
Na Praça do Rossio, rapazes e raparigas gritavam ordens, amortalhados em capas negras, bêbedos de poder académico e ébrios de ginjinha – esta segunda condição não reprovo, até porque se me vestisse com um traje da tuna, julgasse que estar inscrito no terceiro ano de engenharia mecânica me conferia o título de veterano e ainda tivesse de passar por épocas de exames, então, também me enfrascaria a meio da tarde.
Os mocinhos e mocinhas de flanela preta berravam, “Tudo a encher”, para caloiros com cara de candidatos ao Ídolos, tão jovens ao ponto de ter borbulhas, tossir com o primeiro cigarro e aceitar que lhes ponham um penico na cabeça.
Foi então que, para agravar a parvoíce, passou um trintão de camisa desnecessariamente desabotoada e cabelo lambido. As suas palavras, embrulhadas num hálito de prato do dia, jarrinho de tinto e abuso verbal de menores, informaram o seu amigo do seguinte: “Vou ali apalpar umas universitárias.”
Olhei para os estudantes e pensei: “Se é para ser parvo ou menos que tenham uma licenciatura, sempre é uma ferramenta de trabalho, já dizia o meu paizinho”.