segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

"Condenadme, no importa, la Historia me absolverá." - Fidel Castro


O Partido Comunista Português é tão obsoleto como os táxistas que pedem três Salazares para o país - um para o Norte, outro para o Centro, e um para o Sul. O PCP está tão fora do nosso tempo como os homens que ainda usam rabo de cavalo, os agarrados à heroína ou aqueles que compram álbuns do Brian Adams. O PCP continua a discutir a desintegração da URSS (acreditam eles que a coisa correu mal por causa de pressões externas e dos traidores internos - e eu pergunto se esses traidores internos serão os milhões que morreram nos campos de trabalhos forçados).


O PCP está tão congelado no tempo como os camaradas cubanos que foram apoiados no congresso - os comunistas portugueses ainda acreditam que uma revolução que começou há 50, que desfez um país, que pôs seus cidadãos a ser bufos, ou putas ou burlões, ainda está em curso. Cinquenta anos parece-me suficiente para ver se as ideias dos barbudos de Sierra Maestra funcionavam - há pessoas que são despedidas ao fim de um mês à experiência -, e se calhar já chega de andarem aí a brincar aos países, não?

O PCP ainda usa a desculpa do embargo americano para a opressão, para a gestão danosa e para os homicídios do regime cubano. O embargo dos Estados Unidos contribui para a miséria de Cuba, mas não é uma condição absoluta - já Fidel Castro e os seus uniformizados seguidores são a génese do mal naquela ilha.

Num discurso que emocionou a audiência no congresso do PCP, Odete Santos disse: "Houve um tribunal que condenou dois jovens por usarem o pincel e a tinta e escreverem num viaduto cinzento o lema do congresso da JCP: 'Transformar o sonho em realidade'."

Está mal, está mal, e por isso eu peço à senhora deputada Odete Santos que, uma vez que está preocupada com as injustiças, acrescente no seu discurso todos os presos políticos em Cuba, ou o poeta Reinaldo Arenas, fechado numa cela durante dois anos por ser homossexual, e a quem a polícia roubou manuscritos uma e outra vez; acrescente aí os que foram fuzilados em tribunais sumários, os que, por desespero e fome, foram comidos por tubarões enquanto tentavam fugir da ilha em câmaras de ar; acrescente aí aqueles que recebem penas de 15 anos por matar uma vaca (só o estado pode matar gado bovino, que comédia negra meus senhores); acrescente os que tiveram de comer cães e gatos durante o Período Especial enquanto os coronéis do regime viajam em carros de luxo; acrescente a lista de atrocidades que fizeram com que uma nação inteira começasse a perder a dignidade e a resistência: uma nação de pessoas que não podem pensar, que têm de delatar para fugir aos danos colaterais ou para arranjar um casa maior ou apenas porque já não se pode ser de outra maneira. O regime cubano empobreceu a natureza humana, enxovalhou a sua gente, menosprezou-a, foi egoísta, déspota, foi o pai de família que obriga o filho a ser o que o pai quer e mais nada, um pai sempre com o cinto na mão, sempre pronto a humilhar ainda mais quem já levou tanta porrada. Só por isso, o regime cubano devia desaparecer já, ou, como diria a JCP: "Transformar o sonho em realidade".

1 comentário:

Clara disse...

Amen. De esquerda sou eu. O PCP não está no lado esquerdo da política. Está no lado de fora.