
Caros leitores,
Mesmo hoje, quando ponderei tirar o passe L, senti que o compromisso de pagar algo a cada 30 dias exigia a dedicação de quem se alista na Legião Estrangeira. Pago as contas depois do prazo. Nunca comprei uma casa. E cada vez tenho menos coisas para transportar a cada mudança. Mas acreditem que tenho tentado ser mais duradouro que o sabor de uma pastilha de Epá.
Também não tenho site meter (ainda que me olhe demasiadas vezes nas montras das ruas - preciso de um corte de cabelo), nem sei em que partes do mundo me lêem, nem se há citações do que escrevo pela internet. Não me lembro de quando comecei a escrever este blog. Não é desprendimento, é preguiça ou (soa melhor assim) é a necessidade de me concentrar em muitas coisas ao mesmo tempo.
E é por isso que também não costumo responder aos comentários dos que aparecem no meu blog. Tenho algum pudor - ao vivo posso ser um desenvergonhado, no blog tenho o mesmo constrangimento de uma adolescente a quem tentam apalpar as mamas pela primeira vez.
Sou insuficiente, caros leitores. Chego-vos tarde e a más horas. Desapareço. Sou o marido bêbedo que sai para ir ver o jogo no café e só volta para almoçar no domingo com uma tatuagem nova.
Mas tenho mesmo de vos agradecer.
Dobro o corpo numa vénia.
Muito obrigado.
Aos bondosamente chanfrados que decidiram ser seguidores deste blog (clara, busy cat, joaninha versus escaravelho, luciana, sónia, carol e num relance), ofereço também um mortal encarpado. Sou o vosso ginasta chinês. A vossa locutora de continuidade. O boneco dos Marretas. O rapaz que mete música na festa. O pirata a balançar na corda. O escritor num filme de acção. O gajo que grita: bar aberto. O miúdo que se diverte muito, mesmo muito, a escrever isto.



