xôxo=selinho, mulheres bi=gillette, noite louca=balada. Fred apareceu ao fim da tarde com as amigas (a paulista) e anunciou: "Vai rolar balada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite dentro pela Lapa: andar na rua com carros da polícia, putas, travestis na esquina sentados num banquinho como os plastificadores de documentos no Rossio, malta sem t-shirt, muita bebedeira, a inevitabilidade de mover o corpo assim que começa o samba num desses bares com sobre- aquecimento, roça roça e música ao vivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas mais tarde, Thais abraçou-me a pedir colo, fraca nos joelhos e com as havaianas na mão: "Quero a minha cama." No táxi dormiu e respirou no meu pescoço. Em casa levei-a para o duche e lavei- -lhe os pés encardidos do samba descalço. Ela disse: "Não vai embora para Portugal amanhã, fica mais um tempo." Sobre o sexo em países tropicais, com ventilador no tecto e humidade nos lençóis, tenho a dizer: todos deveriam experimentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Domingo &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Thais vivia no Baixo Gávea e saí para comprar o pequeno-almoço. Espreitei o jornal enquanto esperava pelos sucos. Domingo com 32 graus de máxima. Estava pronto para mudar a viagem e fazer praia, talvez passar na Academia da Cachaça, um banho nocturno no Arpoador com a minha namorada carioca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei em casa e Thais dedilhava o iPhone na sala. Demorou a perceber que estava ali um tipo à espera de qualquer coisa. "Tenho de me arrumar. Brunch com as minhas amigas no Jardim Botânico." O coração vadio parecia um bonequinho de peluche assustado. Ficou ainda mais mariquinhas quando ela avançou para o quarto e, sem olhar para trás, perguntou: "A que hora mesmo é o seu voo? Tem de sair uma hora antes pelo menos por causa do trânsito." Bye bye amor carioca. 20 minutos depois entrei no apartamento do Fred.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou aqui para enganar ninguém. Fiquei fodido, melancólico, um soco na barriga, o chão a fugir, vontade de partir para a bebedeira directa e para o flirt dos botecos com transa como bónus track. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fred, o guru da auto-ajuda, disse: "Conheces a gaja há dois dias e já tens nomes para os filhos? Isto não é uma novela. Era suposto esta viagem fazer-te bem à cabeça. Relaxa e aperta aí um." Enrolei mas não fumei. Continuou: "Man, eu sou um pouco safajeste, mas, foda-se, a malta hoje quer tudo agora, mimados do cacete. Vivem na superfície das redes sociais e porque trocam um vídeo e gostam do mesmo filme já são Romeu e Julieta. Puta que o pariu mais à internet e ao Estado social e ao cabo e aos hiperactivos do sofá e aos sms eróticos. Toda a gente confunde emoções com sentimentos e quer viver com banda-sonora e filhos loiros. Escuta as palavras do mestre Zeca Pagodinho: deixa a vida te levar." Fred, filósofo contemporâneo de pacotilha, fumador de maconha antes do meio--dia, realinhou os genitais nos boxers e expeliu fumo para o tecto: "Vamos para a praia."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os corações vadios têm um extraordinário poder de recuperação. Liguei à paulista: "Estou a pensar ir a São Paulo uns dias." No bloco de notas escrevi: sempre fui um romântico antes de tempo. Depois sublinhei a frase "Não foi amor. Foi tesão mesmo."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-1978692544002834686?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/1978692544002834686/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=1978692544002834686' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1978692544002834686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1978692544002834686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/02/romantismo-tropical-contemporaneo.html' title='Romantismo tropical contemporâneo'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-_7NlKZiCi2g/TWJE0LS05QI/AAAAAAAAAic/3M5EQ9JPetk/s72-c/rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-2245515624408932250</id><published>2011-02-21T10:37:00.002Z</published><updated>2011-02-21T10:43:20.789Z</updated><title type='text'>Sobre o lanche</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-f9oRpWLS53E/TWJBwJIlLTI/AAAAAAAAAiU/RcSBE_TqVvA/s1600/ucal.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 136px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-f9oRpWLS53E/TWJBwJIlLTI/AAAAAAAAAiU/RcSBE_TqVvA/s200/ucal.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576091583979531570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;crónica no i, é só voltar a &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/105673-sobre-o-lanche"&gt;clicar&lt;/a&gt;. estou de volta ao blog.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-2245515624408932250?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/2245515624408932250/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=2245515624408932250' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/2245515624408932250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/2245515624408932250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2011/02/sobre-o-lanche.html' title='Sobre o lanche'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-f9oRpWLS53E/TWJBwJIlLTI/AAAAAAAAAiU/RcSBE_TqVvA/s72-c/ucal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-4621364905857762610</id><published>2010-12-22T14:53:00.003Z</published><updated>2010-12-22T14:57:52.654Z</updated><title type='text'>Crónicas tropicais, no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TRIR6683PwI/AAAAAAAAAiE/AMCm0dw3z5w/s1600/rio-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 140px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TRIR6683PwI/AAAAAAAAAiE/AMCm0dw3z5w/s200/rio-1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553520994455863042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Final de semana carioca&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tudo muito rápido e assim que chegas já estás utilizando o gerúndio sem te dares conta e entre a casa e a praia já bebeste um chopp e há uma agitação de vendedores ambulantes, vapores de gasolina, um machete decapitando um coco com água de gelar o céu-da- -boca. Depois há cervejas na praia, o cheiro da maconha fumada por rapazes que não usam sunga e que talvez tenham profissões artísticas e se desloquem em bicicletas. Em seguida estás num lugar com mais gente e é de noite e os morros iluminados ficam mais bonitos por causa das lentes da cachaça e o teu amigo diz-te, numa festa no Centro, que nunca pensou que as brasileiras fossem tão altas. Dormes pouco e acordas cedo porque a ventoinha no tecto produz um barulhinho bom, mas não refresca. Sais para a praia e no final do dia, num terraço onde se viam urubus planando sobre os prédios, tiveste a certeza que a combinação cachaça &amp; chopp é remédio para a felicidade. No dia seguinte: praia, feijoada, cerveja e cachaça até que a noite apareceu e no Rio podes entrar no mar sem a histeria de um sequestro. É tudo muito rápido, os dias têm a mesma intensidade das semanas em que foste feliz e a presença constante de uma suspeita: mudar de vida é mais fácil do que parece. Porque estás num lugar tão esplendorosamente novo percebes que aqui só um masoquista ficaria deprimido. Talvez não haja nenhuma lição a tirar destes dias que parecem música. Mas quando caminhas para a praia e um dos quiosques passa "Beija eu", de Marisa Monte, sabes que viver com música também é remédio gostoso para a felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O senhor Fernandes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era de noite e na esplanada do Arpoador respirava-se a espessura da maresia quando encontrei o senhor Fernandes por acaso. Mais um evento inesperado na improbabilidade dos dias cariocas. O senhor Fernandes: escritor diário de crónicas num jornal português, executor de textos que, em Lisboa, enquanto tomo o pequeno-almoço, me põem a pensar, a sorrir, a querer escrever melhor. Há muitos anos, numa redacção, o senhor Fernandes disse-me: "Se as histórias são grandes, as palavras têm de ser pequenas." Quando o informei de que ia viver para os Estados Unidos, país que o senhor Fernandes descobriu (e sobre o qual escreveu) em longas viagens de carro, não falou como jornalista conselheiro de repórteres inexperientes, mas olhou-me com a compreensão do jovem adulto e inquieto que também saiu do seu país para viver em França, onde tinha o ofício da descoberta e de passear cães de gente com dinheiro. Com vista para o morro Dois Irmãos, tão luminoso como uma nuvem de pirilampos, o meu encontro com o senhor Fernandes parece, pelo menos na minha cabeça, retirado de um romance tropical de Graham Greene. Em vez de entre espiões ou homens destroçados pelo amor, este encontro no Rio é entre apreciadores de histórias. Falamos um pouco e trocamos piadas. Quando ele se afasta pelo calçadão estou certo que nesta cidade tenho pela frente muitas histórias e o senhor Fernandes foi enviado para me transmitir, mesmo sem o mencionar, uma verdade que não posso esquecer: se as histórias são grandes, as palavras têm de ser pequenas.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Samba do atropelamento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapaz, saí de Portugal há 15 anos e todos os dias tem tragédias românticas nesta cidade, não se assuste não, é assim mesmo, tem mais novela das oito no meu bairro que na televisão, mais mulher perigosa que arma ilegal, mais homem comilão que chuva de fim de tarde. Nesta cidade se ama com a mesma fúria dos bandidos. Amor mata mais que cachaça, pó e bala perdida. Eu não estava aqui na hora da desgraça, mas disseram que a garota era filha única com faculdade nos Estados Unidos e o rapaz era gringo, um desses turistas que em vez de procurar sexo com putinhas bonitinhas prefere buscar o amor, a paz de espírito e uma saída para o pessimismo chuvoso dos boletins psiquiátricos da Europa. Não se ofenda não, eu posso ter esse sotaque meio-meio, mas sou português de Chaves, e você é que perguntou o que aconteceu, só estou contando. O rapaz era músico e tinha viajado para São Paulo e quando voltou ela já não queria ser a inspiração do artista e estava saindo com um advogado de celebridades. Uma garota linda, cara de menina de colégio que virou escritora mas que podia ser actriz da Globo. Ela estava no mercado. Ele estava cruzando a rua, com certeza para lhe falar da importância do amor romântico, das sestas tropicais e de um final de semana de bagunça erótica e promessas de amor agora escangalhadas para sempre. Tenha cuidado, quando cruzar a rua por causa de uma mulher, olhe para ver se vem um ônibus. Não leu no jornal? Este ano já foram atropeladas mais de mil pessoas nesta cidade. E quantas delas não terão morrido por causa de um impulso amoroso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Malandro nunca mais&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ele conhece a arte de consertar e limpar armas e nasceu na favela do Cantagalo: "Não deu tempo de descer, a minha avó foi a minha parteira." Mas ele também é graffiter e rapper e percebe a importância do acaso: "No ano passado, minha avó teve uma embolia e morreu nos meus braços." Ele chama-se ACME e subimos a favela espremidos entre paredes de tijolo e cimento que parecem cuspidas na cara pela humidade verde da selva.Houve um tempo em que ACME aproveitou o ofício de armeiro militar para servir traficantes. Pergunto se era perigoso e ele espanta-se como se eu tivesse perguntado de onde vêm os bebés: "Eu recebia cinco fuzil, ficava com eles em casa." Tinha medo dos polícias. E dos traficantes: teve de convencer um bandido de que uma espingarda já chegara às suas mãos com defeito: "Era um fuzil de 20 mil reais."&lt;br /&gt;ACME cheirava pó: "Tinha pesadelos que entravam em minha casa para me pegar. Sempre gostei de desenhar e não estava conseguindo mais." Deixou as drogas, meteu-se na igreja, casou, é director do Museu da Favela e vive do seu trabalho artístico. Há menos de um ano a polícia invadiu o morro e capturou o rei traficante. Hoje as autoridades consideram esta favela pacificada. Continua a haver tráfico mas acabou o terror dos caprichos dos bandidos da pesada: "Se você vacilava levava um tiro na mão." Mas ACME sabe que a regeneração é trabalho para durar.&lt;br /&gt;Viver na favela só pode ser - e aqui não existe outro adjectivo possível - fodido. E é por isso que não sou capaz de perguntar: "Quantas pessoas terão morrido com as armas que limpaste?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-4621364905857762610?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/4621364905857762610/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=4621364905857762610' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4621364905857762610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4621364905857762610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/12/cronicas-tropicais-no-i.html' title='Crónicas tropicais, no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TRIR6683PwI/AAAAAAAAAiE/AMCm0dw3z5w/s72-c/rio-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-8989553069366442290</id><published>2010-12-13T12:52:00.002Z</published><updated>2010-12-13T12:55:06.013Z</updated><title type='text'>O poeta callboy</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TQYXlFM5c0I/AAAAAAAAAh8/FoeCPcEnAfA/s1600/conto.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 112px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TQYXlFM5c0I/AAAAAAAAAh8/FoeCPcEnAfA/s200/conto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5550149516599587650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Conto sobre amores prostitutos, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/93454-o-poeta-callboy"&gt;no i&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-8989553069366442290?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/8989553069366442290/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=8989553069366442290' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8989553069366442290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8989553069366442290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/12/o-poeta-callboy.html' title='O poeta callboy'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TQYXlFM5c0I/AAAAAAAAAh8/FoeCPcEnAfA/s72-c/conto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-3075835776468098848</id><published>2010-11-30T19:47:00.002Z</published><updated>2010-11-30T19:50:41.002Z</updated><title type='text'>Supermercado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TPVVgG00eHI/AAAAAAAAAh0/Rz3p5w_j4K8/s1600/supermarket.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 156px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TPVVgG00eHI/AAAAAAAAAh0/Rz3p5w_j4K8/s200/supermarket.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545432526252963954" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma ida às compras &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/91308-supermercado"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-3075835776468098848?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/3075835776468098848/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=3075835776468098848' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3075835776468098848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3075835776468098848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/supermercado.html' title='Supermercado'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TPVVgG00eHI/AAAAAAAAAh0/Rz3p5w_j4K8/s72-c/supermarket.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-8555348639150785324</id><published>2010-11-29T17:33:00.003Z</published><updated>2010-11-29T18:00:33.542Z</updated><title type='text'>Duas crónicas de outono</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TPPn-T6JhdI/AAAAAAAAAhs/ZoB7YelIZds/s1600/Outono.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TPPn-T6JhdI/AAAAAAAAAhs/ZoB7YelIZds/s200/Outono.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545030623905285586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fado de Outono&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na praça da cidade montam um carrossel e cruzo-me com os miúdos pequenos nalguma visita de estudo, as professoras atentas como sentinelas de uma manada de crias, dois a dois e de mãos dadas, a idade de quem acabou de perder os dentes da frente, uma daquelas tardes sem cor no céu e com o vapor de transpiração infantil nas janelas embaciadas da sala de aula, exactamente como quando na segunda classe a Sónia de olhos azuis e franja de escandinava estragou uma das minhas canetas de feltro molin – logo a vermelha, num estojo de 12. Quando fosse grande como o meu irmão, dizia a minha mãe, receberia um estojo de 48 canetas que parecia um órgão com teclas a tripar LSD. Sónia, se te dei um pontapé na canela foi porque gostava demasiado de ti – quando fazias um desenho a ponta da tua língua equilibrava-te, apertando-se entre os lábios cor de melancia sem sementes. Sónia, se fui mandado para a rua e te deixei a chorar, foi porque desde o primeiro período da Infantil que queria encostar a minha boca nas tuas bochechas cor-de-rosa, tão quentes e pegajosas como a sala de aula naquela tarde, e tu nunca sequer suspeitaste. Sónia, agora que passou tanto tempo, agora que os outros miúdos estão no recreio e nós de castigo, presos na idade adulta, não chores mais porque o rimmel que usas não é à prova de prantos. Sónia, não podia ser mais importante: deixa que a minha boca sinta a tua pele de fim de tarde e prometo-te que um dia vou ter um estojo com 48 canetas de feltro. A vermelha é para ti.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Comer, odiar, amar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem mastiga um panado como quem aspira a saliva por um tubo no dentista. O barulho húmido da carne de porco roça nas gengivas. Penso: um porco a comer um porco. Mais tarde, bebe um café coberto por espuma de leite. O seu bigode assemelha-se a natas pegajosas boiando na caneca. No final, palita os dentes, uma actividade que deveria ser tão solitária como espremer pontos negros. Noutro sítio, noutro lugar, ela tinha olhos de praia e a primeira vez que nos sentámos fazia calor. Por vezes, ela deixava a colher descansar sobre a língua, a boca fechada, o gelado derretendo no calor da saliva silenciosa. Ela era tão doce e suave e necessária como um cone de bolacha com morango e limão. Comer junto de outras pessoas pode ser incómodo ou reconfortante, asqueroso ou lascivo, mau para os nervos ou bom para o caminho da paz. Se um dos meus irmãos se punha a molhar o pão com manteiga no café com leite eu odiava-o, sugeria que o dessem ao Homem do Saco. Mas, muitos anos mais tarde, se a filha dela, que também tinha olhos de praia, se punha a comer bolo de chocolate como quem esfrega protector solar na cara, eu tinha um ataque de riso e queria apertá-la contra mim. Diz o senso comum e os manuais de auto-ajuda que só odiamos ou amamos aquilo que realmente nos importa. Comer não é apenas abastecer o corpo. E o estômago, acreditem, pode ser muito mais sensível que o coração. Felizmente, há sempre a esperança que para cada comedor sonoro de suínos panados haja uma miúda de cabelo amarelo com uma máscara de chocolate.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-8555348639150785324?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/8555348639150785324/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=8555348639150785324' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8555348639150785324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8555348639150785324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/duas-cronicas-de-outono.html' title='Duas crónicas de outono'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TPPn-T6JhdI/AAAAAAAAAhs/ZoB7YelIZds/s72-c/Outono.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-3162692181025566857</id><published>2010-11-28T18:38:00.001Z</published><updated>2010-11-28T18:40:29.310Z</updated><title type='text'>Love is all about timing and so it is the end of it</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/u5QcXk7X9ms?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/u5QcXk7X9ms?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-3162692181025566857?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/3162692181025566857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=3162692181025566857' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3162692181025566857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3162692181025566857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/love-is-all-about-timing.html' title='Love is all about timing and so it is the end of it'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-8900048296676857502</id><published>2010-11-24T15:31:00.002Z</published><updated>2010-11-24T15:34:48.296Z</updated><title type='text'>Basta!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TO0wkxj1TkI/AAAAAAAAAhc/FLaL-4_ncW8/s1600/greve2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 136px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TO0wkxj1TkI/AAAAAAAAAhc/FLaL-4_ncW8/s200/greve2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5543140124700003906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A greve na crónica do i, é clicar neste &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/90242-vai-mas-e-trabalhar"&gt;clicar.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-8900048296676857502?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/8900048296676857502/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=8900048296676857502' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8900048296676857502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8900048296676857502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/basta.html' title='Basta!'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TO0wkxj1TkI/AAAAAAAAAhc/FLaL-4_ncW8/s72-c/greve2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-7946794531331786595</id><published>2010-11-23T15:53:00.004Z</published><updated>2010-11-23T15:56:48.144Z</updated><title type='text'>Triologia de crónicas numa semana estranha</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOvjwPOyTeI/AAAAAAAAAhU/GAs8TYW1UZE/s1600/noir.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 193px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOvjwPOyTeI/AAAAAAAAAhU/GAs8TYW1UZE/s200/noir.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542774184271302114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Filme noir&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;﻿Ray Cortese chegou a Lisboa uma semana antes do prazo de execução do contrato. O agente dera-lhe as indicações do serviço. Ficaria num quarto de pensão na Praça da Figueira, levantaria a encomenda numa pastelaria do Martim Moniz, não frequentaria mulheres ou copos de whisky. Ray Cortese: filho de emigrantes portugueses em Newark, duas comissões no Iraque como atirador especial, inclinação para apostar em cavalos errados, amigo de agiotas e strippers latinas. Para pagar as dívidas e a hipoteca da casa dos pais começou a trabalhar com um agente de Long Island. Este era o primeiro trabalho fora de fronteiras e escolheram-no por causa do seu português de segunda geração: "Bom noite, querer saber casa de fados. Ya know, Amália and Marceneiro." Ray crescera a ouvir o pai a cantar a "Casa da Mariquinhas". O agente tinha-lhe dito: "Não uses esse teu chapéu de Boggart, dá muito nas vistas." Em Lisboa, por causa da cimeira, havia mais polícias que mulheres bonitas. Na noite antes do serviço, Ray foi ouvir fados e acabou na cama com Rosa Maria, fadista galdéria e amante de turistas generosos. Quando acordou ela já não estava. E a encomenda com balas e silenciador também não: "Fucking cunt from hell." Mas ela apareceu minutos depois com o pequeno-almoço: "Não faças o que te mandaram fazer." Hoje há um chefe de Estado que deve a vida a uma fadista. O que poderia ter sido um atentado transformou-se num casamento marcado para o dia de Santo António. Ray e Rosa vivem numas águas-furtadas na Pena. Talvez sejam felizes para sempre.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Filme noir II&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Amável de Jesus, polícia na cidade de Lisboa, acordou quando os candeeiros públicos ainda iluminavam a rua e apanhou o autocarro. No primeiro dia da cimeira da Nato, vestido com um colete laranja por cima da farda, viu passar o trânsito mas nenhum dignitário internacional. Amável de Jesus: detentor de um coração amarfanhado e abandonado pela fadista Rosa Maria, leitor de jornais desportivos, comedor solitário da sopa do dia numa casa de pasto, cidadão que não conseguia perceber os mercados internacionais, os gastos chupistas do governo da Madeira ou a antecipação da entrega de lucros, por parte de grandes empresas nacionais, a fim de fugirem ao aumento de impostos no próximo ano. No final do turno, Amável regressou ao apartamento sem cortinados ou aquecimento central e meteu uma lasanha congelada no forno. Seria um fim-de-semana sem jogo do Benfica e, com a televisão escangalhada, não podia sequer ver as séries de polícias - em tempos, por causa de um Sherlock Holmes televisivo, Amável sonhou ser detective mas acabou a ver passar carros na estrada com um apito na mão. Nessa noite, metido nos lençóis que pareciam feitos de granito, mandou um sms a Rosa Maria. Ela não respondeu. De manhã não foi trabalhar. Em vez da farda vestiu roupa preta e foi juntar-se a uma manifestação anti-qualquer coisa. Os seus colegas de profissão não o reconheceram. Não houve bastões castigadores nem cocktails molotov nem nada que pudesse compensar o seu anonimato aborrecido. Voltaria a ser polícia. E o dia seguinte seria igual a todos os outros dias. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Filme noir III&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fátima Libério começou a guiar o táxi quando uma embolia cerebral congelou metade do marido, taxista e poeta popular, deixando-o a comer papas diante da televisão a preto-e-branco do quarto. No táxi, Fátima ouvia as notícias na rádio, telefonava para os fóruns, contava muitas vezes como a sua mãe distribuíra cravos na manhã de 25 de Abril de 1974. No primeiro dia da cimeira da NATO, Fátima sentiu uma pontada nos rins, apanhou menos clientes e foi mandada parar por um polícia que, embora se tivesse apresentado como Amável de Jesus, lhe passou uma multa porque um passageiro fumava dentro do táxi. Fátima disse ao polícia: "Não me faças ir para a rua gritar." Fátima: um ventre danificado e sem filhos, lavadora de escadas e vendedora de rissóis para fora durante anos, ia ao cabeleireiro uma vez por mês, fazia umas iscas de prémio gastronómico mas não tinha audiência, o marido não podia mastigar. Nos dias da cimeira o taxímetro trabalhou pouco. O negócio estava mau. E os boletins meteorológicos da contestação anunciavam uma greve geral. Nem metro, nem autocarros, nem comboios. "Mais pessoas a apanhar táxis", dizia a minoria de taxistas-copo-meio-cheio, gente que ainda não sofria de amargura ou hérnias discais. Mas Fátima não quis aproveitar a oportunidade. No dia da greve deu banho ao marido, foi ao cabeleireiro pela segunda vez em 30 dias e deixou o táxi parado. Foi para a rua gritar. Mesmo em crise, há coisas que o dinheiro não compra&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-7946794531331786595?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/7946794531331786595/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=7946794531331786595' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7946794531331786595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7946794531331786595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/triologia-de-cronicas-numa-semana.html' title='Triologia de crónicas numa semana estranha'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOvjwPOyTeI/AAAAAAAAAhU/GAs8TYW1UZE/s72-c/noir.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-3806424443863336239</id><published>2010-11-20T14:02:00.000Z</published><updated>2010-11-20T14:03:25.095Z</updated><title type='text'>Carta ao pai Natal</title><content type='html'>&lt;object width="400" height="225"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true" /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always" /&gt;&lt;param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=16851734&amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;show_title=1&amp;amp;show_byline=1&amp;amp;show_portrait=1&amp;amp;color=&amp;amp;fullscreen=1&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;loop=0" /&gt;&lt;embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=16851734&amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;show_title=1&amp;amp;show_byline=1&amp;amp;show_portrait=1&amp;amp;color=&amp;amp;fullscreen=1&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;loop=0" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="400" height="225"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://vimeo.com/16851734"&gt;Take It Easy 'Dear Santa Claus'&lt;/a&gt; from &lt;a href="http://vimeo.com/user1856813"&gt;Marco Espirito Santo&lt;/a&gt; on &lt;a href="http://vimeo.com"&gt;Vimeo&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-3806424443863336239?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/3806424443863336239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=3806424443863336239' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3806424443863336239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3806424443863336239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/carta-ao-pai-natal.html' title='Carta ao pai Natal'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-4769186281774027210</id><published>2010-11-20T12:00:00.001Z</published><updated>2010-11-20T12:02:18.269Z</updated><title type='text'>História de amor, crónica no i</title><content type='html'>&lt;object width="640" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/LMFbp_t7h_A?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/LMFbp_t7h_A?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pilar debruça-se para executar alguma tarefa caseira, o seu corpo entre o computador e José, nunca um obstáculo, o seu corpo dobrado e José dando-lhe uma palmada malandra no rabo, depois o nariz do escritor encostando-se na pele das costas da sua mulher. Ou a voz espanhola de Pilar lendo um livro de Saramago, sobreposta na voz portuguesa de José - é um artifício da montagem do filme "José e Pilar", mas é também a vida real, duas vozes coladas uma na outra, duas línguas entrelaçadas como as mãos que se agarram várias vezes durante a vida e durante um documentário que merece todos os elogios. O tempo aperta e a doença reduz a voz do escritor, ameaçando-o com a morte, com a impossibilidade de escrever mais, de amar ainda mais. Saramago tem muita graça, mesmo muita, como quando, cansado da correria mediática, propõe a história do escritor que mata jornalistas em série. São um casal: Pilar e José discordam um do outro no banco traseiro do carro ou discutem por causa de Hillary e Obama. São um par de namorados: ela apoia-se na porta do quarto de hospital de José, triste e irritada com os jornais que querem escrever um obituário precoce; ele diz: "Se eu tivesse morrido antes de conhecer Pilar teria morrido muito mais velho." Talvez só o amor impeça a morte. Talvez por isso José diga que quer que Pilar o continue. O escritor que vivia desassossegado e escrevia para desassossegar também diz, sozinho e apaixonado, para a câmara: "Pilar, encontramo-nos noutro sítio." E nós acreditamos, nós só podemos acreditar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-4769186281774027210?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/4769186281774027210/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=4769186281774027210' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4769186281774027210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4769186281774027210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/historia-de-amor-cronica-no-i.html' title='História de amor, crónica no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-7459311710403699320</id><published>2010-11-20T11:56:00.002Z</published><updated>2010-11-20T11:59:58.987Z</updated><title type='text'>Diário de um tatuador</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOe4NBo6mwI/AAAAAAAAAhM/k0z_xy4mwzI/s1600/tatoo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 112px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOe4NBo6mwI/AAAAAAAAAhM/k0z_xy4mwzI/s200/tatoo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541600400420543234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;História de uma tatuagem e de um tatuador que já foi mórmone, para ler &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/89515-diario-um-tatuador-dos-mormones-salt-lake-city-ao-estoril"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-7459311710403699320?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/7459311710403699320/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=7459311710403699320' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7459311710403699320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7459311710403699320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/diario-de-um-tatuador.html' title='Diário de um tatuador'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOe4NBo6mwI/AAAAAAAAAhM/k0z_xy4mwzI/s72-c/tatoo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-4071013754827773428</id><published>2010-11-16T23:59:00.003Z</published><updated>2010-11-17T00:02:14.177Z</updated><title type='text'>Três crónicas no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOMZQGkxsVI/AAAAAAAAAgs/TxSGa1w5viY/s1600/adeus.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOMZQGkxsVI/AAAAAAAAAgs/TxSGa1w5viY/s200/adeus.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5540299731029307730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/88492-testiculos-bronze"&gt;Testículos de bronze&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/88285-fado-da-sina"&gt;Fado da Sina&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/88098-obituario-um-adeus"&gt;Obituário de um adeus&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-4071013754827773428?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/4071013754827773428/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=4071013754827773428' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4071013754827773428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4071013754827773428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/tres-cronicas-no-i_16.html' title='Três crónicas no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOMZQGkxsVI/AAAAAAAAAgs/TxSGa1w5viY/s72-c/adeus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-6351130153321404252</id><published>2010-11-16T23:59:00.002Z</published><updated>2010-11-17T00:01:29.539Z</updated><title type='text'>Respira fundo, crónica no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOMbUAuPalI/AAAAAAAAAhE/ctl76RwpFuQ/s1600/bed.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 133px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOMbUAuPalI/AAAAAAAAAhE/ctl76RwpFuQ/s200/bed.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5540301997201123922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Porque é fim-de-semana e tens sentido a tristeza gasta de um falhado, sai da cama devagar, abre as janelas e toma um bom pequeno-almoço – omelete de tomate, laranjas espremidas com as mãos, pão alentejano no consolo da torradeira. Depois, quente e preguiçoso, regressa aos lençóis frescos, encontra o teu sítio na almofada e se tiveres a fortuna de poder beijar alguém, pousa primeiro os lábios na curva entre o ombro e o pescoço. Então, ataca, mas que sejas leve, que tenhas tempo para tudo. Mais tarde, já com o coração a reduzir o galope, os músculos em levitação e a boca a pedir água, podes dormir mais. Hoje, não ligues o telemóvel, abdica de narrar a tua vida em emails e redes sociais. Não alimentes a electricidade estática do teu cérebro nem a ansiedade televisiva de querer saber tudo em tão pouco tempo. Tem calma. Caminha longe dos motores, procura um jardim onde ainda sobrevivam buganvílias. Não digas nada. Experimenta viver sem ruído. No final da tarde liga aos teus amigos ou fala com a família. Marca um jantar, pega numa faca e acende o fogão, serve vinho a quem aparecer, toca no corpo daqueles que te fariam falta se ficassem doentes e --------, toca-lhes porque também precisam. Nunca nada é tão dramático como parece. Vai ser fodido, Portugal, mas quando tudo parecer em chamas lembra-te do admirável poder do toque – a cara barbeada do teu pai quando o beijas, a mão que te compõe a franja, um pé procurando outro pé, sobre o lençol, a meio da noite – e talvez percebas que tudo tem que voltar a ser muito mais simples.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-6351130153321404252?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/6351130153321404252/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=6351130153321404252' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6351130153321404252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6351130153321404252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/respira-fundo-cronica-no-i.html' title='Respira fundo, crónica no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOMbUAuPalI/AAAAAAAAAhE/ctl76RwpFuQ/s72-c/bed.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-4473980792724964570</id><published>2010-11-16T23:57:00.001Z</published><updated>2010-11-16T23:59:24.697Z</updated><title type='text'>Passeio com poeta morto, crónica no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOMar8U-_tI/AAAAAAAAAg8/OF6OOVLDsPA/s1600/pessoan.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 130px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOMar8U-_tI/AAAAAAAAAg8/OF6OOVLDsPA/s200/pessoan.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5540301308826681042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era de noite quando Fernando Pessoa me tocou no ombro mas não me assustei. Já tinha lido nalgum relatório da OCDE que os poetas portugueses estão entre os mortos que mais aparecem aos vivos, logo a seguir aos portageiros gregos e aos guardas-nocturnos irlandeses. Disse-me que queria companhia para um passeio. Na Baixa, o poeta comentou que as decorações de Natal pareciam papel higiénico amarrotado e assustou-se com um vendedor de haxixe. Quis mostrar-lhe que o modernismo não era apenas um movimento artístico e entrámos na engenharia fluorescente do metro da Baixa, aproveitando a boleia das escadas rolantes para subir ao Chiado. Emergimos quando passava o eléctrico – um postal da cidade, pensei. Talvez me safe como guia turístico de defuntos. Percebi a vaidade e levei-o aos restaurantes dos Armazéns do Chiado. Disse: “Quereres uma pita?” Fernando Pessoa olhava para as adolescentes maquilhadas e de calções tão curtos como uma peça de roupa que encolheu na máquina. Repeti: “Queres uma pita shoarma?” Ele disse-me que aquele lugar era triste como as casas de pasto onde jantava sozinho do poeta ao ver a estátua de si mesmo. Perguntei-lhe se, no além, era amigo de Van Gogh. Ele desviou a conversa, dizendo que morrera sem pagar uma conta na Brasileira e que era melhor arrepiar caminho. Ponderei perguntar-lhe pela Ofelinha mas tínhamos fome. No Rossio perguntei: “Chamo-te um táxi?” Ele: “Obrigado, mas uma das coisas boas de estar morto é o dinheiro que se poupa em transportes. Isto não anda fácil”. E depois bebemos uma ginginha sem dizer uma palavra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-4473980792724964570?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/4473980792724964570/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=4473980792724964570' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4473980792724964570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/4473980792724964570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/passeio-com-poeta-morto-cronica-no-i.html' title='Passeio com poeta morto, crónica no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOMar8U-_tI/AAAAAAAAAg8/OF6OOVLDsPA/s72-c/pessoan.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-3140109192836088192</id><published>2010-11-16T23:43:00.004Z</published><updated>2010-11-16T23:56:32.900Z</updated><title type='text'>Marina &amp; Leonid, crónica no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOMaKndw2XI/AAAAAAAAAg0/T3K1qCQkpl8/s1600/marina.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 135px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOMaKndw2XI/AAAAAAAAAg0/T3K1qCQkpl8/s200/marina.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5540300736290675058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Na praça do Rossio, ela segura uma câmara fotográfica e pergunta-me: “Do you speak English?” E depois de apertar o botão fico a saber que se chama Marina, que o marido, Leonid, fugiu da Letónia, então URSS, durante a Segunda Guerra Mundial, escondendo o seu sangue judeu no Uzbequistão. Regressou no final da guerra e casou com Marina, também judia – “Ele teve de identificar os irmãos mortos durante a ocupação alemã”. Mais tarde, Leonid serviu no exército soviético junto da fronteira com a China, a mais de nove mil quilómetros de casa: “Era muito duro, demorámos um mês para lá chegar”. Em 1977 Marina e Leonid tinham um filho: “Por causa dele fugimos para Berlim Ocidental. Queríamos que tivesse uma vida melhor”. Marina e Leonid saíram de um país que os tinha sob controlo para um país que, quatro décadas antes, os invadira. Falam de Berlim como a sua casa: “Já voltei à Letónia, mas é diferente, há gente muito rica ou muito pobre, não há nada no meio. Tens de vir a Berlim.” Marina fala um inglês eloquente – “Fiz um curso de línguas” – e os seus olhos agigantam-se ao mencionar o filho: “Estudou hotelaria na Suíça, foi para os Estados Unidos, casou-se com uma israelita e tenho dois netos.” Fala-me da importância da família. Tem tantas saudades do filho. Percebe-se tão bem quando me abraça e se despede e lhe digo: “Goodbye”. Ela responde: “Never say goodbye”. Já em casa descubro que os nazis mataram 90 mil lituanos entre 1941 e 1944. Tanto tempo depois Marina e Leonid estão na praça que cruzo todos os dias. Marina tinha razão: “Never say goodbye”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-3140109192836088192?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/3140109192836088192/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=3140109192836088192' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3140109192836088192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3140109192836088192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/marina-leonid-cronica-no-i.html' title='Marina &amp; Leonid, crónica no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TOMaKndw2XI/AAAAAAAAAg0/T3K1qCQkpl8/s72-c/marina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-3388492787129415458</id><published>2010-11-08T20:18:00.003Z</published><updated>2010-11-08T21:59:58.959Z</updated><title type='text'>Crónicas com banda sonora</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/sNhr6RKpWkc?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/sNhr6RKpWkc?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora as crónicas no i já estão no site do jornal. Ficam as últimas duas: &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/87328-respira-fundo"&gt;Respira fundo&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/87337-fado-da-solidao"&gt;Fado da Solidão&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-3388492787129415458?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/3388492787129415458/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=3388492787129415458' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3388492787129415458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3388492787129415458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/cronicas-com-banda-sonora.html' title='Crónicas com banda sonora'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-6662863067393180754</id><published>2010-11-02T21:12:00.002Z</published><updated>2010-11-02T21:16:20.503Z</updated><title type='text'>Leis da atracção</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TNB_mYqdFuI/AAAAAAAAAgk/0HlY8p8K5zk/s1600/running1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TNB_mYqdFuI/AAAAAAAAAgk/0HlY8p8K5zk/s200/running1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5535064239470614242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Várias vezes por semana corres num jardim da cidade, no sentido contrário aos ponteiros do relógio, o que te faz pensar que ficarás com uma perna mais curta que outra. Corres depressa, roçando a imobilidade dos visitantes do jardim. No entanto, és invisível para os velhos que batem a manilha de paus na mesa como quem esbofeteia o adversário. Há bocados de palavras que se colam na tua velocidade – “Oiça, mas estou aqui bem?”, diz a mulher, segurando uma revista de telenovelas, para o homem sedutor no banco de jardim. Mais adiante, os bêbedos despejam pacotes de litro, falam com sílabas ensopadas pelo mosto e incentivam-te como se fosses um ciclista na montanha. Mais do que uma vez ficaste irritado com os solitários que lançam pão aos pombos. Bates palmas para abrir caminho como se disparasses um revólver de fulminantes, mas já percebeste que não te podes zangar com os pássaros ou com aqueles que, quando atiram migalhas, gostariam de receber alguma coisa em troca, mesmo que fosse um abraço de asas. E há o puto gordinho que levanta a mão – “High five” – de cada vez que passas por ele, há as indianas, sentadas lado a lado, tão coloridas nos trajes como sossegadas na voz, há mulheres bonitas na esplanada que (vá lá, reconhece) esperas que olhem para ti. É por causa destas pessoas que melhor percebes a descoberta de Copérnico adaptada aos humanos – nada gira em teu redor, não és o centro de nada, e um dia, quando te apoiares numa bengala para compensar a perna mais curta, também tu podes vir a precisar de um abraço de asas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-6662863067393180754?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/6662863067393180754/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=6662863067393180754' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6662863067393180754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6662863067393180754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/leis-da-atraccao.html' title='Leis da atracção'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TNB_mYqdFuI/AAAAAAAAAgk/0HlY8p8K5zk/s72-c/running1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-7108903409087132228</id><published>2010-11-02T16:39:00.006Z</published><updated>2010-11-02T16:45:53.987Z</updated><title type='text'>Uma casa com vista para o mar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TNA_ugYMr3I/AAAAAAAAAgc/NbBWxlJxH4A/s1600/conto.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 112px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TNA_ugYMr3I/AAAAAAAAAgc/NbBWxlJxH4A/s200/conto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534994010236301170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; E se o OE fosse chumbado? E se o FMI chegasse? Como seria Portugal se tudo tivesse corrido da pior forma possível? Um conto futurista que escrevi para o jornal i, é só clicar &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/86360-uma-casa-com-vista-o-mar"&gt;aqui.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustração de Tiago Albuquerque.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-7108903409087132228?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/7108903409087132228/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=7108903409087132228' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7108903409087132228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7108903409087132228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/11/uma-casa-com-vista-para-o-mar.html' title='Uma casa com vista para o mar'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TNA_ugYMr3I/AAAAAAAAAgc/NbBWxlJxH4A/s72-c/conto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-1159412975468892217</id><published>2010-10-31T22:56:00.002Z</published><updated>2010-10-31T23:00:44.903Z</updated><title type='text'>O elogio da crise</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TM31E-bZp_I/AAAAAAAAAgU/UgLPPY2pdos/s1600/empire.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TM31E-bZp_I/AAAAAAAAAgU/UgLPPY2pdos/s200/empire.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534348982934415346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É só clicar &lt;a href="http://www.ionline.pt/conteudo/86157-elogio-da-crise"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-1159412975468892217?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/1159412975468892217/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=1159412975468892217' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1159412975468892217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1159412975468892217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/10/o-elogio-da-crise.html' title='O elogio da crise'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TM31E-bZp_I/AAAAAAAAAgU/UgLPPY2pdos/s72-c/empire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-7864406989630829067</id><published>2010-10-25T18:36:00.002+01:00</published><updated>2010-10-25T18:41:30.093+01:00</updated><title type='text'>Mais crónicas no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TMXBQsDaHvI/AAAAAAAAAgM/xR3dq2xn4WI/s1600/kiss.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 154px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TMXBQsDaHvI/AAAAAAAAAgM/xR3dq2xn4WI/s200/kiss.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5532040209742044914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Relicário de um homem solteiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os anos adolescentes de beijos na boca e mãos curiosas – “Curti com ela atrás do pavilhão de ginástica” – o soutien tanto podia ser o alarme que impedia o assalto como a relíquia procurada pelo aventureiro. Os dedos afastavam o top, subiam lentamente pelas costelas, inquietavam a pele, respirava-se com mais saliva na boca, e assim que se tocava no soutien disparava a sirene: “Pára. Já disse, pára.” Mas havia um dia em que os dedos cruzavam, por fim, a fronteira do tecido, avançando mais tarde para o fecho com o nervoso com que se enfrenta um penalti. Então, quando a alça resvalava pelo ombro, quando o corpo estremecia como se passasse uma corrente de ar, então o soutien passava a ser a relíquia do peregrino. Para alguns homens, a destreza com que se desmancha um soutien importa tanto como a eloquência dos beijos. E a visão de uma alça, escapando por acidente para fora de um vestido, pode parar o tempo num restaurante, numa pista de dança até mesmo num parque de estacionamento. Tanto romance erótico para nada. Depois de lançar os soutiens, com pedras preciosas, Hearts on Fire Fantasy (6,5 milhões de dólares) e Secret Diamond (5 milhões), a Victoria’s Secret revelou agora o Bombshell Fantasy (2 milhões), fazendo do soutien uma espécie de arma para cyborgs e dando-lhe nome de filme soft porn/cor de verniz. Já não é uma relíquia. É uma acrobacia publicitária, a disneyficação da sensualidade, a morte romântica do artista de mãos para quem importa muito mais a forma como uma mulher se despe do que as jóias que resplandece.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Here comes the sun&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nasceste num desses dias de sol em que a cidade parece água – o Tejo levitando sobre os telhados, resplandecendo nas fachadas. Nasceste num país antigo e com alma cansada, num mundo que, desde sempre, tanto pode ser admirável como devastador. Não te escrevo para que aprendas alguma coisa comigo. Não te vou falar do futuro. Sou demasiado trapalhão com a vida para aconselhar um recém-nascido. Mas saí de casa e na metade mais luminosa e quente da rua havia roupa estendida, o rumor de um rádio fadista num primeiro andar, a alegria de saber que já estás aqui. Não falas, mal abres os olhos e não me podes fascinar com conversas sobre cinema, sobre noites de copos com miúdas que não acreditam em soutiens, sobre a canção dos Beatles que escolhi para banda sonora do teu nascimento. Não podes ainda, como o teu pai, ensinar-me a amizade numa língua que não é a minha, nem recordar essa cidade estrangeira em sobressalto onde me guiou, durante anos, com um coração descobridor e a certeza que podemos ser muito mais do que aquilo que herdamos. Não sabes ainda, como a tua mãe, usar a curiosidade para percorrer países e ouvir aqueles que nunca são ouvidos. Não podes sequer perceber que a tua chegada acontece no momento em que os homens não se entendem, que andam assustados, que preferem o ego, o sonho do toque de Midas, os comprimidos e as pistolas. Não sabes nada e, no entanto, sem uma palavra, sem uma cumplicidade, sem uma memória em comum, fazes de mim uma pessoa melhor. Não consigo explicar-te porquê. Mas sei que faz todo o sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Get a life&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inaugurou-se o sítio justspotted.com, uma rede social que permite aos utilizadores revelar, em tempo real, onde foram vistas celebridades, com direito a mapa-mundo e fotografias. Imagine que encontra Scarlett Johansson na papelaria. Tira uma foto como o telemóvel e faz um post do avistamento da actriz para que os idiotas perseguidores de famosos fiquem a saber que Scarlett comprou a colecção de dedais da Planeta Agostini. O director executivo deste sítio de internet/ pardieiro de bufos, A. J. Asver, diz que não se trata de perseguir celebridades mas de uma forma de os fãs se sentirem psicologicamente perto dos seus ídolos. Asver parece descrever vítimas de falta de afecto a precisar de consolo, mas é dessa maneira que melhor esconde a motivação do site: ganhar dinheiro com a vida privada dos outros. Tenho que admitir que os criadores do justspotted são tão espertos na arte do engano como quem meteu Portugal a usar pulseiras do equilíbrio. Com uma vantagem: não têm grandes custos porque são os fãs que fotografam e perseguem, convencidos pela realidade mediática que lhes diz que não é preciso talento, trabalho ou excelência para serem famosos, acreditando que basta entrar numa casa com câmaras e segredos ou fotografar uma celebridade para serem salvos do quotidiano anónimo. Deviam escutar as palavras de Tyler Durden, em “Fight Club”: “Vocês não são especiais, bonitos ou flocos de neves únicos. Vocês são feitos da mesma matéria em decadência que tudo o resto”. E não é por fotografar Brad Pitt a sair de um WC público que isso vai mudar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Manual de auto-ajuda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É segunda-feira e na rádio, nos jornais, nas televisões, na mercearia onde se compra o pão fala-se da crise, essa praga tão assustadora e peganhenta como sangue coagulado num pedaço de algodão. Melhor seria ficar na cama, não ir, usar o edredon como líquido amniótico e dormir até que tudo passe. Mas depois descubro, por acaso, que Keneth Waters esteve preso 18 anos acusado de matar um vizinho. E fico a saber que a irmã, Betty, empregada de bar, começou a estudar Direito após a tentativa de suicídio de Keneth na prisão. Durante quase duas décadas Betty tornou-se advogada, criou dois filhos – estudava, nas bancadas, durante os jogos dos miúdos –, passou por um divórcio, ouviu todas as testemunhas do julgamento e encontrou amostras de ADN perdidas durante o processo. Em 2001 provou a inocência do irmão. Seis meses depois Keneth caiu de um muro, perto de casa, e bateu com a cabeça. Morreu. Betty tem 56 anos, é gerente do bar onde foi empregada e voluntária numa associação que ajuda presos falsamente acusados. Não continuou com a carreira de advogada. Não parece amarga, destruída, revoltada. Disse: “Só quero ser avó” Na semana passada estreou “Conviction”, sobre Betty e Keneth. O realizador, Tony Goldwin, disse: “Sempre que me ia abaixo durante o filme, pensava na determinação de Betty.” Nas noites de domingo irei agora colar um post-it na mesa de cabeceira. Quando o despertador tocar, impiedoso como a crise nas manhãs de segunda-feira, vou ler o que escrevi: “Betty e Keneth”. E isso deve chegar para, de imediato, saltar da cama e me fazer à vida.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Breve relato de amor temporário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele contou-me que tinham combinado um encontro e que levara laranjadas porque ainda fazia calor. Conheceram-se numa festa. Ele, lubrificado pelo whisky, quase chegou a dançar. Ela, acesa por causa da erva, disse-lhe: “Não fumo tabaco, mas dás-me um cigarro?” Ele disse que a levaria aos fados e ela, de passagem por Lisboa, disse-lhe que preferia um quarto de hotel. Comunicaram em inglês, como nos filmes, e não se beijaram logo, como nos livros antigos. Mas trocaram nomes em vez de números de telefone. Ele disse: “Estás no Facebook?” No dia seguinte iriam encontrar-se no alto da cidade – o romantismo transformou um quatro de hotel num jardim com vista. Ele chegou antes de tempo, percebendo a passagem dos minutos pelos sinos da cidade. “Já reparaste que as igrejas de Lisboa não estão sincronizadas? Se deus não sabe a quantas anda ela também podia chegar atrasada”, disse-me. Ele imaginou o que aconteceria assim que ela chegasse: trocariam piadas, contariam uma história de infância, ele diria “Gosto disto” e ela diria “Posso adiar a minha viagem”, jantariam numa esplanada, a meio da segunda garrafa de vinho ela diria “Leva-me para um sítio com uma cama e um bar” e pela manhã ele teria o braço dormente porque ela ainda dormia no seu peito. Nos dias seguintes alguém iria preferir ficar sozinho. Ele cansado de falar inglês, ela com saudades do cão. Ficariam amigos. Fim. Ele esperou no jardim. Ela não apareceu. Ele disse-me: “Há um lado positivo: vivi numa hora aquilo que, de certeza, ia ocupar-me uma semana. E sabes que tenho de trabalhar”.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Don Draper&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os rapazes, desde pequenos, querem ser outra coisa. Obriguei a minha mãe a fazer-me um fato de super-homem, quis ser o meu irmão mais velho, imitei Marco van Basten no Euro 88 e houve dias que, se me chamassem Mr Sinatra, eu pagaria uma rodada. Mas com o passar do tempo, pensar ser outra coisa, fantasiar, é para alguns tão patético como ir ao pão com um pijama do Batman. É uma pena, porque a imaginação apura a existência ao mesmo tempo que nos alivia de peso, como a primeira descida de uma montanha russa. Eu, por exemplo, ando por estes dias com a certeza que quero ser Don Draper, o protagonista da série Mad Men, passada num tempo em que ainda se usavam chapéus. Não falo apenas da forma como enlaça as mulheres sem precisar de as agarrar pela cintura, das garrafas de álcool duro no escritório, de frases tão graves como os fatos que usa – “O amor foi inventado por tipos como eu para vender collants” –, frases que seduzem secretárias, artistas e clientes da agência publicitária onde é director criativo. Falo também das manhãs em que acorda com a roupa da noite anterior ou se esquece de ir buscar a filha ou tem um ataque de pânico ou aparece bêbedo numa reunião. É que já não acredito, como aos seis anos, que uma pedra verde de outro planeta seja a única fraqueza do herói. Quero ser Don Draper porque ele é a prova da distância entre aquilo que somos e aquilo que queremos ser, e porque depois do fracasso não desiste da fantasia: “Espero agora, serenamente, que a catástrofe da minha personalidade pareça outra vez bonita e interessante e moderna”. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sobre estar vivo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nenhum homem é uma ilha quando os sinos dobram – o terramoto no Haiti, o tsunami no Índico, as bombas num comboio de Madrid – então nenhum homem é uma ilha quando, em vez de sinos que anunciam a desgraça, há canais de televisão a transmitir uma prova de vida. Mais de mil milhões de pessoas acompanharam o resgate dos mineiros chilenos. Num bar em Nova Iorque, conta o “NY Times”, um grupo via televisão segurando cartazes que diziam “Esperanza” e um chileno comentou: “A fé move montanhas e aquela montanha foi movida pela fé”. Um dos mineiros, chegado cá acima: “Estive com deus e o diabo. Ganhou deus, agarrei-me à melhor mão.” Houve quem visse na data uma prova do acaso divino: dia 13, mês 10, ano 10, números que somados dão 33, total dos mineiros. Percebo a fé dos homens mas prefiro encontrar alegria e consolo no engenho, na coragem e na dignidade dos homens que não aceitam ser uma ilha – falo dos especialistas da NASA que colaboraram no resgate, dos engenheiros que estrearam a cápsula e as roldanas ou de todos os mineiros que, sem excepção, queriam ser o último a subir. Mais de mil milhões de pessoas do mesmo lado: crentes, cínicos, adúlteros, filantropos, assassinos, doadores de órgãos, pais que cuidam, filhos ausentes. Gente inteira ou em colapso, gente que não se sentaria na mesma mesa mas que esteve em sintonia por causa dos homens capazes de inventar máquinas salvadoras e dos mineiros que, durante 69 dias, confirmaram a teoria da evolução desta espécie – aquela que diz que a morte existe para que façamos o melhor que podemos com a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-7864406989630829067?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/7864406989630829067/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=7864406989630829067' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7864406989630829067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/7864406989630829067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/10/mais-cronicas-no-i.html' title='Mais crónicas no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TMXBQsDaHvI/AAAAAAAAAgM/xR3dq2xn4WI/s72-c/kiss.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-6261933973529815354</id><published>2010-10-11T21:52:00.008+01:00</published><updated>2010-10-11T22:35:27.703+01:00</updated><title type='text'>Conversa com poeta morto e de bigode</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TLN_fTTJ2vI/AAAAAAAAAgE/a4ZfiBp60lY/s1600/aleister-crowley-chess-fernando-pessoa.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 140px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TLN_fTTJ2vI/AAAAAAAAAgE/a4ZfiBp60lY/s200/aleister-crowley-chess-fernando-pessoa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5526901343447014130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para ser grande sê inteiro? Nada teu exagera ou exclui? Sê todo em cada coisa? Bonitas palavras, senhor Pessoa, tão inspiradoras como um anúncio da Nike. Mas e se tudo o que exagero e não excluo, se tudo o que sou em cada coisa, se toda essa inteireza nas acções me deixa mais desarrumado que triunfador, mais sozinho que em comunhão, mais mina anti-pessoal que tratado de paz? E quem é o senhor para dar dicas como um life coach? Se bem se lembra morreu de fígado abusado e maleitas diversas na alma anónima. Aceitar as suas sugestões seria como ter lições de condução com um cego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor fingia tão bem que ainda hoje acreditamos, quando lemos essas coisas que escreveu, que seremos inteiros. Mas não se lembra de também ter escrito que a sua alma caíra pela escada excessivamente abaixo e se partira como um vaso vazio? Nesse caso tinha razão, porque  somos muito mais pilha de entulho do que alguma vez seremos inteiros.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo-lhe mais, antes que se ponha a beber e deixe de me ouvir: se ponho tudo o que sou em cada coisa, caro poeta, falho mais curvas do que o meu corpo pode aguentar. Se nada excluo tudo devoro. E se nada exagero morrerei de aborrecimento. E agora, pergunto-lhe, o que faço? Pois, nenhum dos seus poemas me ajuda, não há ode ou soneto que funcionem como aquela canção pop que toca na rádio e que, estamos seguros, fala exactamente daquilo que estamos a sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, nem palavras bonitas nem poesia de auto-ajuda. Hoje digo-lhe na cara que sou muito menos inteiro do que poderia e gostaria de ser. E agora, o que vais fazer acerca disso? O que vou eu fazer acerca disso? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois. Se calhar é melhor pedir mais uma rodada enquanto não tomamos uma decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se levante, eu vou lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já lhe disse que gosto muito do seu trabalho?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-6261933973529815354?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/6261933973529815354/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=6261933973529815354' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6261933973529815354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6261933973529815354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/10/conversa-com-poeta-morto-e-de-bigode_11.html' title='Conversa com poeta morto e de bigode'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TLN_fTTJ2vI/AAAAAAAAAgE/a4ZfiBp60lY/s72-c/aleister-crowley-chess-fernando-pessoa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-3458771252715523683</id><published>2010-10-11T21:49:00.000+01:00</published><updated>2010-10-11T21:51:59.875+01:00</updated><title type='text'>Poetry</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/hkCR-w3AYOE?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/hkCR-w3AYOE?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-3458771252715523683?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/3458771252715523683/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=3458771252715523683' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3458771252715523683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/3458771252715523683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/10/poetry.html' title='Poetry'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-8430196231202281436</id><published>2010-10-11T21:45:00.002+01:00</published><updated>2010-10-11T21:49:14.998+01:00</updated><title type='text'>Crónicas das últimas semanas, no jornal i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TLN4LcMGMLI/AAAAAAAAAf8/4y3hXKHukNw/s1600/pen.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TLN4LcMGMLI/AAAAAAAAAf8/4y3hXKHukNw/s200/pen.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5526893305654554802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Escritor&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mario Vargas Llosa viajou para o Congo e iniciou o relato desses dias com as palavras de Tharcisse: “O principal problema são as violações. Matam mais mulheres que a cólera, a febre amarela, a malária. Aqui o sexo não tem nada de prazer só ódio.” Tharcise cuida das mulheres violadas pelas milícias hutu fugidas do Ruanda. Llosa escreve sobre a miúda de 15 anos, escrava sexual dos hutu durante cinco meses, na selva, até que a expulsaram por estar grávida. Regressou a casa e um tio disse-lhe que, matando o bebé, seria bem recebida. Llosa escreve sobre o peso dos violadores que esmagaram a bacia de uma criança de cinco anos. Mas em nenhuma das descrições há voyeurismo comercial ou exploração de tablóide. Llosa escreve com o respeito de quem sabe ouvir. Num campo de refugiados ou diante de crianças soldado, o escritor encontra o lugar mais profundo da derrota mas também o lugar onde ainda se combate o fracasso – em Kinshasa, por exemplo, onde Émile Zola tenta impedir as térmitas de comer um museu ou no hospital de Tharcisse, onde a destruição das mulheres não impediu o escritor de reparar que o médico não vê a família há dois anos. Escreve Llosa, sobre a chegada: “Um lugar de beleza natural – havia nenúfares de flores malva na praia onde desembarcámos – e indescritíveis horrores humanos”. O escritor não ganhou o Nobel por esta reportagem no “El País” mas, como ele disse, o jornalismo ajudou-o a escrever livros. Num tempo de jornais anémicos e robotizados, Llosa lembra que o jornalismo só não consegue a nobreza da literatura se não quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; ‘da-se&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O taxista percebe que a corrida é curta, vira a boca de SG Gigante para o lado e morde a primeira sílaba: ‘da-se. O pai desliga a Playstation e ordena que o filho tire as canecas com leite de baixo da cama. O rapaz obedece mas primeiro afasta a franja canina dos olhos: ‘da-se. A mulher informa o marido que há reunião de condomínio. Ele veste o casaco e: ‘da-se. Há um ponto de equilíbrio, entre a confrontação e a resignação, que pode ser definido pela palavra: ‘da-se. É uma espécie de desabafo, uma declaração de princípios No fundo, ao dizer ‘da-se, estamos a dizer: ok, faço o que tu mandas, mas só porque sou obrigado. Por vezes – quando a mãe ordena um recado na hora do jogo, quando o chefe não sai do escritório antes das nove, quando o irmão mais velho monopoliza o computador – prolongamos a última sílaba num assobio – ‘da-sssse – para deixar claro que um dia destes ainda nos revoltamos. Quantas vezes, na adolescência, após uma homilia paterna, dissemos qualquer coisa mastigada, quase muda, mas cheia de raiva: ‘da-se. Quem tem algo a perder fica-se sempre pelo ‘da-se. Sem dúvida que dizer ‘da-se é mais chunga e mariquinhas que dizer a palavra por inteiro, mas assim evitam-se cenas de estalo, divórcios e parricídios. Embora amputada, trata-se de uma palavra necessária para a convivência humana. E se o governo português não enfrentou carros virados na rua e pneus em chamas bem pode agradecer ao carácter de uma nação que há anos, no café com a malta, diante das notícias, na casa de banho da empresa, prefere dizer ‘da-se do que gritar foda-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cem anos de esperança&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás na rua tão cedo que te lembras das manhãs de aulas, quando os estores subiam inclementes na janela e a tua mãe assegurava que não sairias de casa com ramelas. Mas é feriado e és adulto e vais trabalhar. Estás numa praça com bandeiras do teu país e, como os miúdos que esperam a carrinha da escola, imaginas-te a viajar no tempo cem anos. Estarias na rua, de espingarda na mão, ou ficarias em casa, preocupado com a preservação do teu corpo? Serias um revolucionário ou um comodista? Daqui a nada, vais ouvir um amolador noutro sítio deserto da cidade. Perceberás então que os feriados são muito mais generosos para os miúdos que, ainda na cama, ouvem a flauta solitária sem a melancolia do passado que oprime os adultos. Neste feriado haverá políticos e bandas filarmónicas e comparações entre aquilo que somos e aquilo que fomos. Num jornal, encontras mesmo uma foto dos “Vencidos da vida” – Eça, Ramalho, Junqueiro etc. – e um texto desse poeta açoriano que estoirou os miolos num jardim: “Se não reconhecermos e confessarmos os nossos erros passados, como podemos aspirar a uma emenda sincera e definitiva?” No final da manhã já encontras famílias na rua, crianças aprumadas como embrulhos de Natal, miúdos mais interessados num Happy Meal do que atormentados pelos erros dos pais, avós e bisavós. Serão um dia revolucionários ou comodistas? Não conheces nada do futuro. Mas sabes que, em vez da pistola de Antero de Quental, ainda preferes a placa do jardim onde o poeta se matou. Dizia: “Esperança”.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;SOS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na livraria há uma sala escondida, com bancos corridos, onde os clientes se abrigam para ler enquanto um clarinete nas colunas de som parece algodão caindo na alcatifa. É um sítio de paz onde uma tosse levantaria as sobrancelhas dos leitores. Num dos bancos está um velho que dorme um sono pós-almoço. Tem bigode, bochechas de vinho e um livro de Anaïs Nin na mão. Logo de seguida, estão quatro lolitas literárias – a mais bonita lê “Orgulho e Preconceito”, a mais pequena “Contos”, Eça de Queiroz, aquela que tem aparelho nos dentes segura um livro cor-de-rosa. Chega outro velho. É daqueles homens com unhas compridas, que sacralizam a literatura, julgando alcançar a poesia como ninguém e que, cruzando as pernas, apoiam o pulso no joelho – um gesto que tenta provar a gravidade da sua condição de eleito e que afasta a quarta leitora para outro lugar. O velho de bigode acorda. Os seis corpos, uns adolescentes, outros decadentes, estão agora alinhados no mesmo banco mas, páginas após página, as sinapses de cada um criam coisas diferentes – francesas que gostam de cama, inglesas pudicas, portuguesas loiras e singulares que roubam jóias. Estes leitores estão agora noutro mundo, não percebem sequer o martelo a bater na rua, não se importam com o rapaz mais giro da turma que não respondeu aos sms ou com o filho que deixou de ligar ao pai bebedor de tinto desde que a mãe morreu. Porque quando tudo nos falha – a religião, a política, a terapia, a internet, o amor – só a ficção nos poderá explicar aquilo que ainda não conseguimos perceber. E salvar-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cicuta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, os portugueses, temos uma apetência para empurrar com a barriga decisões que precisam de rapidez e uma grua – adiamos, atrasamos, contornamos e esperamos sempre que tudo se resolva no último segundo. Nisso, este governo é muito português. Em Fevereiro, Sócrates disse: “Vamos fazer uma consolidação orçamental baseada na redução da despesa e não através do aumento de impostos.” Em Março disse: “O governo vai concentrar-se na redução da despesa do Estado. Mais fácil seria aumentar impostos, mas isso prejudicaria a nossa economia”. Na apresentação do primeiro PEC, disse: “Não haverá aumento de impostos”. Em Junho, disse, em Bruxelas, que não seria preciso reduzir os salários. Mais grave que a retórica do primeiro-ministro nos últimos meses – afinal sempre é preciso aumentar impostos e cortar salários – é a sensação que o governo, com o barco a meter água há tanto tempo, pensou que podia chegar a porto seguro sem mandar nada borda fora. Ou o primeiro-ministro mentiu, com medo de não ganhar as próximas eleições, ou cometeu o grave erro de não perceber, há meses, a necessidade das medidas agora anunciadas quando tantos países europeus já seguiam esse caminho. Se todas estas medidas tivessem sido tomadas no tempo devido, os portugueses talvez se sentissem agora mais empenhados que traídos. Sócrates, o filósofo grego, foi obrigado a beber cicuta por dizer a verdade. Sócrates, o primeiro-ministro português, perderá as próximas eleições por adiar a verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-8430196231202281436?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/8430196231202281436/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=8430196231202281436' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8430196231202281436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8430196231202281436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/10/cronicas-das-ultimas-semanas-no-jornal.html' title='Crónicas das últimas semanas, no jornal i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TLN4LcMGMLI/AAAAAAAAAf8/4y3hXKHukNw/s72-c/pen.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-8650382250589085420</id><published>2010-10-11T21:42:00.002+01:00</published><updated>2010-10-11T21:45:40.286+01:00</updated><title type='text'>Saturday night rain, crónica no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TLN3W8fJFRI/AAAAAAAAAf0/AyJS4A8Ud6g/s1600/cuba.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 171px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TLN3W8fJFRI/AAAAAAAAAf0/AyJS4A8Ud6g/s200/cuba.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5526892403791303954" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fumando, espera&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ela segura um chapéu-de-chuva amarrotado e as suas roupas, apanhadas pela tempestade, parecem tão tristes como rímel desbotado. Já não chove mas Lisboa continua abocanhada pela humidade, a calçada escorregadia, os pingos saltando dos toldos das lojas para a nuca de quem passa. Ela está na saída da estação de metro, tem roupa de discoteca numa noite de sábado em que a meteorologia lhe sabotou a maquilhagem e o penteado. Fuma e, com os dois polegares, não pára de teclar mensagens como se a lista de contactos do telemóvel a impedisse de sentir-se sozinha. E tens auscultadores nos ouvidos – com toda a certeza uma banda sonora que permite transformar a espera num teledisco. Passam muitas pessoas mas ninguém conhecido, ela olha para todos os lados, a perna direita tão inquieta como antes da oral de estreia na faculdade. Ela é nova e deve ter hora para chegar a casa. Começa a chover outra vez, mas pouco, uma espécie de vapor que se cola na cara como creme Nivea. Ela morde muitas vezes o lábio inferior, tenta abrir o chapéu-de-chuva com duas varetas fora de sítio. Não consegue. Penso que está prestes a chorar mas o telemóvel toca, ela atende e começa a procurar alguém. E é então que sorri, esquecida da roupa fria e do cabelo desarrumado, começando a caminhar na direcção dos rapazes e das raparigas que trazem garrafas e alegria alcoólica no volume da voz. Um rapaz beija-a na boca. Dão-lhe uma garrafa e ela bebe – uma, duas, três vezes. Já não se sente sozinha e segura o cigarro como num poster de cinema. Que a noite te seja leve, miúda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-8650382250589085420?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/8650382250589085420/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=8650382250589085420' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8650382250589085420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8650382250589085420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/10/saturday-night-rain-cronica-no-i.html' title='Saturday night rain, crónica no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TLN3W8fJFRI/AAAAAAAAAf0/AyJS4A8Ud6g/s72-c/cuba.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-2732243387487906333</id><published>2010-09-16T12:26:00.001+01:00</published><updated>2010-09-16T12:27:59.709+01:00</updated><title type='text'>Carta ao senhor Sarkozy (com banda sonora)</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/b6TqkaaEKaM?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/b6TqkaaEKaM?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Yo soy español integral y me sería imposible vivir fuera de mis límites geográficos; pero odio al que es español por ser español nada más, yo soy hermano de todos y execro al hombre que se sacrifica por una idea nacionalista, abstracta, por el sólo hecho de que ama a su patria con una venda en los ojos. El chino bueno está más cerca de mí que el español malo. Canto a España y la siento hasta la médula, pero antes que esto soy hombre del mundo y hermano de todos. Desde luego no creo en la frontera política". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Federico Garcia Lorca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-2732243387487906333?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/2732243387487906333/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=2732243387487906333' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/2732243387487906333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/2732243387487906333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/09/carta-ao-senhor-sarkozy-com-banda.html' title='Carta ao senhor Sarkozy (com banda sonora)'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-8599675456637969243</id><published>2010-09-14T21:27:00.002+01:00</published><updated>2010-09-14T21:34:47.450+01:00</updated><title type='text'>Why try to change me now</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8uf1n1wUfxE?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/8uf1n1wUfxE?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes que a tua vida não é um filme e, no entanto, olhas o mundo como se fosse um ecrã. Sais de casa, o peito apertado, e caminhas pela cidade que ainda acredita no verão. Sentas-te ao lado dos bêbedos na praça, olhas a fonte sem nenhuma mulher bonita e descalça que dance como no cinema. Passam muitos turistas, os seus cabelos loiros, as suas roupas leves, nenhum deles te sorri mas gostarias de saber quem são. Tudo se resume ao coração do coração: a escrita - "A tua namorada", disseram-te. Voltas a casa com comida em pacotes. Há futebol nas televisões das esplanadas. Sobes a colina, estás só, incapaz de falar com aqueles que gostam de ti. Sentas-te, por fim, e começas a juntar as palavras. Vês: estás a escrever. E agora mostra o mundo do que és capaz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-8599675456637969243?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/8599675456637969243/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=8599675456637969243' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8599675456637969243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8599675456637969243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/09/why-try-to-change-me-now.html' title='Why try to change me now'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-8962875032892417296</id><published>2010-07-19T11:04:00.003+01:00</published><updated>2010-07-19T11:09:16.597+01:00</updated><title type='text'>O Estado da Nação, texto publicado no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TEQkP7SuDTI/AAAAAAAAAfk/bX0tXaLAfBA/s1600/o_parlamento.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 140px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TEQkP7SuDTI/AAAAAAAAAfk/bX0tXaLAfBA/s200/o_parlamento.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5495557301331692850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Um estranho em São Bento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num corredor do Parlamento, Eduardo está sentado na cadeira de veludo. Tem a seu lado duas colegas do sétimo ano. Os três teclam nos telemóveis, esperam que os outros miúdos usem as casas de banho. O debate no hemiciclo começou há uma hora e lá dentro há quem feche os olhos e não resista ao calor, ao corpo a pedir sesta, aos deputados que parecem alunos de liceu hiperactivos, tantas vezes indiferentes ao orador do momento, actualizando o Facebook, falando para trás, para o lado e para o telefone. Porque Eduardo é tão estreante nestas coisas do parlamento como eu, porque ainda não tem idade para cinismos, parece-me melhor interlocutor que os assessores parlamentares. Eduardo diz-me, sobre a viagem de estudo: “É interessante”. Quanto ao estado do país, informa-me: “Não tem nada a ver com o que o primeiro-ministro disse” – José Sócrates tinha falado do sucesso das medidas contra a crise, dos bons indicadores económicos, da aposta na ciência e tecnologia, da defesa do Estado Social e da importância do optimismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolher um adolescente para comentar o debate parece tão gratuito como os programas de televisão com criancinhas a cantar. Mas eu só queria descobrir alguém que ainda não tivesse sofrido desgostos políticos. Uma visão livre de preconceitos. Tudo isto porque decidi enfrentar a minha primeira viagem ao parlamento com o mesmo entusiasmo com que visitaria a Disneylândia caso alguém me tivesse levado em criança. E começou bem: a Assembleia parece funcionar com o profissionalismo de um condomínio fechado. Tudo impecavelmente polido e brilhante, senhoras de bata que empurram carrinhos como num hotel, menus no refeitório com direito a opção dieta, uma biblioteca com candeeiros dourados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há qualquer coisa de country club naquelas madeiras. Há qualquer coisa de requinte funcional, de serviço de conciérge, de internet sem fios grátis. Mas o parlamento também tem as características de uma escola ou de um quartel, esses sítios onde se juntam pessoas que se isolam do exterior – além do regimento oficial há um código de costumes para quem lá vive, as conversas nos corredores, as sms dos deputados para os jornalistas ao longo do debate, os apartes durante um discurso como uma guerra de bocas na sala de aula, o grupo parlamentar do PS aplaudindo quatro vezes o primeiro-ministro nos primeiros 2’51 minutos da sua intervenção, aplausos que surgem antes de &lt;br /&gt;Sócrates finalizar uma ideia, aplausos regimentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate é aborrecido e, duas horas depois, há menos deputados nas cadeiras, os miúdos das escolas desapareceram das galerias. Mesmo tendo votado em branco, quero saber se me foi atribuido um deputado. Por sorte, encontro o único parlamentar que conheço pessoalmente – entrevistei-o antes das eleições. António Leitão tem 30 anos, estudou em Harvard, foi eleito pelo PSD. Faz-me uma visita guiada e diz-me que sim, que as pessoas têm direito a um deputado, que na próxima semana vai receber uma senhora que o contactou por email. Mas também me diz que: 1) o peso do ritual é brutal e as coisas não funcionam tão bem como deviam 2) pode não fazer-se nada como deputado ou pode fazer-se imenso como deputado. 3) não se governa a partir do parlamento, ou seja, a ilusão de mudanças rápidas geradas no hemiciclo seria uma ingenuidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta um debate no parlamento para perder a inocência de estreante. Basta olhar para o hemiciclo para perceber que aquelas pessoas gostam tanto das redes sociais como nós e que também bocejam sem tapar a boca. Em determinados momentos tudo aquilo parece inútil, como se fosse um teatrinho para as câmaras. Noutros momentos parece solene, tão decisivo e imponente como as escadarias do edifício. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No corredor deserto António Leitão pára de falar porque aparece José Sócrates acompanhado de seguranças. Diz-nos: “Boa tarde”. E em seguida comentamos a resiliência do primeiro-ministro. Sócrates regressa minutos depois. Voltamos a calar-nos. Vejo-o caminhando, sozinho, afastando-se sobre o tapete vermelho, sem a escolta dos seus ministros no hemiciclo, e lembro-me que o chefe de governo gosta de Fernando Pessoa. “O que há em mim é sobretudo cansaço/ Não disto nem daquilo,/ Nem sequer de tudo ou de nada:/ Cansaço assim mesmo, ele mesmo,/ Cansaço”. Só agora me dou conta que o cansaço não é apenas do primeiro-ministro, é um cansaço antigo que está nos retratos de todos os mortos pedurados no parlamento, na cara de parvo de D. João VI, no olhar assertivo de Sá Carneiro, no público nas galerias, nos deputados que acumulam legislaturas, na nação que está a ser debatida, “um supremíssimo cansaço./ Íssimo, íssimo. íssimo,/ Cansaço…”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-8962875032892417296?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/8962875032892417296/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=8962875032892417296' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8962875032892417296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/8962875032892417296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/07/o-estado-da-nacao-texto-publicado-no-i.html' title='O Estado da Nação, texto publicado no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TEQkP7SuDTI/AAAAAAAAAfk/bX0tXaLAfBA/s72-c/o_parlamento.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-6507147000783385762</id><published>2010-07-13T12:28:00.003+01:00</published><updated>2010-07-13T12:29:45.835+01:00</updated><title type='text'>Polvo ataca Ronaldo Jr., crónica no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TDxOEWNC5GI/AAAAAAAAAfc/x_NM1UZknCs/s1600/octopus-big-large-giant-funny.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 134px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TDxOEWNC5GI/AAAAAAAAAfc/x_NM1UZknCs/s200/octopus-big-large-giant-funny.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493351482071901282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O polvo vidente Paul desapareceu do Sea Life Aquarium. Os primeiros dados apontavam para que Paul, que nos últimos dias encheu páginas de jornais, tablóides, revistas e abriu noticiários em todo o mundo, disputando manchetes com o filho de Ronaldo, tivesse um esgotamento nervoso por causa da fama súbita e, tal como Zé Maria, vencedor do Big Brother, deambulasse perdido pela cidade com um gatinho ao colo. Paul, a quem um psicólogo televisivo diagnosticou um terrível medo de falhar, chegou a ser ameaçado por neo-nazis após prever que a Alemanha perderia para a Espanha. Este cronista soube, através de uma fonte do aquário, conhecida como Navalheira, que a família suspeitava de rapto. Uma ministra espanhola chegou a pedir medidas de protecção para Paul – “Para que os alemães não o comam” – e Zapatero sugeriu uma equipa de resgate. Tarde de mais. Paul desapareceu no dia em que Ronaldo regressou a Portugal, após férias em Nova Iorque. A conversa do jogador com a namorada, no Facebook, através da qual ficámos a saber que ela desconhecia a existência da criança, foi ultrapassada e o casal visitará a família do craque. Esta madrugada, uma fã de Ronaldo entrou na propriedade e colocou o refém, Paul, junto do bebé, gritando: “Diz-me se foi inseminição artificial ou descuido?” Paul assustou-se com tantos fotógrafos e atacou a criança. A fã foi convidada para aparecer na Playboy. Espera-se que Ronaldo actualize o seu estatuto no Facebook para sabermos mais sobre o assunto. Mais, queremos mais. Sempre mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-6507147000783385762?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/6507147000783385762/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=6507147000783385762' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6507147000783385762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6507147000783385762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/07/polvo-ataca-ronaldo-jr.html' title='Polvo ataca Ronaldo Jr., crónica no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TDxOEWNC5GI/AAAAAAAAAfc/x_NM1UZknCs/s72-c/octopus-big-large-giant-funny.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-1953963974744891090</id><published>2010-07-13T12:26:00.002+01:00</published><updated>2010-07-13T12:28:17.916+01:00</updated><title type='text'>Manual de sobrevivência, crónica sobre calor, no i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TDxNyo3RJiI/AAAAAAAAAfU/UUxGdoEa4Lk/s1600/hydrant.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 199px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TDxNyo3RJiI/AAAAAAAAAfU/UUxGdoEa4Lk/s200/hydrant.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493351177843189282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Se tens o corpo em chamas respira como quem mergulha. Desvia-te do alcatrão de melaço onde os carros se afundam, escorrendo ira e borracha. Evita o reflexo incendiário das montras, os bancos públicos de metal, o telemóvel a carburar na orelha. Não te aproximes do fogão e escolhe uma dieta de frigorífico. Come fruta com as mãos e bebe água gelada de seguida. Sintoniza um posto de rádio em que toque uma trompete, um saxofone, uma preta com fumo na voz e crimes passionais na garganta. Não tenhas medo de estilhaçar o gelo com os dentes nem da surpresa dos regadores da relva. Desliga a televisão caso uma repórter faça perguntas, sobre o calor da tarde, a uma mulher que não pára de cavar o campo. Uma mulher que, pressionada pelo microfone – “Responda com sinceridade” –, levanta a cara escondida na sombra de um panamá: “Nós fomos criados assim.” É normal que, depois de ouvir isto, o corpo te pese ainda mais. Por isso, abre a torneira e esconde-te debaixo de água, telefona ao amigo que tem uma piscina, executa uma fuga na direcção das ondas. Não tenhas medo da procrastinação em lume brando porque o calor é um extraordinário criador de memórias. Foi em dias assim que te atirastes da rocha mais alta, que te deixaram andar de bicicleta durante a noite, que a irmã do teu melhor amigo, mais velha quatro anos, te encostou no mármore das escadas e praticou contigo a arte dos beijos na boca. Não te assustes se, por estes dias de calor cardíaco, te achares quieto por umas horas. Porque é exactamente destes dias que te vais lembrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-1953963974744891090?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/1953963974744891090/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=1953963974744891090' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1953963974744891090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1953963974744891090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/07/manual-de-sobrevivencia-cronica-sobre.html' title='Manual de sobrevivência, crónica sobre calor, no i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TDxNyo3RJiI/AAAAAAAAAfU/UUxGdoEa4Lk/s72-c/hydrant.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-6215276766972180026</id><published>2010-06-29T16:16:00.003+01:00</published><updated>2010-06-29T16:20:55.651+01:00</updated><title type='text'>Dia de jogo na crónica do i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TCoPGOsW9nI/AAAAAAAAAfM/m7RKy_p5aqI/s1600/images.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 77px; height: 116px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TCoPGOsW9nI/AAAAAAAAAfM/m7RKy_p5aqI/s200/images.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5488215695602153074" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;La cogida y la muerte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Gosto de Espanha, das sombras do bairro de Malasaña durante a sesta e do furor dos madrilenos assim que o sol começa a baixar e as mesas se cobrem de copos. Gosto de “tortilla de patata”, de salmorejo e de tabaco Fortuna. Gosto dos pátios de Córdoba, das praias de Tarifa, da sidra asturiana que sobe ao cérebro como uma bala de prata. Gosto da auto-estrada para Sevilha, os seus puticlubes com neons na berma, ondas de calor a estremecer como água na planície, uma mulher a dizer-me: “Uma esplanada às sete da tarde, com este calor? És louco?” Gosto da palavra “Joder”. Gosto do matador José Tomas, porque mostra uma entrega, em cada movimento da muleta, que poucos humanos conseguem pôr naquilo que amam – e porque uma mulher lhe gritou: “Me has arrancado mi corazón y ahora lo tengo en un puño”. Gosto das palavras espanholas de Juan José Millás, inscritas na carne da memória como um bisturi que também cicatriza. Gosto da aldeia de Castela La Mancha onde os velhos me falaram da guerra civil. Gosto das praias pintadas por Sorolla e das mulheres que atacam, seguras, nos seus saltos altos. Gosto muito de Espanha e do poema de Lorca, “La cogida y la muerte”, que diz que “a las cinco de la tarde eran las cinco en punto de la tarde”. Mas, ao contrário do que diz o poema, a criança não aparecerá com um lençol branco – aparecerá um homem português, vestido com a cor do sangue derramado na praça de Lorca. Hoje, às sete e meia em ponto, não serão as hastes do touro a penetrar o coração. O sangue – España, mi amor – estará dentro da tua baliza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-6215276766972180026?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/6215276766972180026/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=6215276766972180026' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6215276766972180026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/6215276766972180026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/06/dia-de-jogo-na-cronica-do-i.html' title='Dia de jogo na crónica do i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TCoPGOsW9nI/AAAAAAAAAfM/m7RKy_p5aqI/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-5528693332242183278</id><published>2010-06-28T13:52:00.004+01:00</published><updated>2010-06-28T14:14:47.369+01:00</updated><title type='text'>Noite em branco, reportagem publicada na Index, revista do i</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TCicbrDUGFI/AAAAAAAAAfE/pE8r9Z4ZDY8/s1600/alex_0674.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 134px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TCicbrDUGFI/AAAAAAAAAfE/pE8r9Z4ZDY8/s200/alex_0674.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487808145177974866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um homem que sai sozinho à noite, com calças brancas, não pode recusar a bondade dos estranhos. É por isso que estou na rua, entre espanhóis que me oferecem bebida, comida e cigarros. Começo a ficar menos consciente da minha roupa de primeira comunhão porque eles, tal como eu e outras quinze mil pessoas, se vestiram de branco para entrar na festa Sensation White, no Pavilhão Atlântico. Samuel Prieto é o líder do grupo de andaluzes. Tem o peito largo, o cabelo com gel, uns óculos escuros pendurados na gola da t-shirt. Quero fazer-lhe perguntas mas Samuel não descansa enquanto não mastigo a tortilha de batatas da sogra. E faz piadas: “A minha sogra é uma grande tortillera” – em castelhano tortillera também quer dizer fufa. Os espanhóis chegaram de Huelva. Têm três geleiras com comida e um bar na carrinha estacionada ao lado do Pavilhão. O rádio toca música electrónica para quem passa, como num arraial – a batida é um coração gigante a pulsar nos tímpanos. Depois de mandar a namorada servir-me uma dose (dupla) de rum, Samuel diz: “Gastámos 200 euros por cabeça, incluindo o bilhete, que custou 65, eu gastei 400 porque paguei a parte da minha namorada.” Não há crise económica em Huelva? “Tenho uma empresa de ar condicionado num sítio onde faz muito calor.” Samuel pergunta se quero outra bebida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Huelva, dizem, não há tanta variedade de gente, nem aparecem Dj’s de primeira linha. “Não há afluência [de pessoas]”, conta Samuel. Olho para a roupa e atitude de uma das miúdas espanholas, com óculos de massa, que podia ser estudante de belas artes em Berlim, e percebo que a globalização é um facto consumado. Huelva pode não ter festões cosmopolitas, mas tem internet. Só o sotaque andaluz, tão sibilado como uma lâmina na pedra do amolador, denuncia as origem dos viajantes. Eles podem ser de Huelva, mas apresentam-se como num vídeo clip. O que procuram? “Pasarlo bién”, respondem. Ou seja, curtir largo. Grato ao meu anfitrião, ofereço-lhe um cigarro. Samuel, o macho alfa generoso, diz: “Obrigado mas não fumo lights”, e saca de um Malboro a sério. Já começou o espectáculo de abertura e a nave mãe chama os seus discípulos. Há filas para entrar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou no salão vip delux como num céu almofadado, envolto na gaze branca com que o rum duplo embrulhou o meu cérebro. Tudo é branco e vasto e cruzo-me com meninas de calções curtos e asas de anjo prateadas. Têm ancas estranhamente magras e pernas longamente jovens. Pergunto-me sem têm idade legal para estar ali (“Lolita: a ponta da língua fazendo uma viagem de três passos pelo céu da boca, a fim de bater de leve, no terceiro, de encontro aos dentes. Lo. Li. Ta.”) Tem lógica. O tema da festa, “Wicked Wonderland”, mistura sonhos infantis, alusões ao País das Maravilhas, borboletas, fatos teatrais, cintos de ligas e uma ou outra prática de dominação – mais tarde, no palco, bailarinas irão passear outras bailarinas pela trela. &lt;br /&gt;Saio da calma vip (ainda é muito cedo) e enfio-me pelos túneis brancos, piso alcatifa branca, e entro por fim na escuridão momentânea da pista de dança principal. Depois as luzes acendem-se, o som é poderoso, o cenário imperial. O espectáculo está no palco, no centro da pista. Milhares de pessoas de branco dançam viradas para o Dj. Lisa Stutterheim, mulher do criador da festa, tinha razão quando disse: “Não é uma rave, é um cruzamento entre um concerto, o Cirque Du Soleil e um evento de dança.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora com roupa da mesma cor, todos os participantes querem ser diferentes, saciando na pista a necessidade humana e contemporânea que ordena: sintam-se parte de alguma coisa comum mas desenvolvam uma identidade distinta. Esta é a tribo Sensation White: irmãos de branco durante algumas horas, fiéis da música electrónica, seguidores de Dj’s celebridades, hedonistas imediatos, dançarinos furiosos, sedutores à espreita, exibicionistas aperaltados, utilizadores do corpo com claras noções dos benefícios do pecado, cada um sentido-se singular e contrariando as certezas de Tyler Durden: “Não és especial. Não és um floco de neve bonito e único.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fuck Tyler Durden – as pessoas na pista não vieram ouvir sermões. Vieram, já se sabe, para curtir. Este é o nosso coliseu romano. Não matamos cristãos nem aplaudimos gladiadores. O espectáculo agora somos nós, o nosso corpo a subir com a música, o culto do eu e dos acessórios de moda: rapazes de t-shirt de alças com lentes de contacto que imitam os olhos dos vampiros, um homem de saias brancas e cabelo de Jesus Christ Super Star, negros com máscaras venezianas brancas, milhares de óculos escuros, a ocasional Monica Selles com roupa de jogar ténis, o rapaz com chapéu de basebol largo na cabeça e atitude de gangster rapper, as duas miúdas que posam uma para a outra, as duas miúdas que se beijam na primeira de várias cenas girl on girl. E para que tudo seja mais especial e memorável, há sempre telemóveis levantados entre a multidão para filmar o palco, os fogos de artifício, a própria multidão aos gritos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas mais tarde, no camarote presidencial, olho para a pista, lá em baixo, e percebo que há tanto de ritual, na forma como milhares de pessoas dançam em redor do altar do Dj, como nos milhões de muçulmanos que todos os anos, vestidos de branco, dão sete voltas a Kaaba, em Meca. André Resende, 30 anos, um dos sócios da Hype, empresa portuguesa responsável por trazer a festa para Lisboa, explica-me o mito fundacional da Sensation White: “O irmão do criador do conceito tinha morrido umas semanas antes da primeira festa. Ele não sabia se cancelava ou não mas decidiu que podia homenagear o irmão se fossem vestidos de branco. É uma forma de recordar o irmão todos os anos.” Essa festa de estreia aconteceu em 2000, em Amesterdão, com 20 mil pessoas no estádio do Ajax. Dez anos mais tarde, a Sensation White acontece também na República Checa, Espanha, Bélgica, Polónia, Alemanha, Chile, Brasil e Russia. André diz que o espectáculo, que dura oito horas, custou cinco milhões de euros a desenvolver. Depois os holandeses vendem-no para diferentes cidades. Duncan Stutterheim, o tal fundador, dono da empresa ID&amp;T, é um dos homens mais ricos da Holanda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto quanto custa uma mesa no vip deck, mesmo ao lado do camarote presidencial. André diz: “Três mil e quinhentos euros, para oito pessoas, com direito a oito garrafas.” Quem costuma reservá-las: jogadores de futebol que trazem os amigos de infância, empresas que gostam de mimar os clientes. Durante a noite, há quem compre mais garrafas para as mesas (150 euros) e ofereça 50 euros de gorjeta às empregadas giras. André também me explica, com entusiasmo pelas coisas mecânicas, como funciona a esfera que faz rodar o palco – os amigos alcunharam-no de “Tetris” por estar sempre a organizar geometricamente os objectos em cima da secretária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estica o braço para os ecrãs gigantes, para o filme que passa entre a mudança de Dj’s: “É a história de uma miúda, meio inocente, que vai abrindo portas até encontrar o caminho. Em cada porta há um tipo de música diferente, no fim está com outra mulher, vestida de cabedal preto” – nunca uma metáfora pareceu tão adequada para o que acontece durante a noite. Saímos de casa engomados, cheirosos, imaculados, acreditando nas surpresas do caminho, abrindo portas, e acabamos corrompidos, com os sapatos sujos, a roupa colada na pele, o corpo gasto. Não nos enganemos, as pessoas saem à noite para se comerem. Não se trata apenas de sexo, não é isso – pode ser o flirt com os empregados de bar, podem ser os sapatos de salto agulha, pode ser a vontade que gostem de nós, pode ser o jogo da caça, pode ser a dança da namorada que activa o desejo numa relação que dura há sete anos. A noite é uma forma de strip-tease: as pessoas ficam mais acesas, mais vulneráveis na carne, menos domesticadas. E não é por acaso que as meninas que vendem senhas de bebidas têm todas a mesma t-shirt com um decote acentuado ou que as bailarinas no palco estão vestidas como se para acompanhar a excentricidade de Lady Gaga, a rebeldia sexual de Madonna ou as ancas maleáveis de Shakira. O sexo vende, cativa e deslumbra. Quem disser o contrário, na Sensation White, é tolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto parece evidente para Fred, rapaz educado e de boas maneiras, ex-habitante de outros países, conhecedor de festas internacionais, que sabe que a cumplicidade entre homens se constrói, tantas vezes, a falar de mulheres. E no salão vip delux há muitas mulheres bonitas, celebridades da televisão, meninas betas e de solário, agentes provocadoras por uma noite. Fred diz, com discrição: “Olha aquela”. E, no meio de tantos vestidos curtos e saltos altos, entre pernas morenas e tonificadas, na confusão apetecível de penteados e lip gloss, torna-se difícil identificar a escolhida de Fred, que acrescenta: “É aquela, com as orelhinhas de coelho na cabeça”. Quando lhe pergunto o que acha da festa, ele responde: “É elevar a rambóia de Lisboa a outro patamar.” Resolvo acompanhá-lo no caminho para a pista principal. Ele diz a frase de ordem das noites de dança: “Embora lá para o meio”. Quanto mais perto do Dj mais perto do centro do prazer. Depois perdemo-nos um do outro.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde segunda-feira que André Resende dorme num hotel para estar mais perto do pavilhão. Tem poucas horas de sono e ainda que confesse que, ao ver-se de branco, no espelho do quarto, tenha pensado, “Olha o Mickael Carreira”, o casaco e os ténis Converse parecem o uniforme de um empresário da noite de Miami. Desloca-se pelo pavilhão numa trotinete, falando com os colaboradores que precisam de ajuda, sendo parado a cada cinco metros por amigas, conhecidos, funcionários, um careca de gigantes olhos azuis, com pele bronzeada e músculos de legionário no deserto, que mais tarde me dirá: “Esta festa devia ser todas as semanas”.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzamos as entranhas do pavilhão, onde o público não tem acesso, passamos por tubos e empilhadoras, até que entramos numa pequena sala onde um homem gordo escuta as comunicações de rádio. Diz que alguém precisa de uma acreditação. André, o solucionador dos problemas, trata disso e explica-me que tencionava simplificar as coisas desde o início: “Só queria três tipos de pulseiras para as diferentes áreas, mas não conseguimos. Há 16 pulseiras e três acreditações.” O rebanho de quinze mil pessoas precisa de ser distribuido e arrumado. É um monstruoso processo de organização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por que vem esta gente toda para aqui, dançar, vestida de branco?, pergunto. E André responde: “O que a nossa geração quer é pão e sensations”, e solta uma gargalhada, sabendo que aquilo que disse está entre o slogan de refrigerante e a análise sociológica. Por fim, abandona a trotinete e leva-me para o salão vip. Não nos voltaremos a ver.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto na pista principal como nas áreas vip uma coisa é certa: hoje, os portugueses cuidam mais da aparência. Os espectáculos com passadeira vermelha, trasmitidos na televisão, as revistas de moda, as fotografias de famosos, as lojas globais de roupa, serviram para apurar o estilo. Esta é a geração que nasceu em democracia e para quem a liberdade é também uma autorização para usar o corpo como bem entender, sem restrições morais, com voracidade – seja através do sexo, das drogas, do álcool, da dança, da roupa com etiqueta de marca. Não há, nesta festa, a sensação apocalíptica do fim de uma era, como se o império da boa vida estivesse próximo do fim. Duvido que na pista alguém pense que os salários irão mesmo baixar, que o modelo social europeu corre perigo ou que as pensões de reforma e as noites de dança estão em risco. Este tipo de festas já faz parte do estilo de vida, como o Natal, as férias de verão, o décimo terceiro mês. São um direito adquirido. Este não é um lugar para a austeridade, é um escape para o excesso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a caminho da saída, encontro um dos espanhóis, de língua alcoolizada, mas ainda capaz de dizer: “Perdi-me dos meus amigos, é impossível achar alguém aqui, estão todos vestidos de branco.” São quatro e meia da manhã, a sobriedade e o cansaço empurram-me para a rua, onde os prédios do Parque das Nações se acumulam como legos mal amanhados, símbolo do mau gosto e da opulência de outros tempos. Não há nenhum prenúncio de austeridade – o que a nossa geração quer é pão e sensations. Vejo uma luz verde, estico o braço no ar, não preciso sequer de gritar a palavra mais importante no fim de uma noite: táxi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-5528693332242183278?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/5528693332242183278/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=5528693332242183278' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/5528693332242183278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/5528693332242183278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/06/noite-em-branco-reportagem-publicada-na.html' title='Noite em branco, reportagem publicada na Index, revista do i'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TCicbrDUGFI/AAAAAAAAAfE/pE8r9Z4ZDY8/s72-c/alex_0674.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-1794923349542291791</id><published>2010-06-21T19:33:00.002+01:00</published><updated>2010-06-21T19:37:40.544+01:00</updated><title type='text'>O verão começa hoje</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TB-xRurI9XI/AAAAAAAAAe8/MCP2AQYt7PQ/s1600/images.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 113px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TB-xRurI9XI/AAAAAAAAAe8/MCP2AQYt7PQ/s200/images.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485297789305419122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  VERÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás no verão,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;num fio de repousada água, nos espelhos perdidos sobre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a duna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás em mim,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nas obscuras algas do meu nome e à beira do nome&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pensas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;teria sido fogo, teria sido ouro e todavia é pó,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sepultada rosa do desejo, um homem entre as mágoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És o esplendor do dia,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os metais incandescentes de cada dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitas-te no azul onde te contemplo e deitada reconheces&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o ardor das maçãs,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as claras noções do pecado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve a canção dos jovens amantes nas altas colinas dos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meus anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me deixas, o sol encerra as suas pérolas, os&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rituais que previ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma colmeia explode no sonho, as palmeiras estão em&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ti e inclinam-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebo, na clausura das tuas fontes, uma sede antiquíssima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doce e cruel é setembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dolorosamente cego, fechado sobre a tua boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Agostinho Baptista&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-1794923349542291791?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/1794923349542291791/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=1794923349542291791' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1794923349542291791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/1794923349542291791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/06/o-verao-comeca-hoje.html' title='O verão começa hoje'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TB-xRurI9XI/AAAAAAAAAe8/MCP2AQYt7PQ/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3993418534844200362.post-953172448901868836</id><published>2010-06-19T12:01:00.002+01:00</published><updated>2010-06-19T12:03:48.467+01:00</updated><title type='text'>O Homem Duplicado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TBykASdIR0I/AAAAAAAAAe0/xvBfDJyKEkE/s1600/saramagopilar4.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 152px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TBykASdIR0I/AAAAAAAAAe0/xvBfDJyKEkE/s200/saramagopilar4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5484438771091392322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;José Saramago, com ofício de escritor, passou na esquina da Spring com a Greenwich, em Nova Iorque, numa tarde de 2002, quando o empregado Hugo Gonçalves, com o restaurante vazio, lia o romance “Money”, de Martin Amis. O rapaz levantou a cabeça sem nenhum motivo que o justificasse e, enquadrado na porta, no outro lado da rua, descobriu o escritor. Hugo saiu e estendeu-lhe a mão. O escritor perguntou o que fazia o rapaz naquela cidade. O que importa mencionar dessa conversa é aquilo que, por pudor e bom senso, o rapaz não disse (que andava a escrever o seu primeiro romance e que podia prová-lo com as notas guardadas atrás do balcão). Quatro anos depois, Hugo Gonçalves, cliente de um restaurante em Madrid, esperava o seu hambuguer e lia uma revista. Mais uma vez, levantou a cabeça sem nenhum motivo que o justificasse, e através da porta encontrou o escritor. Saiu para a rua de mão estendida, arriscando mencionar a coincidência – dois portugueses, duas cidades, dois restaurantes, duas esquinas. Não referiu, claro, e ainda bem, que tinha publicado o tal romance. “Senhor Saramago, eu também escrevo”, foi frase que não se disse naquela esquina. Desses encontros, há um exemplar de “Money” com a assinatura de Saramago e a sensação que o acaso dos eventos em Nova Iorque e Madrid podia ser a premissa de um romance. Não foi, nem será. Ficou por dizer: Senhor Saramago, eu também escrevo, e a si cabe-lhe alguma responsabilidade. Depois de ler  um dos seus livros, pensei: “Quero saber como se faz isto tão bem”. Prometo-lhe que continuarei a tentar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3993418534844200362-953172448901868836?l=carrinhodechoque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/feeds/953172448901868836/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3993418534844200362&amp;postID=953172448901868836' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/953172448901868836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3993418534844200362/posts/default/953172448901868836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carrinhodechoque.blogspot.com/2010/06/o-homem-duplicado.html' title='O Homem Duplicado'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/TBykASdIR0I/AAAAAAAAAe0/xvBfDJyKEkE/s72-c/saramagopilar4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
